Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Demissão silenciosa: entenda o fenômeno que pode estar por trás da decisão do Nubank

Nubank enfrenta crise após discussão sobre fim do trabalho remoto e rumores de demissão silenciosa. Saiba o que muda e o posicionamento oficial do banco.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa7 min de leitura
Nubank

O Nubank, uma das maiores fintechs do mundo e fenômeno de crescimento no mercado financeiro, vive um período de instabilidade interna após a divulgação de que 12 funcionários foram demitidos por justa causa. O episódio ocorreu após uma reunião remota com mais de 7 mil colaboradores, realizada em 7 de novembro, e que gerou discussões acaloradas envolvendo críticas ao fim do regime totalmente remoto de trabalho.

A mudança do modelo conhecido como “Nu way of working” — até então considerado um dos maiores atrativos do Nubank — desencadeou insatisfação interna, boatos nas redes sociais e especulações sobre uma estratégia de demissão silenciosa, também conhecida como quiet cutting.

Embora o banco negue qualquer plano de desligamentos em massa, a decisão de modificar o regime de trabalho e realocar funções hierárquicas levantou dúvidas sobre os impactos na estrutura interna e no futuro de parte das equipes.

A seguir, entenda em detalhes o que motivou o conflito, como será a nova política de trabalho e por que o termo “demissão silenciosa” passou a dominar as discussões entre funcionários.

Leia mais:

Concurso PMES 2026: novo edital promete centenas de vagas com salários acima de R$8 mil

Como o Nubank passou do home office total ao modelo híbrido

A promessa que atraiu talentos em meio à pandemia

Durante os anos de pandemia, o Nubank inovou ao permitir que seus funcionários trabalhassem totalmente à distância. A política era vista como um símbolo de confiança e liberdade, oferecendo autonomia para que cada profissional escolhesse onde viver. Muitos colaboradores mudaram de cidade, de estado e até de país.

Entre as vantagens citadas pelo banco na época estavam:

  • Autogestão de rotina
  • Flexibilidade para morar em qualquer lugar do mundo
  • Cultura de confiança entre equipes

Mas o cenário começou a mudar em 2023, quando o setor de tecnologia global passou a enfrentar queda de investimentos e pressão por eficiência.

Como será o novo modelo de trabalho no Nubank

Atualmente, o Nubank exige apenas uma semana presencial por trimestre. No entanto, haverá uma transição progressiva e obrigatória para o regime híbrido:

Linha do tempo da mudança

  • Até o início de 2026: regime quase totalmente remoto permanece
  • Julho de 2026: 70% dos funcionários devem ir duas vezes por semana ao escritório
  • 2027: obrigatoriedade sobe para três dias por semana

A decisão foi recebida com resistência especialmente entre os colaboradores que reorganizaram suas vidas para trabalhar em home office. Para alguns, a exigência de retorno presencial significa:

  • Aumento de gastos com deslocamento
  • Perda de qualidade de vida
  • Possível necessidade de mudança de cidade

É nesse ponto que começam as suspeitas de quiet cutting.

O que é a demissão silenciosa ou quiet cutting

Conceito

Quiet cutting é o oposto de demitir alguém de forma clara. Em vez de anunciar cortes, a empresa altera condições de trabalho de forma que o funcionário se sinta pressionado a pedir demissão por conta própria.

Segundo o Departamento de Trabalho dos Estados Unidos, quiet cutting pode incluir:

  • Mudança de função sem consentimento
  • Redução de oportunidades de promoção
  • Remanejamento de papéis estratégicos para funções menos relevantes
  • Mudanças internas que dificultam a permanência do funcionário

Não há comunicação direta sobre a demissão. A estratégia está em tornar o ambiente tão inviável que o colaborador escolhe sair.

Por que o caso do Nubank se encaixa nessa discussão

As alegações levantadas por funcionários e internautas são as seguintes:

  1. A mudança para o trabalho híbrido prejudica quem vive longe das cidades onde o banco tem escritórios.
  2. Redução do número de cargos de liderança limita oportunidades de crescimento.
  3. A cultura de flexibilidade, antes usada como atrativo, teria sido revertida abruptamente.

