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Operação contra fraude no INSS completa 1 ano com R$ 3 bi pagos

Operação contra fraude no INSS completa 1 ano. Veja quem pode pedir ressarcimento e como contestar descontos indevidos.

Helena SerpaPor Helena Serpa4 min de leitura
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A chamada Operação Sem Desconto, que investigou um dos maiores esquemas de fraude contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), completa um ano nesta quinta-feira (23). O caso expôs um sistema de descontos indevidos em benefícios previdenciários que pode ter causado prejuízos de até R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.

Até 27 de março de 2026, o INSS já havia devolvido R$ 2,95 bilhões a cerca de 4,34 milhões de beneficiários. Apesar disso, aproximadamente 4 milhões de pessoas ainda não se manifestaram sobre os descontos identificados.

A investigação foi conduzida com apoio da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU), que identificaram irregularidades envolvendo associações e entidades que realizavam cobranças sem autorização.

Como funcionava?

Leia mais: Governo avisa sobre 13º do INSS pelo WhatsApp; veja como funciona

As investigações apontaram que o golpe consistia na inclusão indevida de aposentados e pensionistas em associações. Essas entidades realizavam descontos mensais diretamente na folha de pagamento dos beneficiários, como se houvesse autorização formal.

Na prática, muitos segurados:

  • Nunca se associaram às entidades
  • Não autorizaram os descontos
  • Não tinham conhecimento das cobranças

Segundo a CGU, essas associações alegavam oferecer benefícios como assistência jurídica, descontos em academias e planos de saúde, mas não possuíam estrutura para cumprir o prometido.

Ao todo, 11 entidades foram alvo de medidas judiciais, com suspensão de contratos e bloqueio de atividades.

Impactos políticos e institucionais

O escândalo teve forte repercussão política e administrativa. Houve a queda de autoridades importantes, incluindo o então presidente do INSS e o ministro da Previdência.

Também foi criada uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), que investigou o caso até março de 2026. Apesar de recomendar o indiciamento de mais de 200 pessoas, o relatório final não foi aprovado.

Entre os investigados estavam empresários, dirigentes de entidades e figuras públicas.

Prisões e envolvidos no esquema

A operação resultou na prisão de diversos envolvidos, incluindo:

  • Alessandro Stefanutto (ex-presidente do INSS)
  • Antônio Carlos Antunes Camilo (“Careca do INSS”)
  • Empresários e dirigentes de entidades associativas

As investigações continuam em andamento em diferentes frentes.

Nova lei proíbe descontos associativos em benefícios

Em janeiro de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou uma lei que proíbe descontos automáticos feitos por associações em benefícios do INSS.

A legislação estabelece que:

  • Descontos só podem ocorrer com autorização clara e comprovada
  • Em caso de irregularidade, o valor deve ser devolvido em até 30 dias
  • A responsabilidade pela devolução é da entidade que realizou o desconto

Um trecho que previa busca ativa por parte do INSS para identificar vítimas foi vetado, sob justificativa de risco operacional e financeiro.

Prazo para contestar

Os beneficiários têm até o dia 20 de junho de 2026 para contestar descontos indevidos.

Esse prazo foi prorrogado duas vezes pelo INSS para ampliar o acesso ao ressarcimento.

Em maio de 2025, cerca de 9,5 milhões de segurados foram notificados sobre possíveis irregularidades.

Quem pode solicitar o ressarcimento?

Podem aderir ao acordo de devolução:

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  • Quem recebeu resposta considerada inválida (como assinaturas falsas)
  • Beneficiários com descontos entre março de 2020 e março de 2025
  • Pessoas com ação judicial em andamento (desde que desistam do processo)

Como contestar descontos indevidos no INSS?

O procedimento pode ser feito de forma simples, sem necessidade de advogado:

Pelo aplicativo ou site Meu INSS

  • Acesse o portal ou app Meu INSS
  • Faça login com CPF e senha
  • Procure por “Consultar descontos de entidades”
  • Informe se reconhece ou não o desconto

Pela central telefônica

  • Ligue para o número 135
  • Atendimento de segunda a sábado

O que acontece após a contestação?

Após a solicitação:

  1. A entidade responsável é notificada
  2. Deve apresentar comprovação da autorização
  3. Caso não consiga provar, o valor deve ser devolvido
  4. O pagamento ocorre diretamente ao beneficiário

O prazo para devolução é de até 30 dias após a confirmação da irregularidade.

Considerações finais

A Operação Sem Desconto revelou falhas graves no sistema de controle de descontos em benefícios previdenciários e acendeu um alerta sobre a necessidade de maior fiscalização.

Embora bilhões já tenham sido devolvidos, milhões de brasileiros ainda podem ter direito ao ressarcimento e precisam agir antes do prazo final.

A recomendação é clara: consulte seu extrato, verifique qualquer desconto e, se necessário, faça a contestação o quanto antes para garantir seu direito.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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