Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Ouro mantém patamar elevado em agosto de 2026 com juros dos EUA no radar

Ouro se aproxima de US$ 4.400 em agosto de 2026, apoiado por juros dos EUA, dólar e compras de bancos centrais.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa··9 min de leitura
Ouro

O ouro começou a semana próximo de US$ 4.400 por onça-troy, mantendo-se em um dos níveis mais altos de sua história. Nesta segunda-feira (17), o metal era negociado perto de US$ 4.394 a US$ 4.410 no mercado internacional, enquanto investidores acompanhavam principalmente as perspectivas para os juros dos Estados Unidos, o comportamento do dólar e as tensões geopolíticas.

O movimento chama atenção porque o ouro passou por uma forte correção ao longo do primeiro semestre, depois de ter superado US$ 5.500 por onça em janeiro. A recuperação observada em agosto mostra que o ativo continua encontrando demanda mesmo depois da queda.

Para o investidor brasileiro, há ainda outro componente importante: o câmbio. A valorização do ouro em dólares não se transforma automaticamente na mesma alta em reais, já que a cotação do dólar também interfere no resultado.

Leia mais:

Minha Casa, Minha Vida prevê imóvel 100% gratuito para famílias que cumprem regras

Por que o ouro está subindo em agosto?

Ouro
Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital

A recuperação do ouro está relacionada principalmente à mudança nas expectativas sobre a política monetária dos Estados Unidos.

Dados econômicos mais fracos reduziram a percepção de que o Federal Reserve, o banco central americano, precisaria continuar elevando os juros. Com isso, os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA perderam força, enquanto o dólar também recuou.

Essa combinação costuma favorecer o ouro.

Diferentemente de um título de renda fixa, o metal não paga juros. Quando os rendimentos oferecidos pelos títulos americanos sobem, o custo de oportunidade de manter ouro aumenta. Quando essa remuneração diminui, o ativo tende a ficar relativamente mais atrativo.

Segundo dados divulgados nesta segunda-feira, a probabilidade atribuída pelos mercados a uma alta dos juros americanos em setembro caiu de 55% na semana anterior para cerca de 31%.

Isso não significa, porém, que um corte de juros em setembro esteja garantido.

O Fed vai cortar os juros em setembro?

Ainda não.

O principal movimento observado em agosto foi a redução das apostas em uma nova alta dos juros americanos. A decisão do Federal Reserve dependerá dos indicadores econômicos divulgados até a reunião de setembro.

Inflação, mercado de trabalho, atividade econômica e condições financeiras estarão entre os principais fatores considerados pelos dirigentes do banco central.

Para o ouro, uma política monetária menos agressiva já pode ser positiva. O mercado não precisa necessariamente de um corte imediato para reprecificar o metal; uma mudança nas expectativas sobre os juros também pode provocar alterações significativas nos preços.

Tensões geopolíticas também sustentam a procura

Além dos juros, o cenário internacional continua influenciando o mercado de ouro.

As tensões envolvendo Estados Unidos e Irã, além dos riscos relacionados ao Estreito de Ormuz, mantêm elevado o grau de incerteza nos mercados. Em períodos de maior instabilidade, investidores costumam buscar ativos considerados defensivos.

O ouro é tradicionalmente utilizado como instrumento de diversificação e proteção patrimonial justamente por não depender diretamente do desempenho de uma empresa ou de um governo específico.

Isso não significa que o metal sempre suba durante crises.

Em momentos de estresse extremo, investidores também podem vender ouro para levantar dinheiro e cobrir perdas em outras posições. Foi um dos fatores que ajudaram a explicar a forte queda registrada pelo metal no primeiro semestre.

Bancos centrais continuam comprando ouro

A demanda das autoridades monetárias é outro fator que ajuda a sustentar os preços.

Dados do World Gold Council mostram que os bancos centrais continuam aumentando suas reservas de ouro. No primeiro trimestre de 2026, as compras oficiais chegaram a aproximadamente 243,7 toneladas.

A tendência ganhou força nos últimos anos, principalmente entre países que buscam diversificar suas reservas internacionais.

Uma pesquisa do World Gold Council divulgada em 2026 mostrou que 89% dos gestores de reservas consultados esperavam aumento das reservas globais de ouro nos 12 meses seguintes. Cerca de 45% também esperavam ampliar suas próprias posições.

Esse comportamento cria uma fonte estrutural de demanda que pode ajudar a limitar quedas mais acentuadas.

Quanto custa o ouro no Brasil?

O preço do ouro no Brasil depende de mais de um fator.

A referência internacional é normalmente apresentada em dólares por onça-troy. Para chegar a um valor em reais por grama, é necessário considerar também a cotação do dólar.

Além disso, o preço do ouro físico pode variar conforme a pureza do metal, custos de fabricação, margem do vendedor, liquidez e eventuais despesas relacionadas à negociação.

Por isso, uma cotação específica para o grama do ouro 24 quilates não deve ser tratada como preço único para todo o mercado brasileiro.

Para o investidor, o câmbio tem papel especialmente importante. Se o ouro subir em dólares e o real também se valorizar, parte desse ganho pode ser reduzida quando o resultado for convertido para a moeda brasileira.

Como investir em ouro pela B3?

O investidor brasileiro não precisa comprar barras físicas para ter exposição ao metal.

Uma das alternativas é utilizar ETFs, fundos negociados em bolsa que acompanham determinados índices ou ativos.

