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Nubank estuda compra de banco para expandir operações com licença própria

Nubank avalia comprar um banco para obter licença completa e responder à pressão regulatória e tributária sobre fintechs no Brasil.

Bruna MachadoPor Bruna Machado7 min de leitura
Nubank

O Nubank voltou ao centro das discussões econômicas e regulatórias no Brasil após declarações recentes de seu CEO, David Vélez, sobre a possibilidade de adquirir um banco tradicional para obter uma licença bancária completa.

A fala ocorre em meio a um ambiente de pressão fiscal, avanço de projetos de lei que aumentam tributos sobre fintechs e novas exigências do Banco Central relacionadas ao uso do termo “banco” na razão social das instituições.

A mudança de cenário acendeu o alerta no mercado financeiro, que acompanha atentamente cada movimento do maior banco digital independente da América Latina. Ao mesmo tempo, reacendeu discussões sobre equilíbrio competitivo, carga tributária, concorrência e o futuro das fintechs em um ambiente cada vez mais regulado.

A seguir, um panorama completo e aprofundado sobre o tema, explorando os possíveis caminhos do Nubank, os impactos econômicos, os desafios regulatórios e os desdobramentos no setor financeiro brasileiro.

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O novo contexto regulatório que pressiona o Nubank

A resolução do Banco Central e o uso do termo “banco”

Uma das peças centrais para entender o debate atual é a resolução recente do Banco Central que determina que instituições que utilizem o termo “banco” em sua marca ou nome empresarial devem operar como bancos plenos, com todas as responsabilidades e requisitos regulatórios da categoria.

Adequação obrigatória

Embora o Nubank seja amplamente reconhecido como um banco digital, tecnicamente sua operação no Brasil é estruturada como instituição financeira autorizada, mas não com uma licença bancária completa.

Por isso, diante da nova regra, apenas dois caminhos permanecem viáveis:

Opção 1: Solicitar do zero uma licença bancária plena

Concedida mediante regras rígidas, longa análise técnica e exigências de capitalização, governança e liquidez.

Opção 2: Comprar um banco tradicional já licenciado

Estratégia mais rápida, mas que envolve custos elevados, integração operacional e possível absorção de passivos.

Por que isso importa agora?

A nova resolução coincidiu com o avanço de discussões sobre tributação das fintechs, criando uma convergência de pressões que altera o planejamento da empresa para os próximos anos.

O embate fiscal entre fintechs e bancos tradicionais

A defesa de David Vélez

Durante debates em Brasília sobre aumento da tributação, o CEO do Nubank afirmou que há uma “distorção” no discurso público sobre impostos pagos por fintechs.

Segundo ele:

  • O Nubank pagou R$ 8,2 bilhões em tributos em 2025.
  • Sua carga tributária efetiva foi de 32%, muito acima da média dos grandes bancos.
  • Bancos tradicionais pagam, em média, 12% de carga efetiva, devido a mecanismos como créditos tributários e prejuízos acumulados.

A crítica sobre desigualdade tributária

A avaliação de Vélez é de que a comparação feita apenas com alíquotas nominais produz conclusões equivocadas. Para ele, é preciso considerar a carga real paga na prática.

O avanço do PL que aumenta a CSLL das fintechs

Na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, avançou o projeto que:

  • Eleva a CSLL de fintechs de 9% para 12% em 2026 e para 15% em 2028.
  • Para fintechs que já pagam 15%, a alíquota subiria para 17,5% em 2026 e para 20% em 2028.

A proposta do Nubank

Vélez sugeriu ao governo:

Implementar uma taxa mínima efetiva de 17,5%

Isso, segundo ele, padronizaria a carga tributária entre bancos e fintechs, reduzindo disparidades competitivas e impedindo que instituições mais antigas, com grandes volumes de créditos tributários, paguem menos impostos que players mais recentes.

A possível compra de um banco: movimento estratégico de impacto

Por que o Nubank considera essa possibilidade?

Comprar um banco faria o Nubank:

  • Atender à exigência regulatória do Banco Central.
  • Ter acesso a estruturas de governança e compliance já consolidadas.
  • Herdar eventuais créditos tributários importantes.
  • Ampliar a flexibilidade para expandir produtos de crédito e investimentos.

