Pela primeira vez na história, o preço do ouro ultrapassou a marca de US$ 4.100 a onça (31,1 gramas), impulsionado por uma combinação de tensões comerciais entre Estados Unidos e China e expectativas de cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed).
📈 Ouro registra valor histórico: US$ 4.100 em meio a tensões entre EUA e China
Ouro bate US$ 4.100 a onça em meio a tensões comerciais EUA-China e expectativa de cortes de juros pelo Federal Reserve.
O metal precioso acumulou alta de 56% em 2025, refletindo incertezas globais e movimentos estratégicos de investidores e bancos centrais.
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Alta recorde no mercado de ouro

Nesta terça-feira, o ouro à vista registrava valorização de 2,4%, sendo negociado por US$ 4.127,90 a onça às 17h41. O recorde renovou a máxima histórica alcançada na semana passada, quando o preço ultrapassou os US$ 4.000.
O movimento não se restringe apenas ao ouro. A prata à vista também apresentou forte valorização, subindo 4,36%, para US$ 52,64, impulsionada pelos mesmos fatores que impactaram o ouro.
Tensões comerciais entre EUA e China
O aumento das tensões geopolíticas é um dos principais motores da valorização do ouro. Na semana passada, a China anunciou novas regras mais rígidas para exportação de terras raras, elementos minerais essenciais para a economia tecnológica moderna, utilizados em produtos que vão de baterias a inteligência artificial.
Em resposta, os Estados Unidos aplicaram tarifas de 100% sobre produtos chineses, intensificando a guerra comercial. Esse cenário cria instabilidade econômica e eleva a busca por ativos considerados seguros, como o ouro.
Expectativa de cortes de juros nos EUA
Além das tensões comerciais, o mercado acompanha atentamente as decisões do Fed. Investidores atribuem 97% e 100% de probabilidade de cortes de 0,25 ponto percentual nas próximas reuniões de outubro e dezembro, respectivamente.
Como o ouro não oferece rendimentos diretos, ele tende a se valorizar quando as taxas de juros caem, tornando-se uma alternativa atrativa para proteger o capital.
Bancos centrais reforçam compras de ouro

A demanda por ouro não está restrita ao setor privado. Bancos centrais em todo o mundo vêm aumentando suas compras, reformulando políticas de reserva e buscando diversificação para reduzir riscos associados a moedas e ativos tradicionais.
O economista Jorge Ferreira dos Santos Filho, da ESPM, explica:
“Os bancos centrais estão reformulando suas políticas de reserva, olhando para ativos diferentes, como o ouro.”
Essa estratégia global contribui para a pressão altista sobre o metal, consolidando sua posição como refúgio seguro em períodos de instabilidade.
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Previsões futuras e potencial de valorização
O ouro pode superar os US$ 5.000 a onça até o final de 2026, segundo analistas do Bank of America e do Société Générale. O Standard Chartered elevou sua previsão para US$ 4.488 no próximo ano, reforçando a expectativa de valorização contínua.
Phillip Streible, da Blue Line Futures, comentou à Reuters:
“O ouro pode facilmente continuar sua trajetória ascendente. Podemos ver preços acima de US$ 5.000 até o fim de 2026.”
Impactos para investidores e economia global
O movimento de alta histórica do ouro tem efeitos diretos no mercado financeiro e na economia global. Investidores que buscam proteção contra inflação e instabilidade cambial tendem a aumentar suas posições em ouro e prata.
Além disso, países exportadores de metais preciosos, incluindo o Brasil, podem se beneficiar da valorização, mas enfrentam pressões tributárias e comerciais, como a sobretaxa de 50% aplicada desde agosto em produtos brasileiros por conta da guerra comercial dos EUA.
A valorização do ouro também influencia o mercado de moedas e ações, estimulando a procura por ativos considerados refúgios seguros, enquanto a instabilidade geopolítica mantém os investidores em alerta.
O ouro atingiu um marco histórico de US$ 4.100 a onça, refletindo uma combinação de fatores: tensões comerciais entre EUA e China, expectativa de cortes de juros pelo Fed e maior demanda de bancos centrais. Com projeções de superar os US$ 5.000 até 2026, o metal precioso permanece como um dos ativos mais cobiçados para proteção de capital em tempos de incerteza global.