GOLD11

O GOLD11 é um ETF negociado na B3 que busca acompanhar a variação do LBMA Gold Price, referência internacional para o preço do ouro.

A estrutura permite exposição ao metal sem que o investidor precise comprar e armazenar barras por conta própria.

Ainda assim, o produto possui riscos e custos próprios, além da influência do câmbio.

Contratos futuros

Outra possibilidade são os contratos futuros de ouro negociados na B3.

O contrato GLD tem liquidação financeira e utiliza como referência o preço internacional do ouro. Como se trata de um derivativo, seu funcionamento é diferente de uma simples aplicação em ETF.

A possibilidade de alavancagem também aumenta o risco para investidores que não conhecem o funcionamento desse mercado.

Ouro físico

Também é possível adquirir ouro diretamente na forma de barras ou moedas.

Nesse caso, além da variação do preço, o investidor precisa considerar armazenamento, segurança, autenticidade, liquidez e diferença entre o preço de compra e o de venda.

Por isso, comprar ouro físico não é necessariamente a alternativa mais simples para quem deseja apenas diversificar uma carteira de investimentos.

Ouro é um investimento seguro?

O ouro pode funcionar como instrumento de diversificação, mas não é um ativo livre de risco.

O preço pode apresentar oscilações expressivas em períodos relativamente curtos. O próprio comportamento de 2026 mostra isso: o metal chegou a superar US$ 5.500 por onça no início do ano, posteriormente caiu abaixo de US$ 4.000 e voltou para perto de US$ 4.400 em agosto.

Além disso, o ouro não gera renda periódica.

Quem compra o metal depende da valorização futura para obter retorno, enquanto títulos de renda fixa podem pagar juros e ações podem distribuir dividendos.

Por isso, a participação do ouro em uma carteira deve considerar o objetivo do investidor, o prazo e a tolerância a oscilações.

O que pode acontecer com o ouro até o fim de 2026?

O comportamento da commodity continuará bastante dependente dos Estados Unidos.

Juros americanos

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Qualquer mudança nas expectativas para os juros do Federal Reserve pode provocar forte reação no ouro.

Se o mercado passar a esperar uma política monetária mais branda, o metal pode ganhar suporte. Caso os dados indiquem necessidade de juros elevados por mais tempo, a pressão pode voltar.

Dólar

O dólar também merece atenção.

Uma moeda americana mais fraca tende a favorecer o ouro cotado em dólares, enquanto uma valorização significativa do dólar pode exercer pressão sobre o metal.

Inflação

A inflação americana continuará sendo observada de perto.

Uma inflação persistente pode dificultar uma política monetária mais expansionista. Ao mesmo tempo, o ouro continua sendo procurado por investidores interessados em proteção contra perda de poder de compra.

Geopolítica

Novos conflitos ou agravamento das tensões internacionais podem aumentar a procura pelo metal.

Por outro lado, uma redução significativa das incertezas pode retirar parte do prêmio de risco incorporado aos preços.

Bancos centrais

A continuidade das compras oficiais também será fundamental.

Se as autoridades monetárias continuarem acumulando ouro em ritmo elevado, a demanda estrutural poderá ajudar a sustentar as cotações.

O ouro pode chegar a US$ 4.500?

O nível de US$ 4.500 está próximo da cotação atual e aparece entre as regiões acompanhadas pelos participantes do mercado.

Mas isso não significa que o preço esteja garantido nesse patamar.

Projeções para commodities estão sujeitas a mudanças rápidas. Uma alteração nas expectativas de juros, uma surpresa na inflação, uma mudança no câmbio ou um novo acontecimento geopolítico pode alterar significativamente as estimativas.

Por isso, projeções de bancos e casas de análise devem ser interpretadas como cenários, e não como promessa de retorno.

O que o investidor deve acompanhar agora?

Ouro
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

Para quem já possui ouro, os principais indicadores a observar são os juros americanos, os rendimentos dos Treasuries, o dólar, os dados de inflação e emprego dos Estados Unidos e as compras realizadas pelos bancos centrais.

Para quem ainda não investe no metal, a principal pergunta não deveria ser apenas se o ouro vai subir.

É necessário avaliar qual função o ativo terá dentro da carteira.

O ouro pode ser utilizado para diversificação e proteção, mas não substitui investimentos voltados à geração de renda ou ao crescimento de patrimônio.

O cenário de agosto mostra que a commodity continua apoiada por uma combinação relevante de fatores: menor expectativa de novas altas de juros nos Estados Unidos, dólar mais fraco, tensões geopolíticas e compras contínuas de bancos centrais.

Ao mesmo tempo, a forte correção registrada no primeiro semestre mostra que o metal continua sujeito a períodos de volatilidade.

Para o restante de 2026, a direção dos preços dependerá principalmente da combinação entre política monetária americana, inflação, mercado de trabalho, câmbio, geopolítica e demanda institucional.

Conclusão

O ouro segue em patamar elevado em agosto de 2026, apoiado pelas expectativas sobre os juros dos EUA, pelo cenário geopolítico e pelas compras de bancos centrais. Apesar do potencial de novas altas, o metal continua sujeito à volatilidade.

Para o investidor brasileiro, acompanhar o dólar e as decisões do Federal Reserve será fundamental para entender os próximos movimentos da commodity.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Compartilhar
Seu Crédito Digital

Descubra tudo que você tem direito

Benefícios, crédito e dinheiro esquecido: veja as ofertas e ferramentas que separamos para o seu perfil.