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Pague Menos amplia rentabilidade e atinge margem EBITDA histórica

Pague Menos registra receita de R$ 4,3 bilhões, maior margem EBITDA da história e reduz alavancagem após controle de custos.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
Pague Menos amplia rentabilidade e atinge margem EBITDA histórica

A Pague Menos encerrou o segundo trimestre com um desempenho marcado por dois movimentos diferentes: de um lado, o crescimento das vendas ficou abaixo das expectativas do mercado; de outro, a companhia conseguiu melhorar significativamente sua eficiência operacional, alcançar a maior margem EBITDA da história e reduzir o nível de endividamento.

A rede de farmácias com sede em Fortaleza registrou receita de R$ 4,3 bilhões no período, alta de 9,3% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. O crescimento das vendas em mesmas lojas (same-store sales ou SSS) foi de 8%.

Apesar do avanço, o resultado ficou abaixo das projeções de analistas, que esperavam crescimento mais próximo de 11,6% na receita e 8,3% no indicador de vendas em lojas existentes.

Segundo a administração da companhia, o desempenho deve ser analisado considerando uma base de comparação elevada, já que a Pague Menos vinha apresentando forte expansão nos períodos anteriores.

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Imagem: Joa Souza / Shutterstock.com

Receita cresce, mas vendas de medicamentos GLP-1 desaceleram

O presidente-executivo da Pague Menos, Jonas Marques, afirmou que a companhia também esperava um ritmo maior de crescimento das vendas, principalmente por causa da expectativa de aceleração dos medicamentos conhecidos como GLP-1.

Esses medicamentos, utilizados principalmente no tratamento de diabetes e também associados ao controle de peso, ganharam relevância no mercado farmacêutico brasileiro nos últimos anos e passaram a representar uma parcela importante do crescimento de algumas redes.

No trimestre, os produtos da categoria contribuíram com 3,2 pontos percentuais para o avanço das vendas da Pague Menos.

O impacto, porém, foi menor do que nos períodos anteriores. No primeiro trimestre do ano, essa categoria havia contribuído com 6,4 pontos percentuais para o crescimento, enquanto no quarto trimestre do ano anterior chegou a representar 7,6 pontos percentuais.

Além da desaceleração desse segmento, a empresa também informou que abriu menos lojas do que o inicialmente planejado, o que reduziu parte do ritmo de expansão física.

Mesmo assim, a companhia destacou que continua crescendo acima do mercado farmacêutico e ampliando sua participação em diferentes regiões do país.

Controle de despesas impulsiona resultado operacional

O principal destaque financeiro do trimestre foi a capacidade da Pague Menos de reduzir custos e melhorar sua eficiência.

As despesas operacionais passaram a representar 24,1% da receita bruta, contra 24,5% no trimestre anterior. A redução, mesmo aparentemente pequena, teve impacto relevante nos resultados devido ao tamanho da operação.

A estratégia envolveu principalmente uma revisão dos gastos não diretamente ligados às vendas, como contratos de tecnologia, limpeza, logística, equipamentos e materiais utilizados nas lojas.

Segundo a empresa, desde o início do ano foram realizadas dezenas de processos de concorrência para renegociação de contratos, permitindo reduzir custos nessas áreas.

A companhia também ampliou o controle centralizado das compras. No início de 2024, apenas cerca de 20% dessas aquisições passavam por uma área estruturada de procurement. Atualmente, esse percentual chegou a 85%, com expectativa de alcançar 95% até o fim do ano.

A medida busca aumentar o poder de negociação da rede e evitar gastos dispersos entre diferentes unidades.

Pague menos alcança maior margem EBITDA da história

O avanço no controle de despesas ajudou a Pague Menos a atingir uma margem EBITDA recorde de 6,5%.

O EBITDA, indicador utilizado para medir a geração operacional de caixa antes de juros, impostos, depreciação e amortização, chegou a R$ 282 milhões no trimestre.

O resultado superou a expectativa média do mercado, que projetava EBITDA de aproximadamente R$ 271 milhões.

Na comparação anual, a margem EBITDA aumentou 0,4 ponto percentual, aproximando a empresa de concorrentes de referência do setor farmacêutico brasileiro.

A melhora operacional é vista como um passo importante para fortalecer a posição financeira da companhia em um segmento marcado por forte concorrência e pressão sobre margens.

Geração de caixa melhora e reduz endividamento

Outro ponto positivo apresentado pela empresa foi a evolução da geração de caixa.

A Pague Menos registrou fluxo de caixa operacional de R$ 188 milhões no segundo trimestre, cerca de três vezes superior ao registrado no mesmo período do ano anterior.

Considerando os últimos 12 meses, a geração operacional de caixa alcançou R$ 573 milhões, com conversão de 57% do EBITDA em caixa.

Esse índice ficou acima da média estimada do setor, que gira em torno de 45%.

O fluxo de caixa livre também apresentou resultado positivo, próximo de R$ 70 milhões.

Segundo a companhia, a melhora ocorreu por uma combinação de fatores, incluindo menor utilização de parcelamentos para clientes, melhores condições negociadas com fornecedores e maior velocidade na recuperação de créditos fiscais.

A empresa também trabalhou na redução de estoques de produtos com menor giro, liberando recursos que estavam parados no capital de giro.

Alavancagem cai para menor nível em três anos

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A melhora operacional e financeira permitiu uma redução importante do endividamento.

A relação entre dívida líquida e EBITDA terminou o trimestre em 1,8 vez, ficando abaixo do nível de duas vezes pela primeira vez nos últimos três anos.

A redução da alavancagem representa um marco dentro da estratégia financeira da companhia e atende a uma das metas estabelecidas pela administração.

Esse foi o 12º trimestre consecutivo em que a Pague Menos conseguiu diminuir sua alavancagem.

O indicador é acompanhado de perto por investidores porque demonstra a capacidade da empresa de equilibrar crescimento, investimentos e pagamento de compromissos financeiros.

Expansão continuará em ritmo moderado

Apesar da melhora financeira, a Pague Menos não pretende acelerar a abertura de novas lojas neste momento.

A estratégia anunciada pela administração é manter um ritmo equilibrado, com aproximadamente 50 novas unidades por ano.

Segundo o CEO da companhia, as prioridades atuais envolvem melhorias em logística, gestão de pessoas e tecnologia.

A empresa também vem ampliando sua presença digital. O comércio eletrônico, que representava 21% das vendas no ano passado, passou a responder por 24% atualmente.

O avanço mostra a importância dos canais digitais no setor farmacêutico, especialmente pela mudança no comportamento dos consumidores, que passaram a utilizar aplicativos e plataformas online para compras recorrentes.

Desempenho das ações ainda preocupa investidores

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Mesmo com a melhora dos indicadores operacionais, as ações da Pague Menos tiveram desempenho inferior ao de concorrentes nos últimos meses.

No acumulado de 12 meses, os papéis da companhia registraram queda de 16%, enquanto outras empresas do setor apresentaram valorização no período.

A diferença de desempenho mostra que investidores ainda avaliam fatores como crescimento futuro, rentabilidade e capacidade de competir em um mercado dominado por grandes redes.

A empresa encerrou o período avaliada em aproximadamente R$ 2,35 bilhões na Bolsa de Valores.

Imagem: Reprodução

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

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Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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