Um passo que muda a natureza da empresa

Desde sua criação, o Nubank ganhou força justamente por não ser um banco tradicional. Seu modelo leve, 100% digital, permitiu:

  • Operar com custos menores;
  • Entregar experiências mais rápidas e simples;
  • Ampliar o acesso ao crédito;
  • Competir em pé de igualdade com grandes instituições.

Uma aquisição marcaria uma mudança estratégica profunda e poderia aproximar o Nubank da estrutura típica dos bancos tradicionais — algo que o próprio Vélez vê como necessário para um ambiente regulatório mais equilibrado.

O que o mercado pensa sobre uma possível compra?

Analistas avaliam que:

  • Uma compra como essa exigiria caixa elevado, mas o Nubank tem folga financeira.
  • A integração cultural pode ser um desafio, devido às diferenças entre modelos operacionais.
  • A aquisição pode acelerar o crescimento de linhas de crédito que demandam mais capital regulatório.

As opiniões variam, mas a percepção geral é de que uma compra seria um movimento ousado, porém coerente com o estágio atual da empresa.

Desempenho financeiro recorde fortalece o plano

O resultado histórico do terceiro trimestre de 2025

O Nubank registrou:

  • Lucro recorde de US$ 782,7 milhões,
  • Crescimento de 39% em relação ao mesmo período de 2024.

Um momento oportuno para investimentos estratégicos

O desempenho demonstra solidez financeira e reforça a capacidade de realizar movimentos mais ambiciosos, como:

  • Aquisições;
  • Expansão internacional;
  • Crescimento de oferta de serviços completos;
  • Ampliação de capital próprio para novas operações.

Um banco com 110 milhões de clientes no Brasil

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Com 12 anos de operação, o Nubank afirma já ter incluído mais de 110 milhões de pessoas no sistema financeiro — um salto inédito no país.

Essa base gigantesca:

  • aumenta a pressão por novos produtos;
  • fortalece a relevância política e regulatória da marca;
  • facilita a transição para uma operação bancária completa se necessário.

Como a decisão pode redefinir o setor financeiro brasileiro

O que está em jogo para as fintechs?

A combinação entre aumento de tributos, novas regras para uso do termo “banco” e competitividade desigual pode mudar o equilíbrio do mercado de tecnologia financeira no país.

O setor teme que:

  • custos maiores reduzam a inovação;
  • fintechs tenham menos margem para competir com grandes bancos;
  • a expansão de crédito fique mais concentrada.

Como isso afeta o consumidor?

Caso o Nubank obtenha a licença bancária completa, especialmente via compra, o consumidor pode ter acesso a:

  • Mais produtos financeiros integrados;
  • Portfólio completo de crédito e investimentos;
  • Aumento da segurança regulatória;
  • Experiência mais robusta em serviços tradicionalmente presenciais.

Por outro lado, o aumento de carga tributária sobre fintechs pode elevar o custo de crédito em todo o mercado.

O futuro da decisão

O Nubank está diante de uma encruzilhada

O cenário atual obriga a empresa a escolher entre:

  • seguir o caminho tradicional de obtenção de licença;
  • adquirir um banco já existente;
  • ajustar sua estratégia regulatória e fiscal no Brasil.

Independentemente da escolha, a decisão deve marcar um divisor de águas para o setor.

Impactos para o mercado financeiro

A decisão do Nubank poderá:

  • redefinir padrões de competição;
  • incentivar outras fintechs a buscar aquisições semelhantes;
  • gerar impacto direto na estrutura tributária do setor;
  • influenciar futuras regulações.

O Brasil, que por anos foi destaque no ecossistema de inovação financeira, observa agora uma transição para uma fase de maturidade regulatória — e o Nubank está no centro dela.

Considerações finais

O debate sobre tributação e regulação das fintechs criou um clima de tensão e transformação no sistema financeiro brasileiro. A possibilidade do Nubank comprar um banco tradicional coloca a empresa diante de uma decisão estratégica que pode redefinir não apenas seu futuro, mas o equilíbrio de todo o mercado.

Com lucros recordes, enorme base de clientes e pressão crescente das autoridades, o banco digital avalia seus próximos passos num ambiente onde inovação, competição e regulação entraram em rota de colisão.

A escolha, seja ela qual for, será um marco na história das fintechs e poderá influenciar o setor financeiro pelos próximos anos.

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Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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