A paralisação nacional dos bancários começou nesta quinta-feira, 20 de agosto, e pode reduzir ou interromper o atendimento presencial em agências de diferentes regiões do país durante 24 horas.
O movimento foi aprovado após a categoria rejeitar a proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos, a Fenaban, durante a campanha salarial de 2026. Entre as reivindicações estão aumento real dos salários, valorização da participação nos lucros, reajuste dos vales e melhores condições de trabalho.
Para o consumidor, o principal efeito deve ser sentido nos serviços que dependem de funcionários nas agências. Aplicativos, Pix, internet banking, cartões e caixas eletrônicos devem continuar funcionando, pois são operados por sistemas automatizados.
Isso não significa, porém, que contas com vencimento nesta quinta-feira possam ser deixadas para depois. A paralisação não adia automaticamente os prazos, e o consumidor deve procurar os canais digitais ou entrar em contato com o credor se não conseguir pagar.
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A paralisação faz parte da Campanha Nacional Unificada dos Bancários de 2026, processo no qual os representantes dos trabalhadores negociam salários, benefícios e condições de trabalho com a Fenaban.
Segundo os sindicatos, os bancos não apresentaram avanços considerados suficientes nos pontos econômicos e sociais discutidos nas rodadas de negociação.
Em São Paulo, Osasco e região, 97,66% dos participantes da assembleia rejeitaram a proposta patronal. A paralisação foi aprovada por 89,34% dos votantes, de acordo com o Sindicato dos Bancários de São Paulo. Sindicato dos Bancários de São Paulo
Também houve aprovação do movimento em estados como Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia. A adesão, entretanto, pode variar conforme a cidade, o banco e a unidade.
A paralisação não significa que todas as agências do Brasil estarão necessariamente fechadas. Algumas podem suspender completamente o atendimento, enquanto outras poderão funcionar com equipes reduzidas.
O que os trabalhadores reivindicam?
A pauta apresentada pela categoria inclui:
- reposição da inflação e aumento real dos salários;
- reajuste do piso salarial;
- valorização da participação nos lucros e resultados, a PLR;
- aumento dos valores de vale-refeição e vale-alimentação;
- manutenção dos empregos;
- combate ao fechamento de agências;
- redução de metas consideradas abusivas;
- melhores condições de saúde e trabalho;
- combate ao adoecimento dos funcionários;
- igualdade de oportunidades;
- proteção diante das mudanças tecnológicas no setor.
A categoria também cobra uma discussão sobre os efeitos da automação, da inteligência artificial e do fechamento de unidades físicas sobre os empregos bancários.
Segundo o Sindicato dos Bancários de São Paulo, a mobilização ganhou adesão ao longo desta quinta-feira, atingindo unidades de bancos públicos e privados. Sindicato dos Bancários de São Paulo
O que diz a Fenaban?
A Fenaban afirma que recebeu a pauta de reivindicações em junho e que as negociações seguem o cronograma estabelecido.
A entidade diz esperar um entendimento satisfatório para trabalhadores e bancos. As conversas deverão continuar depois da paralisação, com nova rodada prevista para segunda-feira, 24 de agosto.
Até que um acordo seja concluído, não é possível descartar novas mobilizações. No entanto, a paralisação anunciada para esta quinta tem duração prevista de 24 horas e não equivale, neste momento, a uma greve por tempo indeterminado.
Quais serviços bancários podem ser afetados?
O impacto principal deve ocorrer no atendimento presencial. Quanto maior a adesão dos trabalhadores em determinada agência, menor será a capacidade de atender o público.
Podem ser afetados:
- atendimento nos caixas internos;
- abertura ou encerramento de contas na agência;
- atualização cadastral presencial;
- entrega e retirada de cartões;
- renegociação realizada com gerente;
- contratação presencial de crédito;
- assinatura de documentos;
- atendimento empresarial;
- depósitos e saques feitos no caixa;
- liberação de operações que exigem análise manual;
- solução de problemas que dependam de funcionário.
Serviços previamente agendados também podem sofrer alteração. Quem tinha atendimento marcado deve consultar o banco antes de se deslocar.
Todas as agências estão fechadas?
Não necessariamente. A paralisação foi aprovada nacionalmente, mas a adesão é uma decisão dos trabalhadores de cada unidade.
Uma agência pode permanecer fechada, funcionar apenas parcialmente ou manter parte do atendimento. Por isso, o consumidor deve consultar os canais oficiais do banco antes de sair de casa.
Também é possível que uma unidade abra normalmente e outra agência do mesmo banco, localizada na mesma cidade, tenha o atendimento suspenso.
Pix, cartões e aplicativos continuam funcionando?
A tendência é que os principais serviços digitais continuem disponíveis. Essas operações dependem principalmente dos sistemas tecnológicos das instituições, e não da presença dos funcionários nas agências.
