O Nubank descontinuou a rentabilidade automática de 200% do CDI aplicada ao cashback do cartão Nubank Ultravioleta. A mudança entrou em vigor em 30 de setembro de 2025 e alterou um dos principais diferenciais da modalidade desde seu lançamento, em 2021.
A partir dessa data, os valores acumulados como cashback deixaram de gerar novos rendimentos. O saldo continua disponível para resgate ou uso, mas não sofre mais qualquer tipo de correção.
A decisão impacta diretamente clientes que utilizavam o benefício como alternativa conservadora de investimento, atrelada ao CDI, indicador que acompanha de perto a taxa básica de juros definida pelo Banco Central do Brasil.
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Como funcionava o cashback de 200% do CDI
Desde a criação do Ultravioleta, o modelo era simples:
- 1,25% de cashback sobre o valor das compras;
- Valor devolvido automaticamente aplicado com rendimento de 200% do CDI;
- Liquidez diária;
- Sem prazo de expiração do saldo.
Na prática, muitos clientes deixavam o cashback acumulado por meses — ou anos — aproveitando a rentabilidade elevada, especialmente em períodos de juros altos no Brasil.
Exemplo prático
Se um cliente acumulasse R$ 5 mil em cashback e o CDI estivesse próximo de 10% ao ano, o rendimento equivalente a 200% do CDI poderia representar algo próximo de 20% ao ano bruto sobre esse saldo.
Isso transformava o benefício em uma espécie de “reserva paralela”, com risco baixo e rendimento superior ao de muitas aplicações tradicionais.
O que muda a partir de setembro de 2025
Com a nova diretriz:
- O saldo acumulado deixa de render;
- Não há correção monetária futura;
- O valor permanece disponível para saque ou uso em compras;
- Não há conversão automática para outro produto financeiro.
Ou seja, o cashback voltou a ter característica puramente transacional, sem função de investimento.
Reação dos clientes e impacto reputacional
A mudança gerou manifestações de insatisfação em plataformas como o Reclame Aqui. Entre os principais pontos levantados por clientes:
- Perda de diferencial competitivo;
- Redução da atratividade frente a outros cartões premium;
- Questionamentos sobre previsibilidade contratual.
Alguns usuários relataram avaliar migração para outras instituições financeiras que oferecem programas de pontos ou cashback com benefícios financeiros adicionais.
Posicionamento do Nubank
Segundo a fintech, a decisão faz parte de um reposicionamento estratégico do produto.
A proposta é incentivar o uso ativo do cashback em:
- Compras;
- Transferências;
- Benefícios de viagem;
- Experiências exclusivas.
O objetivo declarado é reduzir o caráter de aplicação financeira do saldo e reforçar o perfil de consumo e internacionalização do público de alta renda.
O que permanece igual no Nubank Ultravioleta
Apesar da mudança, vários benefícios continuam ativos.
Isenção de anuidade
- Gratuita para quem gasta pelo menos R$ 8 mil por mês no cartão;
- Ou mantém R$ 50 mil investidos na instituição.
Regra de transição
Usuários antigos podem preservar as regras anteriores por até 12 meses, conforme informado pela fintech.
Cashback ou pontos
- 1,25% de cashback nas compras;
ou - 2,2 pontos por dólar gasto.
Benefícios de viagem e internacionalização
- Condições diferenciadas no Nu Viagens;
- Acesso a salas VIP em mais de 145 países;
- Conta global em múltiplas moedas;
- Transferência de pontos para programas como LATAM Pass, Smiles e TudoAzul;
- eSIM internacional com franquia de dados;
- Reembolso integral do IOF em compras internacionais;
- Internet gratuita no exterior.
Como a mudança impacta o cliente na prática
Perfil investidor conservador
Quem utilizava o cashback como aplicação perde um produto com:
- Liquidez diária;
- Rentabilidade superior a muitos CDBs tradicionais;
- Isenção de burocracia.
Agora, para obter rendimento semelhante, será necessário transferir o valor para investimentos específicos, como CDBs, fundos ou Tesouro Direto.
Perfil focado em viagens
Para quem utiliza pontos, salas VIP e conta global, o impacto é menor. O cartão mantém posicionamento premium, mas perde parte do apelo financeiro.
Comparação com o mercado
No segmento de cartões de alta renda, o modelo mais comum é:
- Cashback fixo sem rendimento;
- Programa de pontos com transferência para companhias aéreas;
- Benefícios internacionais.
A rentabilidade automática de 200% do CDI era um diferencial raro. Sua retirada aproxima o Ultravioleta do padrão praticado por grandes bancos.
Vale a pena continuar com o Ultravioleta?
A resposta depende do perfil do cliente.
Pode valer a pena se:
- Você já cumpre os requisitos de isenção;
- Usa frequentemente salas VIP;
- Gasta muito no exterior;
- Valoriza benefícios internacionais.
Pode perder atratividade se:
- Seu principal objetivo era rendimento automático;
- Você mantinha grandes saldos acumulados;
- Busca maximizar retorno financeiro.
Antes de cancelar, é importante comparar com alternativas do mercado, considerando anuidade, pontuação, cashback e benefícios agregados.
O fim de uma era no cashback brasileiro?
O movimento sinaliza uma tendência: fintechs e bancos revisando benefícios criados em momentos de juros altos e forte expansão de base de clientes.
Com mudanças no cenário macroeconômico e pressão por rentabilidade, produtos financeiros passam por ajustes estratégicos.
Para o consumidor, o recado é claro: benefícios podem mudar — e acompanhar as regras contratuais é fundamental.
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Imagem: Freepik e Canva
