No dia 18 de novembro, entidades de defesa de direitos LGBTQIA+ protocolaram uma ação pública civil contra a nova carteira de identidade nacional, ou novo RG, como é mais conhecido.
Novo RG: grupos LGBTQIA+ querem proibir o novo documento
Entidades como a Antra e a ABGLT entraram com ação contra o novo RG, alegando retrocesso com a inserção do nome civil antes do nome social.
A Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) e a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexo (ABGLT) foram as duas instituições que entraram com a ação alegando que o novo documento fere a dignidade de pessoas trans e travestis.
Posicionamento das entidades
Um dos principais motivos que vem sendo pautado e criticado pela comunidade LGBTQIA+ é o campo obrigatório “sexo”, que facilitaria constrangimentos e violações dos direitos humanos das pessoas que apresentam um gênero de registro do qual não se identificam.
Além disso, o novo documento também conta com a exposição do nome civil antes do nome social, se houver, afetando pessoas transexuais que optaram, ou não, por não fazer a retificação.
As entidades emitiram uma nota, onde explicam os motivos pelos quais solicitam a suspensão da emissão do novo RG.
“Impor a utilização do nome de registro procedendo o nome social configura flagrante violação do direito a autoidentificação da pessoa trans e abre precedente perigoso para a exposição vexatória de um nome que não representa a pessoa que se identificar”, dizem em nota.
O novo RG
O novo documento, criado por iniciativa do governo do atual presidente Jair Bolsonaro (PL), vem recebendo uma enxurrada de críticas tanto pela comunidade LGBTQIA+, quanto por apoiadores da causa.
O mesmo, intitulado como CIN (Carteira de Identidade Nacional) substituirá o RG (Registro Nacional) e já começou a ser implantado e emitido em alguns estados como Rio Grande do Sul, Acre, Goiás, Minas Gerais, Paraná, além do Distrito Federal.
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O novo modelo inclui o número de inscrição do CPF (Cadastro de Pessoa Física) como número principal e único, além de ser válido para todo Brasil. Inclui também o nome de registro, sexo e nome social em seguida.
As entidades informaram que farão o necessário para que medidas sejam tomadas o mais rápido possível e também disseram que o problema poderia ter se resolvido se houvessem debatido com a comunidade LGBTQIA+ antes do decreto.
Com a solicitação de suspensão, o governo federal se vê obrigado a dialogar com as entidades e comunidade LGBTQIA+. A Advocacia Geral da União (AGU) e o Ministério da Economia não responderam os questionamentos sobre o tema.
Imagem: Governo do Brasil / Reprodução
