A chamada “taxa da blusinha” tornou-se o símbolo do fim de uma regra que, até maio de 2024, permitia que consumidores americanos recebessem produtos importados com valor inferior a US$ 800 sem incidência de tarifas.
Shein e a ‘taxa da blusinha’: Como a nova tarifa afeta os preços nos EUA
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A revogação dessa regra — conhecida como de minimis — foi promovida pelo governo dos Estados Unidos, sob liderança do ex-presidente Donald Trump, e tem afetado diretamente varejistas como Shein e Temu, que movimentam milhões de pacotes de origem chinesa anualmente.
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Regra de minimis e sua importância no e-commerce

Criada para facilitar o comércio eletrônico e reduzir burocracias alfandegárias, a norma de minimis permitia uma entrada expressiva de produtos internacionais no mercado americano.
Em 2020, cerca de 637 milhões de pacotes chegaram aos EUA sob essa isenção. Em 2024, esse número mais do que dobrou, atingindo 1,36 bilhão de remessas.
Estudos apontam que 75% dessas importações vinham da China, com Shein e Temu representando cerca de 30% do volume total. Isso significa que aproximadamente 400 milhões de pacotes dessas duas marcas passaram pela isenção tarifária.
Escalada dos preços: o efeito imediato sobre os consumidores
A revogação da isenção teve impacto imediato nos preços de produtos vendidos pela Shein. Um levantamento da agência Reuters, que acompanhou cerca de 200 itens no site da varejista, mostra uma alta generalizada dos preços.
Aumento médio e casos extremos
- Roupas infantis e masculinas baratas tiveram um aumento médio de 12,5% até o fim de maio.
- Produtos selecionados registraram saltos ainda mais expressivos: um carrinho com 10 itens baratos passou de US$ 31 para US$ 69, uma alta de 123% em apenas três meses.
- Entre peças mais caras, como vestidos e casacos femininos, os preços subiram em média 23%.
A estratégia da Shein de manter preços baixos, mesmo com a nova carga tributária, está sendo posta à prova. Ainda que a empresa tente absorver parte dos custos, especialistas alertam que as margens já estão no limite e o repasse ao consumidor é inevitável.
Por que a medida foi adotada? Pressões políticas e econômicas
A revogação da isenção tarifária faz parte de uma estratégia de contenção ao avanço da China no comércio internacional. O domínio de empresas chinesas como Shein, Temu e milhares de vendedores na Amazon tem sido alvo de críticas por parte de varejistas americanos e sindicatos que defendem a indústria nacional.
Concorrência desleal?
- Empresas chinesas aproveitavam o modelo de envio direto ao consumidor para evitar taxas, ao contrário dos varejistas locais que operam com custos internos mais altos.
- A Amazon também sente o impacto: mais da metade dos vendedores terceirizados da plataforma são chineses, segundo levantamento da Euromonitor.
Impacto social: os mais pobres pagam a conta
Um dos pontos mais críticos da nova política tarifária é seu impacto desproporcional sobre consumidores de baixa renda. Estudo do National Bureau of Economic Research indica que as camadas mais pobres da população americana, especialmente residentes de bairros com maioria não branca, são os principais consumidores de produtos de baixo valor importados da China.
Nova tarifa amplia desigualdades
- A imposição de taxas pode acrescentar entre US$ 10,9 bilhões e US$ 13 bilhões por ano aos gastos dos consumidores.
- O peso recai justamente sobre quem menos pode pagar, tornando roupas básicas e utensílios domésticos menos acessíveis.
Burocracia e os custos extras: desafios para o setor logístico
Além da elevação de preços, o fim da isenção traz um novo entrave: a burocracia alfandegária.
Tarifas podem chegar a 145%
- A nova carga tributária pode variar, mas gira em torno de 30%, podendo atingir até 145% em certos produtos.
- Isso afeta não apenas o preço final, mas também os prazos de entrega, que agora são maiores por conta do processo de desembaraço aduaneiro.
Estratégias das varejistas: como Shein e Temu estão reagindo
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A reação das empresas chinesas não tardou. Algumas das principais medidas adotadas para tentar contornar os impactos incluem:
Reformulação logística
- Estudo de novas rotas de envio via centros de distribuição em países intermediários, como México e Canadá.
- Investimento em operações locais para evitar o envio direto da China e reduzir tributos.
Parcerias e produção local
- A Shein já iniciou parcerias com fábricas americanas e influenciadores locais como estratégia de nacionalização.
- Há também iniciativas para produzir roupas dentro dos EUA e reduzir a dependência das importações.
Efeito dominó no mercado global

A nova política tarifária americana pode servir de exemplo para outros países que enfrentam desafios semelhantes. O Brasil, por exemplo, também debateu em 2024 a tributação de plataformas como Shein, embora com recuos e idas e vindas legislativas.
Guerra do e-commerce
Essa disputa é mais do que econômica: representa uma mudança geopolítica no controle do consumo digital global, com os Estados Unidos tentando frear o domínio chinês sobre o e-commerce.
Considerações finais: o futuro da moda acessível
O modelo de negócios que consagrou empresas como a Shein — com produtos extremamente baratos, entregues em poucos dias, sem taxas — está sendo desafiado. A “taxa da blusinha” pode ter sido apenas o primeiro passo de uma mudança estrutural no comércio internacional.
Enquanto isso, consumidores devem se preparar para um novo cenário de preços mais altos, prazos de entrega mais longos e menor acesso a bens de consumo baratos, especialmente nas classes menos favorecidas.
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