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Pagamentos por biometria prometem eliminar etapas e superar o uso do Pix

Especialistas destacam que os pagamentos por biometria, integrados ao Open Finance, podem substituir o PIX nos próximos anos.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
pix

O PIX revolucionou os meios de pagamento no Brasil desde seu lançamento em 2020, se consolidando como o principal instrumento de transações instantâneas entre pessoas físicas e jurídicas. No entanto, segundo especialistas reunidos no Brazilian iGaming Summit, uma nova tecnologia já desponta no horizonte: o pagamento por biometria, que pode não apenas complementar, mas substituir o PIX como padrão nacional de transações nos próximos anos.

A integração dessa tecnologia com o Open Finance promete transformar a forma como os brasileiros pagam contas, fazem compras e movimentam recursos, criando um ambiente ainda mais seguro, rápido e fluido.

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Imagem: Freepik

A ascensão da biometria no setor financeiro

Pagamentos biométricos envolvem a autenticação de uma transação por meio de características únicas do corpo humano — como impressões digitais, reconhecimento facial ou leitura da íris — em vez de senhas, QR Codes ou aplicativos bancários.

Durante o evento, Cesar Garcia, CEO da OneKey Payments, afirmou que o uso de biometria pode ser a próxima grande revolução nos meios de pagamento, destacando que a tecnologia elimina a fricção na jornada de compra.

“Estamos apostando nisso como o próximo passo de desenvolvimento para mudar a maneira como o PIX é enxergado”, disse Garcia. “A biometria elimina a fricção no processo de pagamento e, com o tempo, acredito que será o meio mais utilizado no Brasil.”

Como a biometria pode superar o PIX

1. Eliminação de etapas manuais

Enquanto o PIX exige que o usuário abra o aplicativo bancário, autentique a operação, leia ou digite um código e confirme a transação, a biometria promete substituir todos esses passos por um único gesto: a autenticação física.

2. Integração com Open Finance

O Open Finance, modelo que permite o compartilhamento de dados entre instituições financeiras com o consentimento do cliente, é uma das bases que podem impulsionar o pagamento por biometria.

Com o acesso a dados bancários consolidados e análise de perfil em tempo real, os sistemas biométricos poderão:

  • Fazer verificação instantânea de saldo e limite;
  • Garantir transações autorizadas com um único toque ou olhar;
  • Proteger o usuário de fraudes e golpes, como os que ainda ocorrem em sistemas baseados em senhas ou links.

3. Velocidade e conveniência

A biometria elimina o uso de senhas e autenticações por SMS, reduzindo o tempo médio de transação. Isso beneficia principalmente comércios físicos, transporte público e ambientes de alto fluxo, onde segundos fazem a diferença.

PIX continua em evolução, mas enfrenta limitações

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Imagem: Freepik e Canva

Enquanto a biometria avança como tecnologia promissora, o PIX segue em desenvolvimento, com novas funcionalidades previstas pelo Banco Central, como:

  • PIX Automático (recorrente): ideal para o pagamento de contas como energia, água, aluguel e mensalidades;
  • PIX Garantido: para transações com agendamento e garantia de pagamento futuro, semelhante a boletos;
  • Aprimoramentos de segurança, como notificações em tempo real e bloqueios inteligentes.

No entanto, mesmo com esses avanços, especialistas alertam que o modelo ainda depende fortemente de infraestrutura bancária e estabilidade dos apps, o que não é sempre garantido, especialmente em horários de pico ou para usuários com conexão instável.

A experiência do usuário como diferencial decisivo

Bruno Gonçalves, Sales Manager da OktoBank, reforçou durante o evento que a biometria redefine a experiência do consumidor, ao tornar as transações mais simples, seguras e intuitivas:

“A eficiência e a agilidade do pagamento biométrico representam uma revolução. O consumidor não precisa mais acessar múltiplos aplicativos ou depender da disponibilidade do sistema bancário para concluir uma compra.”

A proposta da biometria é justamente reduzir o atrito que existe nos sistemas atuais. Isso tem se tornado cada vez mais importante em um mercado com consumidores exigentes e pouca paciência para lentidão ou falhas operacionais.

Desafios para adoção em massa da biometria

Apesar do potencial transformador, o pagamento por biometria ainda enfrenta obstáculos:

Infraestrutura tecnológica

  • Necessidade de dispositivos compatíveis com sensores biométricos, como câmeras com tecnologia de reconhecimento facial de alta precisão ou leitores de impressão digital confiáveis;
  • Atualização de terminais de pagamento em pontos de venda físicos para aceitar autenticações biométricas.

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Regulamentação e privacidade

  • É preciso garantir que os dados biométricos dos usuários sejam protegidos, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD);
  • Reguladores precisam definir padrões técnicos, auditorias e obrigações legais para evitar abusos e garantir a segurança das informações sensíveis.

Inclusão digital

  • Parte da população ainda não tem acesso a smartphones modernos, com capacidade para leitura biométrica;
  • Também há desafios com grupos que possuem dificuldades de leitura biométrica, como idosos e pessoas com deficiência.

Biometria no mundo: onde já funciona

Embora o Brasil esteja entre os países mais avançados no uso do PIX, a biometria já é realidade em diversos mercados internacionais.

Casos de sucesso:

  • China: bancos e carteiras digitais, como Alipay e WeChat Pay, já utilizam reconhecimento facial em lojas e quiosques para pagamentos sem contato.
  • Índia: com o programa Aadhaar, o governo unificou identificação e pagamento por biometria, facilitando a distribuição de benefícios sociais.
  • Europa: países como Reino Unido e Alemanha vêm testando soluções de biometria em transporte público e caixas eletrônicos.

No Brasil, iniciativas-piloto já ocorrem em aeroportos, redes de varejo e no setor de transporte, mas ainda de forma limitada.

O futuro do pagamento no Brasil: biometria como padrão?

Biometria
Imagem: PopTika / shutterstock.com

A tendência é que os pagamentos biométricos cresçam em paralelo ao PIX, mas, gradualmente, conquistem maior protagonismo no cenário nacional, especialmente à medida que:

  • A tecnologia se tornar mais acessível;
  • A infraestrutura de aceitação for ampliada;
  • A confiança do consumidor crescer, diante de uma experiência mais fluida e segura.

Enquanto o PIX consolida o presente, a biometria aponta para o futuro, onde transações instantâneas, seguras e invisíveis poderão ser a norma — tudo isso com um simples olhar, toque ou sorriso.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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