Devem funcionar normalmente:
- Pix;
- aplicativos bancários;
- internet banking;
- cartões de crédito e débito;
- pagamento por aproximação;
- transferências;
- consulta de saldo e extrato;
- pagamento de boletos;
- débito automático;
- saques em caixas eletrônicos;
- depósitos em terminais habilitados;
- compras pela internet;
- centrais telefônicas automatizadas.
O funcionamento está sujeito às condições técnicas de cada instituição. Uma eventual instabilidade do aplicativo, por exemplo, pode dificultar a operação, mas não significa necessariamente que o problema foi causado pela paralisação.
Caixas eletrônicos podem ficar sem dinheiro?
Os terminais devem permanecer disponíveis, mas pode haver dificuldades pontuais se uma máquina apresentar defeito, ficar sem cédulas ou exigir abastecimento.
A manutenção pode demorar mais quando depende de equipes afetadas pelo movimento. O risco tende a ser maior em locais com poucos terminais disponíveis.
Se precisar sacar, o consumidor também pode verificar redes compartilhadas de autoatendimento, correspondentes bancários e estabelecimentos que ofereçam saque, conforme as condições de sua conta.
Cartões podem ser recusados?
A paralisação, sozinha, não bloqueia cartões nem impede a autorização automática das compras.
Cartões de débito e crédito devem funcionar normalmente. Uma recusa pode ocorrer por motivos comuns, como falta de saldo, limite insuficiente, bloqueio de segurança ou instabilidade no sistema.
Em caso de problema, o cliente deve tentar o aplicativo, a central telefônica ou outro meio de pagamento.
Contas que vencem hoje podem ser pagas amanhã?
A paralisação não prorroga automaticamente o vencimento de contas, boletos, faturas e tributos.
Quem tem uma cobrança com vencimento nesta quinta-feira deve tentar efetuar o pagamento pelos canais disponíveis. Se deixar para o dia seguinte, poderá haver cobrança de multa e juros.
O Procon orienta consumidores a utilizarem alternativas como:
- aplicativo ou internet banking;
- caixa eletrônico;
- casa lotérica;
- correspondente bancário;
- supermercado que receba contas;
- aplicativo ou site da empresa credora;
- Pix, quando a cobrança oferecer essa opção.
O Procon Goiás ressalta que o consumidor deve buscar meios alternativos durante uma paralisação bancária e, quando isso não for possível, entrar em contato com a empresa responsável pela cobrança. Procon Goiás
O que fazer se não for possível pagar?
Se o aplicativo estiver fora do ar ou o banco não oferecer alternativa, o consumidor deve registrar a tentativa.
É recomendável:
- Fazer capturas de tela do erro, preservando data e horário.
- Entrar em contato com o banco pelo SAC.
- Anotar o número do protocolo.
- Procurar a empresa ou instituição que emitiu a cobrança.
- Pedir outro meio de pagamento ou uma nova via.
- Guardar mensagens, e-mails e comprovantes.
A empresa credora não deve deixar o consumidor sem uma opção viável para quitar a dívida. Ainda assim, é importante buscar a solução antes do vencimento, e não apenas depois que a multa for cobrada.
Caso o problema não seja resolvido, o cliente pode procurar o Procon ou registrar uma reclamação nos canais disponíveis.
Salários, aposentadorias e benefícios serão pagos?
Pagamentos programados para crédito em conta devem ser processados normalmente, pois a maior parte dessas operações é automatizada.
Isso inclui, em princípio:
- salários depositados por empresas;
- aposentadorias e pensões;
- benefícios sociais;
- transferências agendadas;
- créditos enviados por órgãos públicos;
- pagamentos realizados por débito automático.
O que pode ser afetado é o atendimento presencial necessário para resolver algum problema relacionado ao pagamento.
Uma pessoa que recebe aposentadoria em conta, por exemplo, poderá consultar o crédito no aplicativo ou realizar saque em caixa eletrônico. Se o cartão estiver bloqueado ou houver um problema cadastral, a solução presencial poderá demorar.
Pagamentos do INSS mudam de data?
A paralisação não altera automaticamente o calendário do INSS. As datas continuam sendo determinadas pelo número final do benefício.
O segurado deve consultar o extrato pelo Meu INSS e acompanhar a conta em que recebe o pagamento.
Se o crédito não aparecer na data correta, é recomendável confirmar primeiro o calendário. Depois, o beneficiário pode procurar os canais remotos do banco e do INSS.
Bolsa Família e outros programas serão afetados?
Os depósitos programados também devem seguir os calendários oficiais. Aplicativos e caixas eletrônicos permanecem como as principais alternativas para movimentar o dinheiro.
A dificuldade pode surgir para beneficiários que dependem exclusivamente do atendimento humano na agência, como quem perdeu o cartão, esqueceu a senha ou precisa atualizar algum dado bancário.
Nesses casos, o consumidor deve verificar se existem correspondentes, lotéricas ou outros pontos de atendimento autorizados.
É seguro usar os canais digitais durante a paralisação?
