O Nubank deu mais um passo em sua estratégia de expansão no sistema financeiro brasileiro. A fintech está entre os finalistas na disputa pela compra da operação brasileira da Caixa Geral de Depósitos (CGD), banco estatal de Portugal, em um movimento que pode acelerar a obtenção de uma licença bancária completa no país.
Embora nenhuma decisão tenha sido anunciada oficialmente, fontes do mercado afirmam que a empresa apresentou uma proposta vinculante na fase final do processo de venda da instituição portuguesa. Caso o negócio seja concluído, o Nubank poderá reforçar sua estrutura regulatória sem precisar aguardar todo o processo de obtenção de uma nova licença junto ao Banco Central.
A operação chama atenção porque ocorre em um momento de mudanças regulatórias para instituições financeiras digitais e pode representar um novo capítulo na expansão do maior banco digital da América Latina.
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Nos últimos meses, o Nubank já havia informado ao mercado que analisava alternativas para obter uma licença bancária no Brasil.
Entre as possibilidades estudadas estavam:
- solicitar uma nova licença ao Banco Central;
- adquirir uma instituição financeira já autorizada a operar.
A segunda opção costuma ser considerada mais rápida, já que permite aproveitar a estrutura regulatória existente, desde que a operação seja aprovada pelos órgãos competentes.
Segundo declarações anteriores do fundador e CEO global, David Vélez, o interesse estaria concentrado principalmente na licença de funcionamento, e não necessariamente na carteira de clientes ou nas operações de crédito da instituição adquirida.
O que está sendo vendido?
O ativo colocado à venda é a unidade brasileira da Caixa Geral de Depósitos (CGD), banco controlado pelo governo português.
O processo faz parte de uma estratégia de desestatização conduzida por Portugal.
De acordo com informações publicadas pela imprensa especializada, o governo português pretende arrecadar cerca de R$ 250 milhões com a operação, embora parte relevante desse valor envolva a assunção de obrigações financeiras da instituição.
Quem participa da disputa?
Além do Nubank, outros grupos ligados ao mercado financeiro apresentaram propostas.
Entre eles estão:
- MD Capital;
- Garantia Capital.
O grupo Sputnik também participou das etapas iniciais do processo, mas não há confirmação de que tenha apresentado proposta final.
Quem são os concorrentes?
MD Capital
A gestora foi criada por executivos com longa experiência no sistema bancário brasileiro, incluindo ex-dirigentes do Bradesco.
Garantia Capital
A empresa reúne profissionais conhecidos do mercado financeiro, com atuação em bancos de investimento, operações estruturadas e gestão de ativos.
Segundo analistas, esses concorrentes possuem perfil mais voltado para aproveitar os ativos financeiros existentes da operação brasileira da CGD.
O que torna a operação estratégica para o Nubank?
O principal interesse pode estar na autorização para funcionamento como banco.
Nos últimos anos, o Banco Central reforçou as exigências regulatórias para instituições financeiras.
Além disso, regras recentes relacionadas ao uso da palavra “bank” por empresas sem licença bancária completa aumentaram a importância de uma solução rápida para adequação regulatória.
Nesse contexto, adquirir uma instituição já autorizada pode representar um caminho mais eficiente do que iniciar um novo processo do zero.
O Nubank ficará com toda a carteira do banco?
Não necessariamente.
David Vélez já afirmou anteriormente que, caso a fintech adquirisse uma instituição financeira, o objetivo principal seria aproveitar sua estrutura regulatória.
Entretanto, a unidade brasileira da Caixa Geral de Depósitos possui operações próprias.
Segundo dados divulgados pelo mercado, a instituição reúne aproximadamente:
- R$ 1,9 bilhão em ativos;
- cerca de R$ 860 milhões em operações de crédito e outros ativos financeiros.
Entre esses ativos existem operações consideradas mais complexas, que poderão ser analisadas cuidadosamente durante a negociação.
O que muda para os clientes do Nubank?
Neste momento, nada muda para quem utiliza os serviços da instituição.
O próprio Nubank informou que continua avaliando diferentes alternativas para ampliar sua atuação e que ainda não existe decisão definitiva sobre qualquer aquisição.
Como empresa de capital aberto, a fintech afirmou que comunicará oficialmente ao mercado caso algum acordo relevante seja fechado.
A compra depende de aprovação?
Sim.
Mesmo que as partes cheguem a um acordo comercial, operações desse tipo costumam passar por diferentes etapas regulatórias.
Dependendo da estrutura da transação, poderão ser necessárias autorizações de órgãos como:
- Banco Central;
- Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), quando aplicável;
- autoridades portuguesas responsáveis pelo processo de desestatização.
Somente após essas aprovações a aquisição poderá ser efetivada.
O Nubank continua crescendo no Brasil
Desde sua criação, o Nubank expandiu significativamente sua presença no mercado financeiro brasileiro.
Hoje, a instituição oferece uma ampla gama de produtos, incluindo:
- conta digital;
- cartões de crédito;
- empréstimos;
- investimentos;
- seguros;
- serviços para pequenas empresas.
Além do Brasil, o grupo também atua em mercados como México e Colômbia, reforçando sua estratégia de expansão na América Latina.
O que esperar dos próximos passos?

A expectativa agora é pela análise das propostas apresentadas pelos interessados.
Caso o Nubank seja escolhido para seguir com a negociação, ainda haverá etapas de diligência, definição contratual e aprovação regulatória antes da conclusão do negócio.
Enquanto isso, clientes da instituição podem continuar utilizando normalmente todos os serviços oferecidos, já que a possível aquisição não altera, por enquanto, o funcionamento das contas, cartões ou demais produtos.
Se confirmada, a compra poderá representar um importante passo estratégico para fortalecer a posição do Nubank no sistema financeiro brasileiro e ampliar sua capacidade de atuação em um mercado cada vez mais competitivo.
