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Novo Ensino Médio: especialistas alertam para perigos!

Alguns pais, alunos e educadores ficaram surpresos ao depararem-se com o currículo de disciplinas do Novo Ensino Médio. Confira!

Na segunda-feira passada (5), com o retorno das aulas nas escolas estaduais, também voltaram as discussões sobre as mudanças nas grades curriculares do Novo Ensino Médio. Porém, com isso, certos pontos observados causaram desconforto para alguns alunos, pais e educadores.

Especialistas alertam que as alterações propostas podem impactar o pensamento crítico e a formação acadêmica dos alunos, já que disciplinas tradicionais como História, Geografia, Química, Física e Biologia foram substituídas por novas matérias, como “O que rola por aí?”, “Ação! Está em suas mãos”, entre outras.

Origem do Novo Ensino Médio

Aprovado em 2017, durante o governo de Michel Temer (MDB), o novo modelo de Ensino Médio iniciou sua implementação em 2022. Assim, ele inclui aulas comuns a todos os estudantes do país, direcionadas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

Também possui a opção para os alunos escolherem itinerários para aprofundarem seus estudos em áreas específicas.

Implementação do novo modelo

Cinco jovens estudantes do ensino médio estudando em biblioteca escolar para utilizar política de cotas
Imagem: wavebreakmedia / shutterstock.com

A Secretaria de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc) informou que todas as disciplinas foram implementadas na rede em 2022, e os estudantes iniciaram seu percurso formativo em 2023, com previsão de conclusão ao término do ano letivo de 2024.

Além disso, a Secretaria reconhece a participação ativa dos alunos na escolha dos itinerários e ressalta a importância de uma transição cuidadosa e planejada para garantir que o encerramento desses ciclos preserve a formação dos estudantes, mantendo a autonomia na escolha até o fim do ciclo letivo.

Para esclarecer as dúvidas que surgiram sobre o assunto, a Seeduc destaca que há informações detalhadas no Currículo Referencial, disponível clicando aqui. Ademais, a Secretaria oferece um canal para dúvidas, críticas e sugestões tanto para os alunos quanto para a comunidade escolar.

Quais são as novas matérias do Ensino Médio?

  • O que rola por aí?

Visa analisar e interagir com as variadas formas de expressão presentes na internet, como fotos, games, notícias, vídeos, redes sociais, ilustrações, entre outros, adotando uma postura crítica diante dessas representações.

  • Ação! Está em suas mãos!

Busca o engajamento em grupos de estudo para criar conteúdo midiático, utilizando diferentes formatos (notícias, podcasts, scripts, campanhas, gamificação, etc.), valorizando o protagonismo dos alunos.

  • De olho na rede digital!

Mostra como compreender e decodificar as linguagens empregadas nos diferentes meios de comunicação nacionais e internacionais, identificando intenções e adaptações dentro de contextos específicos para promover a interação social.

  • Relicário de heranças

Busca identificar e reconhecer idosos que contribuíram para o avanço da educação e documentar e divulgar as contribuições de diversos grupos ao longo da história. Além disso, visa conhecer os órgãos dedicados à proteção dos direitos das crianças, dos adolescentes e dos idosos.

  • Quem és tu, cidadão?

Incentiva a refletir sobre a evolução do conceito de cidadania ao longo do tempo e a questionar o tratamento dado à cidadania na sociedade brasileira atual. Também busca produzir textos variados que abordem violações ou afirmações da cidadania.

O que dizem os especialistas?

Em entrevista concedida ao Jornal O Dia, a professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), Zuleide Silveira, argumenta que o Novo Ensino Médio compromete a transição dos jovens para o Ensino Superior devido à sua insuficiência de conteúdo histórico contextualizado com o conhecimento produzido pela sociedade. Ela salienta que isso afeta negativamente o desenvolvimento da capacidade crítica dos estudantes.

“É um tema candente na sociedade brasileira, cuja discussão deve ser ampliada ao máximo possível. Essa reforma veio negar a transmissão do conhecimento produzido historicamente pela humanidade e ao mesmo tempo nega a formação crítica. Trata-se de um novo conteúdo que veio institucionalizar saberes interessados ao mercado, não ao mundo do trabalho propriamente dito, mas para formar o capital humano, cultural e social oficializando assim a lógica neoliberal no ensino público. Portanto, trata-se da contenção da entrada dos jovens no ensino superior, onde ocorre a formação profissional dos sujeitos, negando o conhecimento socialmente produzido historicamente pele a formação de uma consciência crítica dos sujeitos em sociedade para dar respostas a esses interesses imediatos do capital”, disse.

Zuleide Silveira – Professora da UFF

Já a Seducc aponta que: “Essa estratégia busca promover uma integração mais coesa entre os elementos curriculares e as demandas específicas de cada contexto. Isso reflete o compromisso da gestão em proporcionar uma educação eficiente e alinhada às necessidades da comunidade escolar”, informa a secretaria.

Imagem: wavebreakmedia / shutterstock.com