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A partir de 2026, Nubank altera regras e afeta brasileiros; entenda o impacto

Nubank encerra trabalho 100% remoto em julho de 2026 e adota modelo híbrido com ida ao escritório duas vezes por semana.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
Nubank

O Nubank anunciou uma mudança estratégica profunda em sua política de trabalho. A partir de 1º de julho de 2026, a fintech deixará de operar com o modelo 100% remoto, adotado desde 2020 por conta da pandemia da Covid-19, e passará a exigir presença física nos escritórios ao menos duas vezes por semana. A medida representa o encerramento de uma era no banco digital, que agora mira uma nova fase de consolidação da cultura organizacional, colaboração entre equipes e expansão internacional estruturada.

A decisão, que foi oficializada pelo CEO e fundador David Vélez por meio de comunicado interno, já está provocando impactos internos e reflexos no mercado. O movimento segue a tendência global de readequação do trabalho pós-pandemia, na qual grandes empresas de tecnologia e finanças estão reavaliando o trabalho remoto.

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Implementação escalonada até 2027

A nova política será implementada gradualmente, com a primeira etapa entrando em vigor em julho de 2026. Nessa fase, a maioria dos funcionários deverá comparecer aos escritórios duas vezes por semana. Já a partir de janeiro de 2027, a exigência subirá para três dias presenciais por semana.

Segundo o Nubank, essa transição escalonada busca minimizar impactos, preservar a produtividade e permitir ajustes operacionais conforme o feedback das equipes.

Centros corporativos pelo mundo

Para viabilizar a nova estrutura, o banco digital vai inaugurar novos centros corporativos colaborativos em cidades estratégicas no Brasil e no exterior. A intenção é reunir os times em ambientes modernos, sustentáveis e voltados à inovação. Esses escritórios funcionarão como “campi de colaboração”, com espaços integrados para reuniões, treinamentos, convivência e ações de engajamento cultural.

As cidades que receberão esses hubs são:

  • São Paulo (Brasil) – Sede principal e núcleo de inovação
  • Rio de Janeiro (Brasil) – Foco em engenharia e tecnologia
  • Cidade do México (México) – Centro da operação latino-americana
  • Bogotá (Colômbia) – Polo de expansão na região andina
  • Buenos Aires (Argentina) – Núcleo de suporte e desenvolvimento
  • Berlim (Alemanha) – Escritório dedicado à inovação e inteligência artificial
  • Miami (Estados Unidos) – Foco em parcerias financeiras e internacionalização

Essas unidades devem estar plenamente operacionais até o fim de 2026.

Justificativa da decisão: cultura, colaboração e pertencimento

No comunicado enviado aos funcionários, David Vélez argumentou que o retorno parcial ao ambiente físico é uma medida essencial para reforçar a cultura de colaboração, inovação e pertencimento, pilares que, segundo ele, estão em risco em um modelo 100% remoto.

“A cultura do Nubank foi construída com base no contato humano, na troca de ideias espontânea e na construção conjunta de soluções”, afirmou o CEO.

Ele também mencionou que, embora o home office tenha sido fundamental para o crescimento da empresa nos últimos anos, chegou o momento de resgatar a identidade coletiva e estimular uma nova fase de conexões entre os colaboradores.

Reações internas e demissões após o anúncio

A mudança não foi bem recebida por toda a equipe. Um dia após o anúncio, o Nubank demitiu 12 funcionários por justa causa, alegando “violações de conduta e desrespeito às diretrizes corporativas” durante discussões internas relacionadas à nova política de trabalho.

Segundo relatos, as reações aconteceram em fóruns híbridos, com participação de aproximadamente 7 mil dos 9,5 mil colaboradores da empresa, entre reuniões presenciais e videoconferências via Zoom.