Esses são sinais comuns de quiet cutting citados por especialistas em gestão de pessoas.

Um ponto que fortalece a percepção de pressão indireta é que muitos colaboradores só aceitaram o emprego por causa da promessa do home office.

Reestruturação antes do anúncio: mudança de níveis hierárquicos

Poucos meses antes da mudança no regime de trabalho, o Nubank anunciou uma revisão interna de funções. O banco reduziu de 14 para 7 o número de níveis de liderança, como forma de “desverticalizar a estrutura”.

Com isso:

  • Gerentes foram rebaixados a cargos de colaboradores individuais
  • Algumas funções de liderança desapareceram
  • Novos critérios para promoções ficaram menos claros

Oficialmente, não houve demissões nessa etapa, mas gerou insegurança entre equipes.

Especialistas afirmam que o conjunto de medidas — fim do home office + reestruturação de cargos — cria um ambiente onde o funcionário não tem mais perspectiva de crescimento e passa a visualizar a saída como única alternativa.

O posicionamento do Nubank sobre os rumores

Em comunicado enviado à imprensa, incluindo ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o Nubank afirma:

  • Não há plano de demissões em massa
  • As mudanças não fazem parte de reestruturação interna
  • O modelo híbrido será implantado gradualmente
  • Exceções poderão ser avaliadas caso haja necessidade

A empresa também ressaltou que está em contato com o Sindicato dos Bancários e que uma reunião foi agendada para esclarecer:

  • As demissões por justa causa
  • As denúncias de condutas inadequadas
  • A transição para o modelo presencial

O CEO e fundador, David Vélez, afirmou em nota que o processo terá um período de adaptação de oito meses, com suporte individual aos funcionários que precisarem.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Reação dos funcionários e das redes sociais

Relatos publicados de forma anônima em redes sociais e fóruns corporativos mostram preocupação com:

  • Impactos financeiros e logísticos do retorno presencial
  • Falta de clareza sobre realocação de funções
  • Clima de medo de represálias por críticas internas

Alguns comentários afirmam que o episódio da reunião foi “um estopim” para um sentimento de insatisfação que já vinha crescendo.

Para parte dos colaboradores, a percepção é clara:

“A promessa da liberdade foi retirada.”

No entanto, outros funcionários afirmam que o modelo híbrido pode melhorar a colaboração entre equipes, principalmente em projetos estratégicos.

Especialistas comentam: é demissão silenciosa ou não?

Profissionais de RH entrevistados afirmam que:

  • Retorno ao trabalho presencial tem sido tendência em empresas de tecnologia
  • Mudanças bruscas em políticas culturais podem causar atritos e pedidos de demissão
  • Quando a mudança envolve impactos pessoais (moradia, custos, logística), o risco de quiet cutting é maior

Ninguém afirma com certeza que o Nubank esteja adotando quiet cutting, porém o ambiente é considerado “propício para esse efeito”.

O que esperar do futuro do trabalho no Nubank

A transição para o modelo híbrido pode resultar em:

  • Aumento da rotatividade voluntária
  • Perda de talentos que vivem fora dos grandes centros
  • Desgaste da imagem do Nubank como empresa flexível e moderna

Por outro lado, o banco aposta em:

  • Maior integração entre departamentos
  • Mais eficiência operacional
  • Fortalecimento da cultura interna

O que está em jogo não é apenas o formato de trabalho, mas a identidade cultural de uma das empresas mais admiradas pelos brasileiros.

Conclusão

O episódio no Nubank mostra como decisões de gestão podem impactar profundamente a percepção de segurança e estabilidade dos funcionários. Enquanto o banco busca eficiência e proximidade entre equipes, colaboradores se sentem pressionados e inseguros com o fim do trabalho remoto, levando ao debate sobre quiet cutting.

Se o Nubank será capaz de equilibrar os interesses corporativos com a cultura construída até aqui, só os próximos meses dirão.

Não perca nenhuma oportunidade de crédito e pagamento: acesse agora nossas últimas notícias no Seu Crédito Digital.

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

Topicos relacionados