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Fim dos 200% do CDI no Nubank afeta estratégia de clientes

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 5 min de leitura
Nubank cdi

O Nubank descontinuou a rentabilidade automática de 200% do CDI aplicada ao cashback do cartão Nubank Ultravioleta. A mudança entrou em vigor em 30 de setembro de 2025 e alterou um dos principais diferenciais da modalidade desde seu lançamento, em 2021.

A partir dessa data, os valores acumulados como cashback deixaram de gerar novos rendimentos. O saldo continua disponível para resgate ou uso, mas não sofre mais qualquer tipo de correção.

A decisão impacta diretamente clientes que utilizavam o benefício como alternativa conservadora de investimento, atrelada ao CDI, indicador que acompanha de perto a taxa básica de juros definida pelo Banco Central do Brasil.

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Como funcionava o cashback de 200% do CDI

Desde a criação do Ultravioleta, o modelo era simples:

  • 1,25% de cashback sobre o valor das compras;
  • Valor devolvido automaticamente aplicado com rendimento de 200% do CDI;
  • Liquidez diária;
  • Sem prazo de expiração do saldo.

Na prática, muitos clientes deixavam o cashback acumulado por meses — ou anos — aproveitando a rentabilidade elevada, especialmente em períodos de juros altos no Brasil.

Exemplo prático

Se um cliente acumulasse R$ 5 mil em cashback e o CDI estivesse próximo de 10% ao ano, o rendimento equivalente a 200% do CDI poderia representar algo próximo de 20% ao ano bruto sobre esse saldo.

Isso transformava o benefício em uma espécie de “reserva paralela”, com risco baixo e rendimento superior ao de muitas aplicações tradicionais.

O que muda a partir de setembro de 2025

Com a nova diretriz:

  • O saldo acumulado deixa de render;
  • Não há correção monetária futura;
  • O valor permanece disponível para saque ou uso em compras;
  • Não há conversão automática para outro produto financeiro.

Ou seja, o cashback voltou a ter característica puramente transacional, sem função de investimento.

Reação dos clientes e impacto reputacional

A mudança gerou manifestações de insatisfação em plataformas como o Reclame Aqui. Entre os principais pontos levantados por clientes:

  • Perda de diferencial competitivo;
  • Redução da atratividade frente a outros cartões premium;
  • Questionamentos sobre previsibilidade contratual.

Alguns usuários relataram avaliar migração para outras instituições financeiras que oferecem programas de pontos ou cashback com benefícios financeiros adicionais.

Posicionamento do Nubank

Segundo a fintech, a decisão faz parte de um reposicionamento estratégico do produto.

A proposta é incentivar o uso ativo do cashback em:

  • Compras;
  • Transferências;
  • Benefícios de viagem;
  • Experiências exclusivas.

O objetivo declarado é reduzir o caráter de aplicação financeira do saldo e reforçar o perfil de consumo e internacionalização do público de alta renda.

O que permanece igual no Nubank Ultravioleta

Apesar da mudança, vários benefícios continuam ativos.

Isenção de anuidade

  • Gratuita para quem gasta pelo menos R$ 8 mil por mês no cartão;
  • Ou mantém R$ 50 mil investidos na instituição.

Regra de transição

Usuários antigos podem preservar as regras anteriores por até 12 meses, conforme informado pela fintech.

Cashback ou pontos

  • 1,25% de cashback nas compras;
    ou
  • 2,2 pontos por dólar gasto.

Benefícios de viagem e internacionalização

  • Condições diferenciadas no Nu Viagens;
  • Acesso a salas VIP em mais de 145 países;
  • Conta global em múltiplas moedas;
  • Transferência de pontos para programas como LATAM Pass, Smiles e TudoAzul;
  • eSIM internacional com franquia de dados;
  • Reembolso integral do IOF em compras internacionais;
  • Internet gratuita no exterior.

Como a mudança impacta o cliente na prática

Perfil investidor conservador

Quem utilizava o cashback como aplicação perde um produto com:

  • Liquidez diária;
  • Rentabilidade superior a muitos CDBs tradicionais;
  • Isenção de burocracia.

Agora, para obter rendimento semelhante, será necessário transferir o valor para investimentos específicos, como CDBs, fundos ou Tesouro Direto.

Perfil focado em viagens

Para quem utiliza pontos, salas VIP e conta global, o impacto é menor. O cartão mantém posicionamento premium, mas perde parte do apelo financeiro.

Comparação com o mercado

No segmento de cartões de alta renda, o modelo mais comum é:

  • Cashback fixo sem rendimento;
  • Programa de pontos com transferência para companhias aéreas;
  • Benefícios internacionais.

A rentabilidade automática de 200% do CDI era um diferencial raro. Sua retirada aproxima o Ultravioleta do padrão praticado por grandes bancos.

Vale a pena continuar com o Ultravioleta?

A resposta depende do perfil do cliente.

Pode valer a pena se:

  • Você já cumpre os requisitos de isenção;
  • Usa frequentemente salas VIP;
  • Gasta muito no exterior;
  • Valoriza benefícios internacionais.

Pode perder atratividade se:

  • Seu principal objetivo era rendimento automático;
  • Você mantinha grandes saldos acumulados;
  • Busca maximizar retorno financeiro.

Antes de cancelar, é importante comparar com alternativas do mercado, considerando anuidade, pontuação, cashback e benefícios agregados.

O fim de uma era no cashback brasileiro?

O movimento sinaliza uma tendência: fintechs e bancos revisando benefícios criados em momentos de juros altos e forte expansão de base de clientes.

Com mudanças no cenário macroeconômico e pressão por rentabilidade, produtos financeiros passam por ajustes estratégicos.

Para o consumidor, o recado é claro: benefícios podem mudar — e acompanhar as regras contratuais é fundamental.

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Imagem: Freepik e Canva

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