O segundo trimestre de 2025 trouxe surpresas para o setor bancário brasileiro. O Nubank, instituição jovem e listada na NYSE, conseguiu superar o Banco do Brasil (BBAS3), banco centenário e tradicionalmente forte no agronegócio, em termos de lucro contábil e retorno sobre patrimônio (ROE).
O desempenho evidencia a crescente pressão sobre bancos estatais e o avanço de instituições privadas no mercado financeiro nacional.
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Desempenho do Banco do Brasil

O Banco do Brasil, que historicamente se beneficiava de seu relacionamento com o agronegócio, enfrentou desafios significativos no período. A inadimplência do setor, que se intensificou no segundo trimestre, pressionou os resultados do banco estatal.
De acordo com os números oficiais, o lucro contábil do BB foi de R$ 3,03 bilhões, enquanto o lucro ajustado caiu para R$ 3,784 bilhões, representando uma queda anual de 60% — o menor nível desde 2020. O ROE foi de 8,4%, o valor mais baixo desde 2016.
O resultado final ficou 30% abaixo do consenso de mercado, que já havia sido revisado para baixo após dados divulgados pelo Banco Central no início do mês. A carteira geral de crédito também teve provisões maiores, ampliando a pressão sobre o lucro total do banco.
Segundo analistas, a situação reforça a vulnerabilidade de instituições ligadas a setores específicos, como o agronegócio, especialmente em um cenário de inadimplência crescente e custos elevados.
Desempenho do Nubank
Enquanto isso, o Nubank apresentou resultados sólidos. O lucro contábil da instituição foi de US$ 637 milhões, equivalente a R$ 3,41 bilhões na cotação atual do dólar, superando o Banco do Brasil. Considerando o lucro ajustado, o Nubank alcançou US$ 694,5 milhões, 5% acima do consenso da Bloomberg e 42% superior ao mesmo período de 2024, totalizando R$ 3,76 bilhões.
O ROE do Nubank chegou a 28%, mostrando eficiência e rentabilidade superiores às do banco estatal. Este desempenho reflete a expansão da carteira de crédito, melhores margens financeiras líquidas e controle rigoroso das despesas operacionais.
Comparativo: Nubank x Banco do Brasil
| Indicador | Banco do Brasil | Nubank |
|---|---|---|
| Lucro contábil | R$ 3,03 bilhões | R$ 3,41 bilhões |
| Lucro ajustado | R$ 3,784 bilhões | R$ 3,76 bilhões |
| ROE | 8,4% | 28% |
| Crescimento anual | -60% | +42% |
| Carteira de crédito | Alta inadimplência no agro | Expansão equilibrada |
| Despesas | Provisões elevadas e ajustes não recorrentes | Controle de despesas operacionais |
O comparativo evidencia a resiliência do Nubank, que mesmo sendo mais jovem, consegue manter margens robustas e crescer de forma sustentável. Já o Banco do Brasil enfrenta desafios estruturais, especialmente no relacionamento com o agronegócio, que representa um risco significativo em períodos de inadimplência elevada.
Impacto no mercado e na B3
O resultado do Nubank reforça a tendência de fortalecimento de bancos privados no Brasil. A distância entre instituições como Nubank, Itaú e Bradesco em relação ao BB está se ampliando, especialmente em lucro por ação (LPA) e ROE, métricas importantes para investidores.
Na B3, a performance do Nubank chama atenção pelo crescimento consistente e pela resposta positiva dos investidores, enquanto o BB sofre com a percepção de maior risco e resultados decepcionantes.
Perspectivas para o setor bancário

O cenário atual indica que bancos digitais e privados podem continuar a ganhar fatia de mercado, especialmente ao oferecer produtos mais flexíveis e tecnologia de ponta.
Para o Banco do Brasil, os desafios incluem:
- Reduzir a inadimplência, especialmente no agronegócio
- Melhorar o retorno sobre patrimônio (ROE)
- Reavaliar provisões e ajustes não recorrentes, tornando o lucro mais previsível
Já para o Nubank, os próximos passos envolvem:
- Continuar a expansão da carteira de crédito sem comprometer a qualidade
- Manter o controle de despesas operacionais
- Fortalecer presença em diferentes segmentos, incluindo financiamento e produtos digitais avançados
O segundo trimestre de 2025 evidenciou uma mudança significativa no cenário bancário brasileiro. O Nubank conseguiu superar o Banco do Brasil em lucro contábil, lucro ajustado e ROE, refletindo a eficiência de bancos privados digitais em comparação a instituições tradicionais dependentes de setores específicos, como o agronegócio.
Enquanto o BB enfrenta o maior nível de inadimplência do agro de todos os tempos, o Nubank consolida seu crescimento com expansão de crédito, margens financeiras consistentes e disciplina operacional.
O resultado reforça uma tendência clara: o futuro do setor financeiro brasileiro pode estar cada vez mais nas mãos de bancos digitais e privados, capazes de inovar e se adaptar rapidamente a mudanças de mercado, enquanto instituições tradicionais precisam revisar estratégias e reduzir riscos para manter relevância.
Com informações de: Exame

