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O que o Nubank faz que o Citibank não consegue? Ex-executivo revela tudo

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · · 5 min de leitura
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Em uma recente entrevista à plataforma In Practise, um ex-diretor do Nubank expôs com franqueza a cultura organizacional e as estratégias de crescimento da fintech brasileira, revelando planos ambiciosos para se tornar uma das empresas mais influentes do mundo e atingir uma avaliação de mercado de US$ 100 bilhões. Ao mesmo tempo, ele traçou um forte contraste com o modelo centralizado de operações do Citibank, banco tradicional norte-americano.

O relato lança luz sobre como o Nubank tem se posicionado globalmente, destacando a importância de uma gestão orientada pelas necessidades dos clientes, mesmo diante de desafios de rentabilidade e expansão internacional.

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Imagem: TungCheung / shutterstock.com

Cultura da “casinha”: a base da identidade do Nubank

Um dos pontos centrais da fala do ex-diretor foi a cultura interna do Nubank, estabelecida desde a fundação da empresa. Segundo ele, os valores fundamentais, conhecidos internamente como “casinha”, seguem vivos e influenciam cada decisão estratégica.

O que é a cultura da “casinha”?

A “casinha” é a representação visual dos cinco valores fundadores da fintech:

  1. Foco no cliente
  2. Mentalidade de dono
  3. Trabalho em equipe acima de tudo
  4. Excelência e eficiência com simplicidade
  5. Busca por impacto positivo e constante aprendizado

Esses princípios são mais do que slogans — eles funcionam como pilares operacionais, orientando desde o desenvolvimento de novos produtos até a condução de reuniões internas.

Foco real no cliente, não apenas discurso

Enquanto muitas instituições financeiras afirmam ser centradas no cliente, o Nubank, segundo o ex-diretor, pratica esse princípio com consistência. O banco cria produtos baseados em feedback real de seus usuários, mesmo que não sejam imediatamente rentáveis.

Exemplo prático: produtos com retorno de longo prazo

  • O Nubank lançou produtos não lucrativos em curto prazo apenas para atender às necessidades do cliente;
  • As soluções são pensadas para construir relacionamentos duradouros, ao invés de retorno imediato;
  • Isso é considerado um investimento em lealdade e confiança, fatores essenciais para escalar no setor bancário digital.

Ambição global: de banco brasileiro a potência mundial

Entre os pontos mais reveladores da conversa, está a aspiração do Nubank de alcançar uma avaliação de US$ 100 bilhões, posicionando-se entre os principais players globais do setor financeiro.

Expansão internacional como motor estratégico

O Nubank já atua em países como México e Colômbia, com planos de continuar sua internacionalização na América Latina e além.

Estratégia de expansão:

  • Adaptação local de produtos, com personalização por país;
  • Uso de um motor de decisão baseado em FICO, o que permite escalar com inteligência e controle;
  • Aposta na digitalização bancária para atender populações desbancarizadas, sobretudo na América Latina.

“Plataformização” do banco: escalabilidade com flexibilidade

Outro conceito destacado pelo ex-diretor é a plataformização da operação do Nubank. A fintech adotou uma arquitetura baseada em:

  • Licença global FICO, para avaliação de crédito e risco;
  • Um motor de decisão proprietário, adaptável às especificidades regulatórias e culturais de cada país.

Benefícios da plataformização:

  • Escalabilidade com flexibilidade regional;
  • Redução de custos operacionais;
  • Maior eficiência na concessão de crédito, mesmo em mercados com pouca informação bancária;
  • Velocidade de resposta em mercados novos, sem replicar burocracias do sistema financeiro tradicional.

Citibank: modelo centralizado em contraste

Fachada do Citibank, nas cores azul, branco e vermelho.
Imagem: DW labs Incorporated / Shutterstock.com

O ex-diretor do Nubank também comentou sobre os desafios enfrentados pelo Citibank, sobretudo no segmento de varejo bancário, quando comparado com a estratégia do Nubank.

Citibank e a centralização como obstáculo

  • As decisões do Citibank são altamente centralizadas, com sede nos EUA definindo modelos replicáveis para outras regiões;
  • Essa estratégia tem se mostrado ineficaz em mercados com forte variação cultural e regulatória, como Singapura ou Brasil;
  • Resulta em desconexão com o cliente final, e dificuldade para competir com bancos locais mais ágeis.

Setores com melhor desempenho do Citibank:

  • A operação corporativa e institucional continua forte e relativamente padronizada;
  • Filiais em Hong Kong, Reino Unido e EUA operam de maneira mais eficiente nesse segmento;
  • Contudo, o varejo continua sendo um gargalo, especialmente onde flexibilidade e adaptação local são cruciais.

Nubank como modelo emergente de sucesso no setor financeiro

O que o relato do ex-diretor evidencia é que o Nubank não apenas inova em tecnologia, mas também na forma de pensar e estruturar sua operação. O modelo de negócios da fintech se posiciona como antítese dos bancos tradicionais, especialmente em termos de:

AspectoNubankCitibank
Estrutura de decisãoDescentralizada e responsivaCentralizada e engessada
Foco no clienteGenuíno e baseado em dados reaisFrequente, mas com barreiras
Estratégia internacionalAdaptação local com tecnologiaPadronização com baixa flexibilidade
ProdutosSimples, digitais, com foco na dor do clienteTradicionais, padronizados
Cultura organizacionalHorizontal e ágilHierárquica e lenta

Implicações para o futuro do setor bancário

nubank
Imagem: Freepik e Canva

O cenário pintado pela entrevista sugere uma ruptura contínua no setor bancário. O modelo do Nubank representa uma nova geração de instituições digitalmente nativas, com foco em:

  • Escalabilidade adaptável
  • Inovação orientada pelo cliente
  • Crescimento sustentável com propósito

A postura do Citibank — e de outros grandes bancos tradicionais — parece exigir uma revisão urgente de suas estratégias globais, se quiserem manter relevância nos próximos anos.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

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