Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Nubank rebate Haddad e diz que paga mais imposto que bancões

Após fala de Haddad sobre equiparação tributária, Nubank afirma pagar alíquota efetiva maior que bancos tradicionais. Confira!

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
Nubank

A recente medida do governo federal que altera a tributação sobre fintechs provocou reações imediatas no setor. Em 12 de junho, o Nubank se posicionou publicamente em resposta às declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendendo que já arca com uma carga tributária efetiva mais alta que a de muitos bancos tradicionais.

Medida Provisória: o que muda para as fintechs?

nubank limite
Imagem: Alf Ribeiro / Shutterstock.com

Leia mais: Nubank surpreende e desiste de repassar IOF extra para clientes de criptomoedas!

Aumento da CSLL

Com a publicação da MP em 11 de junho, o governo decidiu que as fintechs não terão mais direito à alíquota reduzida de 9% da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Com isso, as empresas do setor passarão a pagar 15% ou até 20%, equiparando-se, segundo o governo, aos grandes bancos.

A mudança visa corrigir o que o ministro Haddad chamou de “distorção tributária”, uma vez que as fintechs disputam o mesmo mercado de crédito e serviços bancários que as instituições tradicionais.

O que disse Fernando Haddad?

Durante uma entrevista, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a proposta não se trata de um aumento de impostos, mas de uma “equalização” tributária. De acordo com ele, a intenção do governo é nivelar o pagamento de tributos pelas instituições financeiras que operam no mesmo mercado, criando assim condições mais justas de concorrência.

Segundo Haddad, instituições tradicionais como o Bradesco já arcam com uma carga tributária mais elevada, o que justificaria a equiparação com fintechs de grande porte. Em suas palavras, “um banco do tamanho do Nubank precisa contribuir da mesma forma”, uma vez que disputa os mesmos clientes e oferece serviços similares aos dos chamados “bancões”.

Fintechs sob o mesmo regime

Ainda segundo o ministro, a medida tem como objetivo equilibrar o mercado, já que as fintechs cresceram significativamente e operam com estruturas semelhantes às dos bancões.

A resposta do Nubank

Concorrência e inovação

Na nota divulgada, o Nubank declarou que apoia a busca por equilíbrio no setor financeiro, mas ressaltou que cumpre todas as obrigações legais e fiscais. A empresa destacou ainda sua contribuição para a inovação e concorrência no setor bancário, afirmando que ajuda seus clientes a economizar milhões em tarifas todos os anos.

Tributos efetivos superiores

O banco digital contestou a justificativa da Fazenda para a elevação da CSLL. Segundo o Nubank, a análise isolada de tributos nominais não reflete a realidade do sistema tributário brasileiro.

Além disso, o Nubank defendeu que o governo deveria rever as isenções e compensações concedidas aos bancos tradicionais, que permitiriam a eles pagar menos tributos na prática, apesar das alíquotas nominais elevadas.

Panorama da tributação no sistema financeiro

Diferença entre alíquota nominal e efetiva

A discussão sobre tributação no setor financeiro exige uma diferenciação entre alíquota nominal (a prevista por lei) e efetiva (a que de fato é paga, após deduções e incentivos).

BancoAlíquota nominal (2024)Alíquota efetiva (2024)
Nubank34% (IRPJ + CSLL)29,4%
Bradesco34%17,3%
Banco A (não identificado)34%4,7%

O que são essas compensações?

Os grandes bancos costumam usar instrumentos como prejuízos fiscais acumulados, incentivos regionais e deduções por provisões contábeis. Esses mecanismos, permitidos pela legislação, reduzem significativamente o imposto a pagar.

Reação do setor: fintechs se mobilizam

Críticas da ABFintechs

A Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs) também se posicionou contra a Medida Provisória. Para a entidade, o aumento da carga tributária pode ter efeito negativo sobre o crédito, prejudicando tanto o consumidor final quanto a competição no mercado bancário.

Governo insiste em equilíbrio

Apesar das críticas, o governo insiste que a medida não é punitiva, mas visa estabelecer justiça tributária entre empresas que atuam no mesmo setor.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

O que esperar a partir de agora?

Nubank Funcionamento
Imagem: Sidney de Almeida/ shutterstock.com

Debate deve continuar no Congresso

Como a mudança foi feita por meio de Medida Provisória, ainda será necessário o aval do Congresso Nacional para que a medida se torne lei. Nesse processo, o tema poderá ser amplamente discutido por parlamentares, representantes do setor e órgãos técnicos.

Fintechs devem pressionar por revisão

É provável que o Nubank e outras fintechs intensifiquem sua articulação política e institucional para evitar que a medida seja aprovada nos termos atuais. O discurso deve continuar focado na alíquota efetiva e na necessidade de revisão das isenções concedidas aos grandes bancos.

FAQ

O que significa alíquota efetiva?

É a porcentagem real de tributo que uma empresa paga, considerando todos os abatimentos e compensações legais, diferindo da alíquota nominal prevista em lei.

O Nubank realmente paga mais imposto que os bancos tradicionais?

Segundo o próprio Nubank, sim. Em 2024, a alíquota efetiva da fintech foi de 29,4%, acima da registrada por várias instituições tradicionais.

Considerações finais

Enquanto o Ministério da Fazenda defende uma equalização tributária, o banco digital argumenta que, na prática, já contribui mais que os concorrentes tradicionais.

O debate escancara uma disputa maior: quem deve pagar mais impostos em um setor altamente lucrativo e concentrado?

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

Topicos relacionados