Nubank e Inter têm queda no mercado com nova proposta do Governo; entenda os impactos

Por trás da recente queda nas ações de grandes fintechs brasileiras, como Nubank e Inter, está uma nova proposta do governo federal que pretende reformular a tributação do setor.

A medida, que visa substituir a polêmica elevação do IOF, reacendeu o debate sobre a competitividade entre bancos tradicionais e digitais e gerou incertezas entre investidores.

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Medida do governo promete reconfigurar a tributação do setor financeiro

Mão segurando cartão do Nubank fintech
Imagem: Miguel Lagoa / Shutterstock.com

Após discussões prolongadas e críticas no Congresso à proposta de elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), a equipe econômica do governo apresentou uma nova estratégia. O plano atual mira diretamente no regime tributário das instituições financeiras, com foco especial nas fintechs, empresas que oferecem serviços financeiros com forte base tecnológica.

Hoje, o setor é dividido em três faixas de alíquota:

  • 20% para grandes bancos, como Itaú, Santander, Bradesco e BTG Pactual;
  • 15% para seguradoras e corretoras;
  • 9% para fintechs de menor porte.

A nova proposta elimina essa terceira faixa, o que pode levar as fintechs a serem realocadas para a alíquota de 15% ou até 20%. No entanto, o governo ainda não especificou em qual categoria essas empresas serão reclassificadas.

Nubank e Inter sentem os primeiros reflexos no mercado

Assim que a proposta se tornou pública, o mercado financeiro reagiu. As ações do Nubank (ROXO34) e do Banco Inter (INBR32) registraram queda de mais de 2% por volta das 14h36.

A reação negativa foi impulsionada por receios de que a tributação mais alta impacte diretamente os resultados das fintechs, já que elas operam com margens menores e maior foco em escalabilidade.

Especialistas divergem sobre o impacto real para as fintechs

Apesar da queda nas ações, nem todos os analistas do mercado acreditam que a nova medida afetará imediatamente todas as fintechs. Durante o programa “Giro do Mercado” da Empiricus, a analista Larissa Quaresma esclareceu:

“A maioria das fintechs listadas, como Nubank e Stone, não seriam afetadas. Stone não passa pela regra brasileira. Não deveria ser afetado”.

Isso ocorre porque parte dessas empresas tem estrutura jurídica ou operações baseadas no exterior, o que as protege, ao menos em parte, da mudança nas regras fiscais nacionais.

Custos mais altos podem comprometer a expansão das fintechs

O CEO da Pulse Capital, Marcos Camilo, alerta que, mesmo que não sejam diretamente afetadas pela alíquota agora, fintechs podem sentir o impacto de forma indireta. Ele argumenta:

“O custo de capital está ficando maior de forma geral. Fintechs podem sofrer mais que os grandes bancos em razão da menor capacidade de ganho em escala”.

Além disso, ele chama atenção para um ponto crítico: a capacidade do consumidor final de arcar com custos maiores, caso as empresas precisem repassá-los:

“Nubank atua muito no mercado mais popular, onde o consumidor não tem muita capacidade para absorver aumentos relevantes de custo”.

Essa análise aponta para o risco de desaceleração na expansão de fintechs voltadas ao público de baixa renda, um dos pilares de crescimento do setor.

Grandes bancos devem sair beneficiados?

Com o provável aumento da carga tributária sobre as fintechs, os bancos tradicionais — que já operam com margens mais confortáveis e maior capacidade de escalar custos, podem acabar se beneficiando. A equiparação tributária pode reduzir a vantagem competitiva que as fintechs vinham acumulando ao longo dos últimos anos.

Esse cenário sugere um possível reposicionamento no setor bancário, com fintechs enfrentando maiores desafios para manter sua estratégia de crescimento agressivo.

O que esperar nos próximos meses?

A proposta do governo ainda precisa de ajustes e passar por discussões no Congresso, o que significa que mudanças podem ocorrer antes da implementação. Enquanto isso, o mercado financeiro segue em alerta, monitorando os desdobramentos e possíveis reações das empresas envolvidas.

A postura do governo sinaliza uma tentativa de equilibrar a arrecadação sem enfrentar a forte resistência que a elevação do IOF gerou. No entanto, mexer com o setor de fintechs, que vinha sendo um dos motores de inovação e democratização do acesso a serviços financeiros no Brasil, pode ter efeitos colaterais significativos.

Com informações de: Money Times

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