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Simples Nacional e MEI mudam com a reforma tributária, veja como isso afeta seu bolso

A Reforma Tributária mantém o Simples Nacional e o MEI, mas traz novas regras, transição a partir de 2026 e mudanças.

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
MEI

A Reforma Tributária aprovada no Brasil promove uma ampla reorganização do sistema de impostos sobre consumo, com a substituição gradual de tributos atuais pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços). Em meio a essas mudanças estruturais, um dos principais pontos de atenção para micro e pequenos empresários é o futuro do Simples Nacional e do Microempreendedor Individual (MEI).

O texto da reforma garante a manutenção dos regimes simplificados, afastando o temor de extinção dessas categorias. No entanto, apesar da preservação formal, o novo modelo traz mudanças operacionais, novas possibilidades de recolhimento e normas que exigirão maior organização fiscal por parte dos empreendedores.

A transição entre o sistema atual e o novo modelo começa em 2026 e será feita de forma gradual, com coexistência dos tributos vigentes e dos novos impostos até a consolidação definitiva do sistema.

Simples Nacional

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Manutenção do regime

O Simples Nacional continuará existindo e seguirá como regime simplificado para micro e pequenas empresas. A estrutura de recolhimento unificado será preservada, concentrando diversos tributos em uma única guia, o Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS).

Mesmo com a criação do IBS e da CBS, as empresas optantes do Simples não serão obrigadas a sair do regime, o que garante previsibilidade e continuidade para milhões de negócios.

IBS e CBS no regime regular

Uma das principais novidades confirmadas é a possibilidade de as empresas do Simples optarem, a cada semestre, por recolher o IBS e a CBS fora do regime simplificado, seguindo as regras do regime regular.

Essa opção traz impactos relevantes, como:

Geração de créditos tributários

Ao recolher IBS e CBS pelo regime regular, a empresa poderá gerar créditos para seus clientes, o que pode ser decisivo em cadeias produtivas mais longas.

Maior competitividade

Empresas que vendem para outras empresas podem se tornar mais competitivas ao permitir o aproveitamento de créditos tributários.

Flexibilidade estratégica

A opção não é definitiva. O empreendedor poderá avaliar, semestre a semestre, qual modelo de recolhimento é mais vantajoso.

Essa possibilidade já está prevista na legislação da reforma e integra as regras oficialmente aprovadas.

Cronograma de transição

A implementação do novo sistema ocorrerá de forma escalonada:

Fase inicial em 2026

Em 2026, entram em vigor alíquotas de teste do IBS e da CBS, permitindo ajustes operacionais e adaptação dos sistemas.

Mudanças estruturais a partir de 2027

A partir de 2027, as mudanças ganham peso efetivo, com ampliação da aplicação do novo modelo e redução gradual dos tributos antigos.

MEI: regras já confirmadas pela Reforma Tributária

Manutenção do regime

O Microempreendedor Individual também foi preservado pela Reforma Tributária.

A categoria permanece isenta do IBS e da CBS, mantendo sua lógica simplificada e de baixo custo.

Obrigatoriedade gradual de emissão de nota fiscal

Uma mudança confirmada é a ampliação da exigência de emissão de nota fiscal eletrônica. De forma gradual, o MEI deverá emitir nota fiscal em todas as vendas, inclusive para pessoa física.

Essa medida faz parte do processo de modernização e aumento do controle fiscal.

MEI: propostas que ainda dependem de aprovação

Super MEI

Um projeto de lei complementar propõe a criação do chamado “Super MEI”, com mudanças relevantes:

Aumento do limite anual

Elevação do teto de faturamento de R$ 81 mil para R$ 144 mil por ano.

Faixa intermediária

Criação de uma faixa entre R$ 81 mil e R$ 140 mil, com regras diferenciadas de tributação.

Apesar do impacto potencial, essa proposta ainda depende de votação e sanção presidencial.

Atualização dos limites

Outros projetos que tratam da atualização periódica dos limites do MEI seguem em tramitação, sem efeito imediato.

Regra recente

Uma resolução recente trouxe uma mudança relevante ao determinar que a receita obtida pela pessoa física deve ser somada ao faturamento do CNPJ do MEI para fins de enquadramento no Simples Nacional.

Principais efeitos da regra

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Ampliação do controle fiscal

A medida reduz brechas para separação artificial de receitas.

Redução de irregularidades

Diminui o risco de utilização indevida do MEI para volumes superiores ao permitido.

Exigência de maior formalidade

O empreendedor precisará acompanhar de forma integrada seus ganhos como pessoa física e jurídica.

Essa norma já está em vigor e exige atenção imediata.

FAQ

Empresas do Simples terão que pagar IBS e CBS?

Não obrigatoriamente. Elas poderão optar, de forma semestral, pelo recolhimento no regime regular.

O MEI vai pagar novos impostos?

Não. O MEI continuará isento do IBS e da CBS.

O limite do MEI mudou?

Não. As propostas de aumento ainda não foram aprovadas.

O que é o Nanoempreendedor?

É uma nova categoria para quem fatura até R$ 40,5 mil por ano, isenta do IBS e da CBS.

Considerações finais

O Simples Nacional e o MEI permanecem preservados na Reforma Tributária, garantindo continuidade para micro e pequenos empreendedores. No entanto, as mudanças confirmadas apontam para um ambiente mais transparente, com maior fiscalização e exigência de organização.

A opção pelo regime regular do IBS e da CBS, a criação do Nanoempreendedor, a exigência gradual da nota fiscal eletrônica e o controle mais rigoroso do faturamento já fazem parte da nova realidade. Propostas como a atualização dos limites e o Super MEI seguem em debate, mas ainda não possuem validade legal.

A transição a partir de 2026 exigirá atenção constante, planejamento tributário e acompanhamento profissional para evitar erros e aproveitar oportunidades dentro do novo sistema.

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Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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