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Nubank aumenta taxas de criptomoedas após ajuste no IOF e reacende debate sobre custo de inovação financeira

O Nubank elevou as taxas para compra e saque de criptomoedas após o aumento do IOF para operações de câmbio. Medida pode impactar investidores.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira6 min de leitura
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O mercado financeiro brasileiro vive um novo momento de tensão entre inovação e tributação. Com o anúncio do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para operações de câmbio, o Nubank, maior banco digital da América Latina, comunicou aos seus clientes um reajuste nas taxas cobradas em transações com criptomoedas.

A medida, que passa a valer a partir de 27 de maio de 2025, gerou reações imediatas em um cenário de valorização dos ativos digitais, especialmente do Bitcoin, que já ultrapassa os US$ 109 mil.

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IOF: a alavanca fiscal que impacta o câmbio digital

Em 22 de maio de 2025, o Governo Federal brasileiro anunciou um conjunto de alterações nas alíquotas do IOF. A justificativa foi a necessidade de evitar um bloqueio de R$ 31,3 bilhões no orçamento da União. As mudanças atingem diretamente empresas, previdência privada de alta renda e, de forma especialmente sensível, operações de câmbio.

A nova alíquota de 0,38% sobre transações cambiais recai sobre todas as movimentações financeiras que envolvem a conversão de reais para moedas estrangeiras — o que, por extensão, inclui a compra de criptomoedas realizadas em plataformas nacionais que intermediam negociações com mercados internacionais.

Como o IOF afeta as criptomoedas no Brasil?

Embora o Bitcoin e outras criptomoedas não sejam reconhecidos como moedas de curso legal, o fato de suas negociações frequentemente envolverem mercados estrangeiros enquadra essas operações como transações cambiais.

É essa brecha que permite que o IOF incida sobre compras e saques em criptomoedas, conforme interpretado pelo Nubank.

Reajuste de taxas: o que muda para o cliente Nubank?

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Imagem: Freepik e Canva

O Nubank informou que, a partir de 27 de maio de 2025, as tarifas de transações com criptomoedas em seu aplicativo serão reajustadas para compensar o novo custo tributário. A fintech passou a atuar como corretora de criptoativos por meio de parcerias com plataformas como a Paxos e, mais recentemente, integrou funcionalidades próprias de custódia.

As mudanças incluem:

  • Taxa de compra de criptomoedas: de 1,39% para 1,69%
  • Taxa de saque (venda) de criptomoedas: de 0,99% para 1,29%

Segundo o comunicado oficial enviado por e-mail aos usuários, o aumento reflete a nova estrutura de custos imposta pelo IOF sobre operações que envolvem moedas estrangeiras, o que afeta a conversão necessária para adquirir ou liquidar criptoativos.

Contexto do mercado: valorização do Bitcoin e aumento da demanda

A medida adotada pelo Nubank ocorre em um momento de intensa valorização do Bitcoin, que superou os US$ 109 mil no final de maio. A valorização impulsiona o interesse de pequenos investidores brasileiros que utilizam plataformas como o Nubank para diversificação de portfólio, proteção contra inflação e busca por ganhos mais expressivos.

A elevação das taxas, no entanto, pode afetar diretamente a atratividade da plataforma como meio de entrada no universo das criptomoedas.

Com custos mais altos, os investidores podem optar por alternativas com menor estrutura tributária, incluindo exchanges estrangeiras que operam com stablecoins e soluções peer-to-peer (P2P).

Fintechs e o desafio do equilíbrio entre inovação e tributação

Em seu comunicado, o Nubank enfatizou a importância de manter a sustentabilidade da operação em um contexto regulatório que impõe novas exigências. A fintech não é a única impactada — outras instituições financeiras digitais também devem ajustar seus modelos diante da nova tributação.

Outras plataformas seguirão o mesmo caminho?

A tendência é que o aumento do IOF leve a um movimento de revisão geral nas taxas de corretoras e bancos que oferecem serviços de criptoativos.