Sim, desde que o cliente utilize exclusivamente os canais oficiais.
Golpistas costumam aproveitar notícias de grande repercussão para criar uma falsa sensação de urgência. Durante a paralisação, podem circular mensagens afirmando que é necessário atualizar o aplicativo, desbloquear a conta ou cadastrar uma nova chave Pix.
Desconfie de contatos que:
- enviem links para suposta regularização da conta;
- peçam senha ou código de autenticação;
- solicitem instalação de aplicativo;
- orientem uma transferência para “conta segura”;
- cobrem taxa para liberar benefício ou salário;
- peçam foto do cartão;
- afirmem que a conta será bloqueada por causa da paralisação.
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Como reclamar se o banco não resolver o problema?
O primeiro contato deve ser feito com o próprio banco. Procure o SAC e guarde o protocolo.
Se não houver solução, a próxima etapa é procurar a ouvidoria da instituição. A ouvidoria deve analisar reclamações que não foram resolvidas pelos canais iniciais.
O consumidor também pode recorrer ao Procon de seu estado ou município.
O Banco Central recebe reclamações sobre instituições supervisionadas, mas não decide diretamente a disputa individual entre cliente e banco. As informações ajudam o órgão a fiscalizar o sistema, enquanto a resposta é fornecida pela própria instituição reclamada. Banco Central
A ordem prática é:
- Atendimento comum ou gerente.
- SAC do banco.
- Ouvidoria.
- Procon.
- Reclamação ao Banco Central.
- Consumidor.gov.br, quando a empresa participar da plataforma.
A paralisação pode continuar nos próximos dias?
A mobilização aprovada tem duração de 24 horas. Portanto, a expectativa é de retomada das atividades na sexta-feira, 21 de agosto.
Isso não impede que algumas agências enfrentem filas maiores após a reabertura. Atendimentos que deixaram de ser realizados nesta quinta podem se acumular no dia seguinte.
As negociações entre representantes dos trabalhadores e a Fenaban devem continuar. Uma nova rodada está prevista para segunda-feira, 24.
Se não houver acordo, a categoria poderá discutir novas manifestações. Qualquer paralisação adicional dependerá de convocação e aprovação nas instâncias sindicais.
Por enquanto, o consumidor deve considerar apenas o movimento anunciado para esta quinta e acompanhar as informações divulgadas pelo banco e pelas entidades representativas.
O que o cliente deve fazer hoje?
Quem não precisa de atendimento presencial deve priorizar os canais digitais. Antes de sair de casa, vale conferir se o serviço pode ser realizado pelo aplicativo, internet banking, caixa eletrônico ou telefone.
As principais recomendações são:
- pagar contas dentro do prazo;
- conferir se a agência está funcionando;
- evitar levar grandes quantias em dinheiro;
- guardar comprovantes das transações;
- registrar falhas nos canais digitais;
- não clicar em links enviados por desconhecidos;
- entrar em contato com o credor se não conseguir pagar;
- deixar operações presenciais não urgentes para outro dia.
A paralisação dos bancários pode limitar o atendimento em agências, mas não interrompe automaticamente todo o sistema financeiro. Pix, cartões, aplicativos e operações programadas devem continuar funcionando.
Perguntas frequentes

A paralisação dos bancários acontece em todo o Brasil?
O movimento foi convocado nacionalmente, mas a adesão varia conforme o banco, a cidade e a agência. Nem todas as unidades ficam necessariamente fechadas.
Quanto tempo vai durar a paralisação?
A mobilização foi aprovada por 24 horas nesta quinta-feira, 20 de agosto. Neste momento, não se trata de uma greve por prazo indeterminado.
O Pix funciona durante a paralisação?
Sim. O Pix deve funcionar normalmente porque sua operação é automatizada. Eventuais instabilidades técnicas podem ocorrer independentemente do movimento.
Posso usar cartão de crédito e débito?
Sim. Os cartões devem continuar funcionando, desde que não exista bloqueio, problema de limite, falta de saldo ou falha técnica.
Os caixas eletrônicos continuam disponíveis?
Sim. Os terminais devem funcionar, mas podem existir dificuldades pontuais se houver falta de dinheiro, defeito ou necessidade de manutenção.
Contas que vencem nesta quinta podem ser pagas depois?
O vencimento não é prorrogado automaticamente. O consumidor deve tentar pagar por aplicativos, caixas eletrônicos, lotéricas ou diretamente ao credor.
O pagamento do INSS será adiado?
Não há mudança automática no calendário do INSS. Os depósitos programados devem seguir as datas oficiais.
Todas as agências estarão fechadas?
Não. Algumas podem fechar, outras funcionar parcialmente e outras manter o atendimento, dependendo da adesão dos trabalhadores.
O que fazer se o aplicativo não funcionar?
Registre o erro, entre em contato com o banco, guarde o protocolo e peça ao credor outra forma de pagamento antes do vencimento.



