O desenvolvimento da NuCel, a operadora móvel virtual (MVNO) do Nubank que utiliza a infraestrutura da Claro, foi muito além de um simples projeto tecnológico. Segundo os executivos das duas empresas que participaram do Web Summit Rio 2025, o verdadeiro desafio foi a construção de um novo modelo de colaboração entre duas culturas corporativas diametralmente opostas.
NuCel: Claro e Nubank deixam diferenças para trás e avançam na parceria
Nubank e Claro superaram diferenças culturais e lançaram a NuCel, MVNO do Nubank, em nove meses. Entenda os desafios, soluções e lições dessa parceria.
Apesar das dificuldades iniciais, a parceria se transformou em um case de sucesso que agora serve de referência dentro da própria Claro e reforça a capacidade de adaptação do Nubank. O projeto, que poderia ter desandado por conta de estilos de gestão diferentes, mostrou que a combinação de metodologias distintas pode gerar inovação, agilidade e transformação cultural.
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NuCel: um projeto nascido da divergência

Expectativas de prazos opostas
A primeira grande divergência no projeto NuCel foi relacionada aos prazos. Enquanto o Nubank esperava que a nova operadora fosse entregue em apenas seis meses, a Claro propôs 18 meses, baseando-se em sua estrutura tradicional de desenvolvimento e testes.
Essa diferença expôs de forma clara as metodologias de trabalho contrastantes entre as duas empresas:
- Nubank: cultura ágil, com entregas menores, iterativas e rápidas. Forte uso de metodologias como Scrum e Kanban.
- Claro: estrutura mais tradicional, com entregas grandes, ciclos mais longos e processos de aprovação robustos.
No fim, após negociações e realinhamentos, as equipes chegaram a um meio termo: a NuCel foi lançada em nove meses, combinando o ritmo de inovação do Nubank com os padrões técnicos e operacionais da Claro.
Cultura organizacional: trabalho remoto x presencial
Um modelo de trabalho híbrido moldado pelo Nubank
Outro ponto de atrito inicial foi o modelo de trabalho. O Nubank opera com um sistema remoto quase completo: os funcionários trabalham sete semanas em casa e apenas uma presencialmente, com poucas reuniões — a maior parte das interações ocorre de forma assíncrona, por meio de ferramentas como Slack, Notion e e-mail.
Já a Claro possui uma cultura tradicional de presencialidade diária no escritório, com reuniões recorrentes e comunicação mais direta.
A cultura Nubank prevaleceu
No projeto NuCel, a metodologia do Nubank foi a que prevaleceu. As reuniões se tornaram menos frequentes, e os times passaram a operar com mais autonomia e foco em entregas rápidas, seguindo um modelo mais descentralizado. Isso exigiu adaptação significativa por parte da Claro, que, segundo seus próprios executivos, viu valor no aprendizado e começou a aplicar elementos dessa nova cultura em outros projetos internos.
“Viramos um time só”: os desafios e aprendizados na prática

Primeira reunião: um choque entre parceiros
O diretor geral da NuCel, Paulo Barbosa, relembrou no evento a primeira reunião entre os times, classificando-a como “muito difícil”. A equipe da Claro tratava o Nubank como cliente, o que gerava ruídos de comunicação. Barbosa contou que precisou reiterar várias vezes: “Não somos clientes, somos parceiros.”
Com o passar do tempo, no entanto, o relacionamento amadureceu e as equipes se integraram.
“As diferenças eram gritantes no começo. Depois viramos um time só, o time NuCel”, afirmou Thais Lamas, head de MVNOs e novos negócios da Claro.
Um projeto de humildade mútua
A CEO do Nubank, Livia Chanes, destacou em sua fala no palco principal do Web Summit que a parceria foi possível graças à humildade dos dois lados para aprender com o outro.
“São empresas muito diferentes, mas complementares. Temos aprendido muito com a Claro”, destacou Chanes.
Essa postura colaborativa também foi elogiada pelo CEO da Claro, Rodrigo Marques, que afirmou que a experiência trouxe insights valiosos para toda a companhia, especialmente no que diz respeito a agilidade, foco em produto e descentralização de decisões.
O que é a NuCel e como ela funciona?
A NuCel é uma MVNO (operadora móvel virtual), ou seja, uma operadora que não possui infraestrutura própria, mas utiliza a rede de uma operadora tradicional — neste caso, a Claro.
Principais características:
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- Rede Claro com cobertura nacional
- Distribuição e suporte via app do Nubank
- Foco em simplicidade, usabilidade e controle via aplicativo
- Integração com o ecossistema de produtos do Nubank
A NuCel se alinha à proposta do Nubank de descomplicar serviços tradicionais, como já fez no setor bancário. A ideia é oferecer planos simples, transparentes e sem surpresas na fatura.
Lições que podem transformar o setor corporativo
A colaboração entre Claro e Nubank no projeto da NuCel é mais do que uma aliança comercial. Ela representa um exemplo real de transformação cultural, em que:
- Empresas com modelos distintos conseguem trabalhar juntas com eficiência
- A metodologia ágil pode ser incorporada até mesmo por empresas tradicionais
- O respeito às diferenças organizacionais é essencial para a inovação
Lições para outras corporações:
- Flexibilidade é essencial: adaptar-se ao parceiro pode ser mais produtivo do que tentar impor métodos
- Modelos híbridos funcionam: não é necessário escolher entre presencial ou remoto — o melhor modelo é aquele que gera entregas reais
- A cultura ágil é contagiosa: ao entrar em contato com empresas mais leves e digitais, companhias tradicionais tendem a se renovar
O futuro da NuCel e os próximos passos da parceria

Com o lançamento bem-sucedido da NuCel, a expectativa agora é de expansão do serviço. Os próximos passos devem incluir:
- Ampliação da base de usuários com campanhas de marketing integradas
- Lançamento de novos planos e funcionalidades via app do Nubank
- Possível internacionalização em mercados onde a Claro possui presença e o Nubank também atua (como México e Colômbia)
Segundo executivos envolvidos no projeto, a NuCel poderá em breve oferecer vantagens exclusivas para clientes do Nubank, como descontos em serviços digitais, roaming internacional facilitado e integração com outras fintechs.
Considerações finais
O desenvolvimento da NuCel, operadora do Nubank com suporte da Claro, foi mais do que um desafio técnico: foi um exercício de alinhamento entre culturas corporativas profundamente diferentes. O resultado? Um novo modelo de MVNO ágil, digital e centrado no cliente — e um aprendizado que transcende o setor de telecomunicações.
A experiência mostra que é possível unir o melhor dos dois mundos: a agilidade e inovação de uma fintech como o Nubank com a robustez e capilaridade de uma gigante tradicional como a Claro. Essa fusão de competências pode, inclusive, ser a chave para o futuro da inovação no Brasil.
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