Exchanges como Mercado Bitcoin, Bitso e Binance, que também operam com recursos transferidos via reais, podem se ver obrigadas a repassar parte desse custo ao usuário final, ainda que optem por estratégias comerciais diferentes para manter competitividade.

Impactos mais amplos: o IOF e o ecossistema cripto

O IOF, em sua essência, é um imposto regulatório — ou seja, serve tanto como instrumento arrecadatório quanto de controle. Porém, no contexto das criptomoedas, a incidência do imposto pode representar um obstáculo ao avanço tecnológico e financeiro no Brasil.

Aumentos em taxas operacionais, especialmente em fintechs que servem como ponte entre o usuário comum e o universo descentralizado das blockchains, podem desencorajar novos entrantes.

Migração para stablecoins e redes DeFi

Com o aumento das taxas em plataformas centralizadas, há uma tendência crescente de migração de usuários para soluções baseadas em stablecoins (como USDT, USDC ou DAI) negociadas diretamente em redes blockchain, como Ethereum, Polygon ou Solana.

Essas soluções permitem a realização de transferências internacionais, pagamentos e investimentos com baixo custo, contornando parte da estrutura tradicional bancária.

Além disso, aplicações de finanças descentralizadas (DeFi) continuam a oferecer acesso a rendimentos, liquidez e swaps sem intermediação bancária direta, o que pode se tornar ainda mais atraente com a elevação de custos nas plataformas tradicionais.

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Alternativas para o investidor brasileiro

Embora o IOF seja inevitável em certas transações formais, existem alternativas dentro do limite da legalidade para reduzir a exposição ao imposto:

  • Utilização de exchanges internacionais com saldo em stablecoins
    Plataformas como Binance, KuCoin ou OKX permitem operações com stablecoins diretamente depositadas, eliminando a necessidade de conversão direta a partir do real.
  • Uso de soluções peer-to-peer (P2P)
    Transações entre indivíduos para compra e venda de criptoativos podem evitar a incidência do IOF, desde que não envolvam câmbio formal.
  • Carteiras multimoeda e serviços de remessa em cripto
    Aplicativos como BitPay, Crypto.com e Transfero permitem envio de valores em criptomoedas com posterior conversão local, minimizando custos com impostos e taxas bancárias.

Cuidados legais e regulatórios

Vale lembrar que o uso de criptomoedas como alternativa a tributos deve ser conduzido com responsabilidade. A evasão fiscal é crime e a Receita Federal brasileira tem ampliado o monitoramento sobre operações com ativos digitais.

Todas as movimentações acima de R$ 35 mil por mês devem ser reportadas no Imposto de Renda, e transações com exchanges estrangeiras também entram na mira do Fisco.

Perspectivas para o futuro

Bitcoin criptomoedas BTC
Imagem: CMP_NZ / Shutterstock

O episódio envolvendo o aumento de taxas pelo Nubank reacende o debate sobre a necessidade de uma regulação mais moderna e transparente para o setor de ativos digitais no Brasil.

A criação de um marco legal específico para criptomoedas — como o projeto que tramita no Congresso Nacional desde 2023 — pode oferecer maior segurança jurídica tanto para usuários quanto para empresas.

Adoção institucional e resistência fiscal

Enquanto grandes bancos tradicionais começam a integrar criptoativos em suas operações, os entraves fiscais podem inibir a competitividade das fintechs menores.

Se o Brasil deseja permanecer relevante na revolução financeira global, será necessário encontrar um equilíbrio entre arrecadação e fomento à inovação.

Considerações finais

O aumento das taxas no Nubank é reflexo direto de um ambiente regulatório em transformação, onde o peso do IOF sobre operações com criptomoedas levanta dúvidas sobre a compatibilidade entre política fiscal e evolução tecnológica.

Para os investidores brasileiros, o momento exige atenção redobrada aos custos ocultos das transações e uma análise criteriosa das alternativas disponíveis.

À medida que o mercado amadurece e novas tecnologias surgem, o Brasil terá que decidir se pretende ser protagonista ou espectador no cenário cripto global.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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