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OCDE aumenta estimativa para o PIB brasileiro em 2026 e reduz a de 2027

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 5 min de leitura
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A economia brasileira deve crescer 2% em 2026, segundo a nova projeção da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgada nesta quarta-feira (23). A estimativa representa uma revisão para cima de 0,4 ponto percentual em relação à previsão de junho, quando a entidade esperava expansão de 1,6%.

Para 2027, entretanto, o cenário foi revisado na direção oposta. A OCDE reduziu de 2,1% para 1,9% a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. As duas projeções ficam abaixo das estimativas para a economia mundial, calculadas em 2,9% para 2026 e 3% para 2027.

O novo relatório, intitulado OECD Economic Outlook, Interim Report September 2026, considera os efeitos do conflito no Oriente Médio, o comportamento dos preços de energia, os investimentos em inteligência artificial e a evolução das políticas monetárias ao redor do mundo.

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Imagem: Reprodução

A revisão positiva para 2026 está relacionada principalmente à resistência da demanda doméstica brasileira. Segundo a OCDE, o consumo e outras atividades internas têm ajudado a sustentar a economia mesmo diante de um ambiente internacional mais instável.

A organização também destaca medidas governamentais que ajudaram a amortecer, para famílias e empresas, parte dos efeitos provocados pela elevação dos preços da energia. Esse conjunto de fatores contribuiu para que a atividade brasileira apresentasse desempenho melhor do que o previsto anteriormente.

Outro componente importante é a trajetória dos juros. A OCDE observa que o Brasil está entre as economias emergentes nas quais a política monetária deve continuar sendo flexibilizada durante o período analisado.

O relatório registra que a taxa básica brasileira já havia sido reduzida em mais de 1 ponto percentual desde março, embora partindo de um nível considerado bastante restritivo. A entidade projeta novas reduções dos juros no Brasil à medida que as pressões inflacionárias diminuam.

O que a queda dos juros pode mudar

A redução da taxa básica tende a afetar a economia gradualmente. Quando o custo do dinheiro diminui, empresas podem encontrar condições mais favoráveis para financiar investimentos, enquanto famílias podem ter acesso a crédito menos caro.

Esse processo, porém, não ocorre de maneira imediata. Financiamentos, empréstimos e investimentos empresariais respondem às condições monetárias com defasagem. Por isso, a expectativa da OCDE é de que o processo de flexibilização contribua para a atividade econômica ao longo do horizonte de projeção, e não apenas no momento em que uma decisão de juros é tomada.

Para o consumidor brasileiro, isso pode significar mudanças graduais nas condições de financiamento de veículos, imóveis e bens de maior valor, desde que as instituições financeiras repassem parte da melhora das condições de mercado.

Por que a previsão para 2027 caiu

A revisão para 1,9% no crescimento brasileiro em 2027 ocorre em um contexto internacional mais desafiador.

A OCDE projeta que o impacto dos preços elevados de energia e de outras commodities continue afetando a economia mundial no curto prazo. Embora a organização trabalhe com uma redução dos preços de energia posteriormente, a trajetória permanece sujeita à evolução dos conflitos e das condições de oferta.

O cenário também considera riscos relacionados ao comércio internacional, às taxas de juros de longo prazo e às condições climáticas. Um eventual El Niño forte, por exemplo, pode afetar a produção agrícola em diferentes regiões e provocar pressão adicional sobre os preços dos alimentos.

Para o Brasil, esses fatores são particularmente relevantes porque a economia possui forte participação de commodities na pauta de exportações e uma importante produção agropecuária.

Inflação continua sendo um ponto de atenção

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Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital

A nova projeção da OCDE também mostra que o crescimento econômico não ocorre sem desafios no campo dos preços.

Para o Brasil, a entidade estima inflação de 5,1% em 2026, com desaceleração para 4,3% em 2027. Ao mesmo tempo, a inflação nas economias emergentes do G20 deve permanecer elevada em 2026 antes de apresentar alguma moderação no ano seguinte.

O comportamento da energia é um dos principais riscos. No cenário usado pela organização, os contratos futuros indicam preço médio do petróleo Brent próximo de US$ 105 por barril no último trimestre de 2026, antes de uma queda gradual ao longo de 2027.

Uma alta persistente do petróleo pode aumentar custos de transporte, produção e logística e, posteriormente, atingir preços de produtos e serviços.

IA ajuda a sustentar a economia mundial

Enquanto a crise energética cria obstáculos para a atividade, outro movimento funciona como fonte de sustentação para a economia global: os investimentos relacionados à inteligência artificial.

A OCDE aponta que os gastos com infraestrutura de IA continuam contribuindo para o crescimento, especialmente por meio de investimentos em centros de dados, semicondutores e outros equipamentos tecnológicos. O avanço dessa indústria também vem impulsionando o comércio de produtos ligados à tecnologia.

Países asiáticos com forte participação na fabricação de componentes tecnológicos estão entre os mais beneficiados por esse movimento. A organização também observa que economias emergentes como Brasil, Índia e Indonésia têm contado mais com a força da demanda interna.

O efeito da IA sobre o Brasil, portanto, é diferente daquele observado em países que concentram grande parte da produção de chips e infraestrutura tecnológica. Para a economia brasileira, os impactos podem ocorrer principalmente por investimentos, produtividade, consumo e demanda internacional.

Brasil cresce menos que a economia global

Com a projeção de 2% para 2026, o Brasil aparece abaixo do crescimento mundial estimado pela OCDE, de 2,9%. Para 2027, a diferença permanece: a entidade prevê expansão global de 3%, contra 1,9% para o PIB brasileiro.

Isso não significa que a economia brasileira entrará necessariamente em retração. A projeção continua apontando crescimento, mas em ritmo inferior ao agregado mundial.

O desempenho dependerá de fatores como trajetória dos juros, consumo das famílias, investimentos, inflação, mercado de trabalho, preços das commodities e ambiente externo.

Foto: Divulgação

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