Embora David Vélez tenha reconhecido que a transição poderá gerar desconfortos, ele reforçou a convicção da liderança de que o modelo híbrido é imprescindível para o futuro do Nubank, especialmente diante da nova etapa de expansão e da necessidade de preservar o engajamento organizacional.

Quem será afetado pela mudança?

A exigência de retorno presencial afetará a maioria dos colaboradores brasileiros, com maior impacto sobre aqueles que moram em cidades fora dos grandes centros urbanos ou em regiões sem previsão de inauguração de novos hubs.

Áreas que continuarão remotas

O Nubank informou que algumas áreas específicas continuarão operando de forma remota, como:

  • Atendimento ao cliente
  • Ouvidoria
  • Suporte a investimentos
  • Investigação de crimes financeiros
  • Conformidade regulatória
  • Recrutamento e seleção

Além disso, casos excepcionais, como situações médicas, familiares ou de residência em locais sem escritório próximo, poderão ser analisados individualmente para viabilizar o trabalho remoto contínuo ou transferências para escritórios regionais.

Resultados do Nubank durante o trabalho remoto

Entre 2020 e 2025, período em que o Nubank operou 100% remoto, a empresa registrou crescimento recorde. A base de clientes mais que dobrou, saltando de 59 milhões para 122 milhões de usuários na América Latina.

Além disso, os números financeiros impressionaram o mercado:

  • Lucro líquido de US$ 637 milhões no 2º trimestre de 2025
  • Receita de US$ 3,7 bilhões no mesmo período
  • Expansão de serviços no México, Colômbia e Argentina
  • Consolidação como um dos maiores bancos digitais do mundo

Esse desempenho reforça o sucesso da estratégia digital, mas a diretoria aponta que, para o próximo ciclo, será necessário fortalecer a presença física como suporte à escalabilidade, integração global e retenção de talentos.

Tendência global: o fim do home office irrestrito?

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A decisão do Nubank não é isolada. Grandes empresas de tecnologia, como Amazon, Google, Meta e Apple, também anunciaram mudanças nos últimos meses, restringindo o home office e optando por modelos híbridos mais rigorosos.

Os motivos são semelhantes:

  • Queda no engajamento e colaboração entre times
  • Desconexão cultural
  • Aumento de rotatividade
  • Desafios na gestão de performance e inovação

Embora muitas startups e empresas de menor porte ainda mantenham o remoto como política padrão, o movimento de retorno parcial ao presencial tem ganhado força, sobretudo entre empresas com operação internacional e alto volume de equipe técnica.

Vantagens e desafios do modelo híbrido

Principais vantagens

  • Colaboração entre equipes mais eficiente
  • Maior engajamento em projetos transversais
  • Construção de cultura organizacional sólida
  • Facilidade de mentorias e treinamentos presenciais
  • Ambientes mais preparados para inovação conjunta

Principais desafios

  • Logística para quem mora longe dos escritórios
  • Aumento de custos com transporte e alimentação
  • Dificuldade em manter a flexibilidade conquistada no home office
  • Descontentamento e risco de perda de talentos
  • Adaptação de infraestrutura em cidades com menos estrutura

O Nubank promete mitigar esses desafios oferecendo benefícios logísticos, estrutura moderna nos hubs e ações de acolhimento para os times, além de acompanhar métricas de adaptação nos primeiros seis meses da implementação.

O que dizem especialistas em gestão

Especialistas em cultura organizacional e gestão de pessoas apontam que o modelo híbrido bem estruturado tende a ser o “meio termo ideal” entre performance e bem-estar. No entanto, reforçam que é preciso haver clareza nas regras, escuta ativa dos colaboradores e suporte contínuo à adaptação.

Segundo o consultor em RH Rodrigo Oliveira, o sucesso do novo formato depende de uma cultura baseada em confiança e autonomia:

“Não basta trazer as pessoas de volta. É preciso que elas sintam que vale a pena estar ali. Sem um ambiente de colaboração real e propósito claro, o presencial se torna apenas uma imposição.”

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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