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Pastor afirma que empresário que fraudou o INSS pediu de volta BMW doada à igreja

Pastor afirma que empresário envolvido em fraudes no INSS pediu de volta BMW doada à igreja. Entenda o caso e os desdobramentos.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos5 min de leitura
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O INSS voltou ao centro das atenções após o envolvimento do empresário Felipe Macedo Gomes em um escândalo de descontos indevidos em aposentadorias, conhecido como Farra do INSS. O caso ganhou novos desdobramentos quando o pastor Cesar Belluci, líder da Sete Church, afirmou ter recebido doações pessoais do empresário — entre elas, um carro BMW e um relógio Rolex.

Segundo Belluci, os bens foram entregues como doação, mas o empresário teria pedido a devolução após se afastar da igreja. “Quando ele se desligou da congregação, solicitou o relógio e o carro de volta”, relatou o pastor.

Continue lendo para entender como a doação desses bens se conecta à investigação sobre fraudes milionárias no INSS.

Leia mais: INSS usa IA para fiscalizar fraudes em benefícios

O elo entre as doações e o escândalo da “Farra do INSS”

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

O nome de Felipe Macedo Gomes apareceu em destaque durante as investigações da Polícia Federal. Ele é apontado como presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB), uma das quatro associações suspeitas de realizar descontos indevidos de aposentadorias mediante pagamento de propina a servidores do INSS.

Essas entidades — Amar Brasil, Master Prev, ANDAPP e AASAP — teriam faturado juntas cerca de R$ 700 milhões com o esquema. O caso é considerado uma das maiores fraudes previdenciárias da história recente do Brasil.

Durante um culto em 2024, na Sete Church, Gomes chegou a celebrar o sucesso de seus negócios, atribuindo seus lucros à “Mão de Deus” e ao pagamento de dízimos à igreja. Na época, a Amar Brasil havia firmado acordo com o INSS para realizar os descontos em benefícios previdenciários — justamente o mecanismo que seria usado para as irregularidades.

Pastor nega envolvimento da Sete Church com lavagem de dinheiro

Diante das suspeitas, Cesar Belluci afirmou que a Sete Church não tem qualquer relação com lavagem de dinheiro. O religioso reforçou que as doações recebidas sempre foram de caráter pessoal e voluntário.

Belluci também negou ter devolvido as contribuições financeiras feitas à igreja. Segundo ele, Felipe Gomes nunca pediu de volta os dízimos que havia entregue.

A polêmica, contudo, ganhou força após a divulgação de vídeos em que o empresário aparece dentro da igreja comemorando ganhos atribuídos à fé e à contribuição religiosa. Membros da congregação passaram a questionar se os valores poderiam ter origem em recursos desviados do INSS.

Os bens envolvidos: uma BMW e um Rolex de luxo

De acordo com informações obtidas pela reportagem, a BMW X3, cor azul, ano 2013/2014, está registrada em nome de uma das empresas de Felipe Gomes. O veículo é avaliado em cerca de R$ 80 mil segundo a tabela Fipe. Já o Rolex, de modelo semelhante ao citado pelo pastor, é vendido em plataformas on-line por valores que variam entre R$ 30 mil e R$ 70 mil.

Belluci revelou que o relógio chegou a ser devolvido pelo empresário quando ele retornou à igreja em 2024. “Guardei [o relógio] e depois de um tempo acabei abençoando uma pessoa e dei a essa pessoa esse relógio”, disse o pastor. Ele acrescentou que chegou a tentar vender o item, mas desistiu antes da transação.

A origem dos bens e as motivações por trás das doações continuam sendo analisadas por investigadores que apuram as ligações entre o empresário e o esquema do INSS.

Quem é Felipe Macedo Gomes

Com 35 anos, Felipe Macedo Gomes construiu uma rede empresarial que se estende por setores diversos, incluindo fintechs, construtoras e comércio varejista. Além da atuação na Amar Brasil, ele é citado como sócio em outras três associações investigadas por fraudes contra aposentados.

A Polícia Federal aponta que essas entidades criaram um sistema de descontos automáticos nos benefícios previdenciários, sem autorização dos segurados, o que gerou prejuízos milionários a aposentados e pensionistas.

O empresário também é conhecido por suas ligações políticas: ele teria doado R$ 60 mil ao ex-ministro da Previdência, Onyx Lorenzoni (PP), em uma das campanhas eleitorais.

Mesmo com as investigações em andamento, Gomes mantém negócios ativos e continua sendo uma figura de influência em segmentos empresariais.

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A dimensão do escândalo do INSS

A chamada “Farra do INSS” é um dos casos mais complexos já enfrentados pela Polícia Federal e pela Previdência Social. As apurações indicam que associações fraudulentas usavam contratos com o INSS para aplicar descontos ilegais em milhares de benefícios.

Entre os mecanismos utilizados estavam:

  • Criação de clubes de benefícios falsos;
  • Cobranças indevidas via convênios com o INSS;
  • Propina paga a servidores públicos;
  • Uso de dados de aposentados sem consentimento.

A estimativa é que o prejuízo ultrapasse R$ 700 milhões, com impacto direto na renda de idosos e pensionistas de baixa renda. O caso também levantou discussões sobre a necessidade de auditorias mais rigorosas dentro do sistema do INSS.

Pastor reforça missão espiritual da igreja

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Apesar das polêmicas, o pastor Cesar Belluci tenta afastar a imagem negativa que recaiu sobre a Sete Church. Ele defende que o espaço religioso é voltado à reintegração espiritual e emocional de seus fiéis, independentemente de suas condições sociais ou passados controversos.

Ainda segundo o líder religioso, o episódio trouxe reflexões sobre transparência e responsabilidade na relação entre fé e finanças.

O caso envolvendo o INSS, o empresário Felipe Macedo Gomes e o pastor Cesar Belluci expôs o cruzamento entre fé, poder econômico e suspeitas de corrupção. Enquanto as investigações seguem, o episódio destaca a importância de transparência nas instituições religiosas e públicas, sobretudo em um país onde a fé e o sistema previdenciário frequentemente se cruzam na vida de milhões de brasileiros.

Com informações de: Metrópoles

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Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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