O Nubank pode estar prestes a dar um dos passos mais relevantes de sua expansão internacional. A instituição brasileira mantém conversas preliminares para uma possível aquisição do Monzo, banco digital britânico que atende mais de 15 milhões de clientes.
Segundo informações divulgadas inicialmente pela Sky News e posteriormente repercutidas pelo Financial Times e pela Reuters, uma eventual transação poderia avaliar o Monzo entre £ 8 bilhões e £ 10 bilhões. As negociações ainda estão em estágio inicial e não existe prazo definido para a conclusão de um acordo.
O negócio, caso avance, combinaria dinheiro e ações. Para o Nubank, a operação representaria uma mudança importante na estratégia de crescimento fora da América Latina, enquanto o Monzo ganharia acesso a um grupo financeiro de escala global.
Leia mais:
Nubank mira Europa e avalia comprar banco digital britânico Monzo
O que está sendo negociado entre Nubank e Monzo

A possível compra ainda não está fechada. O conselho do Monzo avalia diferentes alternativas para financiar a próxima etapa de expansão da empresa, e a aproximação com o Nubank é uma delas.
Outra possibilidade é uma nova rodada de captação. O banco britânico também analisa a venda de uma participação minoritária para investidores financeiros, em uma operação que poderia envolver até 15% da companhia.
O Monzo conta com a assessoria dos bancos Morgan Stanley e Qatalyst Partners durante essa avaliação estratégica. Uma abertura de capital em Londres também aparece entre as alternativas discutidas em torno do futuro da fintech.
Isso significa que a eventual aquisição pelo Nubank ainda deve passar por negociações comerciais, avaliação financeira, análise regulatória e definição da estrutura definitiva da operação.
Por que o Monzo interessa ao Nubank
A possível transação ocorre em um momento de aceleração da internacionalização do Nubank. A companhia vem buscando ampliar sua presença fora do Brasil e da América Latina, incluindo sua entrada no mercado norte-americano.
A estratégia não se limita a aquisições. Em dezembro de 2024, o Nubank liderou uma rodada de investimento de US$ 150 milhões no Tyme Group, banco digital com operações na África do Sul e nas Filipinas. O aporte tornou o Nubank acionista minoritário da companhia.
A compra do Monzo, porém, teria características diferentes. Em vez de apenas participar do capital de outra fintech, o Nubank poderia incorporar uma operação bancária já estabelecida no Reino Unido, com marca conhecida, base de clientes e infraestrutura financeira local.
Isso poderia oferecer uma plataforma para ampliar a atuação internacional, embora uma operação desse porte também envolva desafios regulatórios, tecnológicos e de integração.
Monzo cresceu e passou a gerar lucro
O interesse ocorre depois de um forte avanço operacional do banco britânico. No ano fiscal encerrado em março de 2026, o Monzo registrou £ 1,7 bilhão em receita, alta de 39% em relação ao período anterior.
O lucro antes de impostos ajustado chegou a £ 172,6 milhões, crescimento de 20%. Os depósitos de clientes alcançaram £ 25,7 bilhões, enquanto a instituição encerrou o período com 15,2 milhões de clientes.
A companhia também informou 10,4 milhões de usuários mensais ativos e £ 73 bilhões em gastos realizados com cartões durante o exercício. O crescimento mostra que o Monzo deixou de ser apenas uma fintech em fase de expansão para se tornar uma operação bancária digital de grande escala no Reino Unido.
A empresa foi fundada em 2015 e construiu sua operação oferecendo serviços bancários diretamente pelo celular, incluindo conta, pagamentos, crédito, poupança e investimentos.
Expansão europeia virou prioridade
O momento atual do Monzo também ajuda a explicar as discussões sobre uma possível operação com o Nubank.
Sob o comando de Diana Layfield, que assumiu como CEO em fevereiro de 2026, a empresa passou a concentrar esforços no mercado europeu. O Monzo encerrou sua operação nos Estados Unidos e direcionou recursos para sua expansão no continente.
A companhia já avançou para mercados como Irlanda e Espanha, enquanto avalia novas formas de aumentar suas receitas. Entre os movimentos recentes está inclusive a entrada no setor de telefonia móvel por meio de uma oferta baseada em eSIM.
A expansão internacional, entretanto, exige capital e adaptação a diferentes regras bancárias, sistemas de pagamentos e hábitos de consumo. Uma associação com o Nubank poderia alterar significativamente a capacidade financeira do Monzo para executar esse plano.
O que a operação significaria para o mercado brasileiro

Para o consumidor brasileiro, uma eventual compra não significaria automaticamente mudanças na conta ou nos produtos oferecidos pelo Nubank no país. Os efeitos iniciais seriam principalmente estratégicos e relacionados à expansão internacional da companhia.
O ponto mais relevante seria o tamanho da operação. O Nubank passaria a controlar uma instituição financeira relevante no Reino Unido, adicionando uma nova plataforma a um grupo que já possui forte presença na América Latina.
Também seria um movimento acompanhado de perto pelo mercado financeiro, porque a operação envolveria uma empresa listada nos Estados Unidos e uma instituição regulada no Reino Unido. Eventuais mudanças de controle dependeriam das aprovações e procedimentos aplicáveis em cada jurisdição.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
