O programa Pé-de-Meia pode garantir até R$ 9,2 mil ao estudante que cursar e concluir todo o ensino médio público, cumprir a frequência exigida e participar do Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, no último ano.
Pé-de-Meia pode pagar até R$ 9,2 mil por estudante; veja quem tem direito e como receber
O Pé-de-Meia pode pagar até R$ 9,2 mil. Veja critérios, valores, frequência exigida, consulta e como receber pelo Caixa Tem.
O valor, porém, não é depositado de uma só vez. O benefício funciona como uma poupança educacional: parte do dinheiro pode ser movimentada durante o ano, enquanto os depósitos relacionados à conclusão de cada série ficam reservados até a formatura.
Criado para combater o abandono escolar, o programa atende estudantes de baixa renda matriculados no ensino médio público, incluindo alunos da Educação de Jovens e Adultos, a EJA.
A seleção é automática, sem formulário de inscrição, mas depende da regularidade do CPF, dos dados do Cadastro Único e das informações enviadas pela escola.
A seguir, entenda quem pode receber o Pé-de-Meia, quais são os valores, como funciona a frequência escolar e o que fazer quando uma parcela não aparece na conta.
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O que é o programa Pé-de-Meia?

O Pé-de-Meia é um incentivo financeiro-educacional criado pelo governo federal para ajudar estudantes de baixa renda a permanecerem no ensino médio público e concluírem essa etapa da educação básica.
O programa foi instituído pela Lei nº 14.818, de 16 de janeiro de 2024. A norma define o benefício como uma espécie de poupança destinada à permanência e à conclusão escolar de estudantes matriculados no ensino médio público.
Na prática, o estudante recebe diferentes tipos de incentivo conforme cumpre algumas etapas:
- realização da matrícula;
- frequência mínima nas aulas;
- aprovação ao final de cada série;
- participação nos dois dias do Enem no ano de conclusão.
A política é coordenada pelo Ministério da Educação, o MEC. As escolas e as redes públicas enviam as informações dos alunos, o governo verifica quem atende aos critérios e a Caixa Econômica Federal realiza os depósitos.
Por que o governo criou esse benefício?
Uma parcela dos jovens brasileiros deixa a escola antes de concluir o ensino médio por precisar trabalhar, cuidar de familiares ou ajudar nas despesas da casa.
O Pé-de-Meia busca reduzir esse problema oferecendo uma ajuda financeira vinculada à permanência nos estudos. A intenção é diminuir a pressão econômica que pode levar um estudante a abandonar a escola.
O benefício também tenta criar um incentivo de longo prazo. Os R$ 1.000 depositados por cada série concluída com aprovação só podem ser sacados depois que o aluno termina o ensino médio.
Esse modelo combina duas finalidades:
- oferecer recursos durante o período letivo;
- formar uma reserva financeira para o início da vida adulta.
O dinheiro acumulado depois da formatura pode ser usado, por exemplo, para custear transporte, materiais de estudo, cursos profissionalizantes ou outras despesas pessoais.
Quem tem direito ao Pé-de-Meia?
A concessão não depende apenas de estar matriculado em uma escola pública. O estudante precisa atender aos critérios do programa e estar incluído nas bases utilizadas pelo MEC.
De forma geral, os requisitos envolvem:
- matrícula no ensino médio de uma escola pública;
- idade dentro da faixa prevista para a modalidade cursada;
- inscrição da família no Cadastro Único;
- renda familiar por pessoa dentro do limite estabelecido;
- CPF regular;
- frequência mínima de 80% das horas letivas;
- aprovação para receber o incentivo referente à conclusão da série.
O serviço oficial do governo informa que o programa considera famílias inscritas no CadÚnico com renda de até meio salário mínimo por pessoa. As datas de referência do cadastro e da matrícula são definidas pelo MEC para cada ano letivo.
Estudantes do ensino médio regular
No ensino médio regular, o programa é destinado aos estudantes de baixa renda que tenham, em regra, entre 14 e 24 anos.
O aluno também precisa estar matriculado dentro do período considerado pelo MEC e possuir CPF em situação regular.
Estudantes da EJA
Os estudantes da Educação de Jovens e Adultos também podem receber o Pé-de-Meia.
Para a EJA, a faixa etária utilizada pelo programa é de 19 a 24 anos. Os alunos precisam cumprir os demais requisitos, como inscrição no CadÚnico, CPF regular e frequência mínima.
A principal diferença está no formato do Incentivo-Frequência. Enquanto o ensino médio regular recebe parcelas de R$ 200, os alunos da EJA podem receber parcelas de R$ 225, conforme o calendário específico da modalidade.
Quem recebe Bolsa Família pode receber o Pé-de-Meia?
Sim. O recebimento do Bolsa Família não impede o pagamento do Pé-de-Meia.
Os programas têm objetivos diferentes. O Bolsa Família é um benefício de transferência de renda para o núcleo familiar. Já o Pé-de-Meia é um incentivo educacional depositado em nome do estudante.
Desde que os critérios de ambos sejam cumpridos, os dois benefícios podem ser recebidos pela mesma família.
É necessário fazer inscrição no Pé-de-Meia?
Não existe uma inscrição individual no programa.
O MEC identifica automaticamente os estudantes potencialmente elegíveis por meio do cruzamento de informações:
- matrícula enviada pela rede pública de ensino;
- CPF do aluno;
- dados da família no Cadastro Único;
- idade;
- registros de frequência e aprovação.
Por isso, não é necessário preencher um formulário ou entregar um pedido diretamente à CAIXA.
Apesar da seleção automática, o estudante e sua família precisam verificar se os dados estão corretos. Um CPF irregular, um CadÚnico desatualizado ou uma informação escolar enviada incorretamente pode impedir a inclusão ou atrasar uma parcela.
Quanto o Pé-de-Meia paga?
O programa possui quatro tipos principais de incentivo. Somados durante os três anos do ensino médio regular, os valores podem chegar a R$ 9,2 mil.
Incentivo-Matrícula
O Incentivo-Matrícula é pago uma vez por ano depois que a matrícula é confirmada.
O valor é de:
R$ 200 por ano letivo.
Esse dinheiro pode ser movimentado depois de depositado na conta do estudante.
Ao longo dos três anos do ensino médio, o total relacionado à matrícula pode chegar a R$ 600.
Incentivo-Frequência
O Incentivo-Frequência depende da presença do estudante nas aulas.
No ensino médio regular, são pagas até nove parcelas de R$ 200 por ano, totalizando:
Até R$ 1.800 por ano.
Para os estudantes da EJA, o benefício pode ser dividido em até oito parcelas de R$ 225, sendo até quatro por semestre. O total também pode chegar a:
Até R$ 1.800 por ano.
O calendário oficial de 2026 mantém valores e cronogramas diferentes para o ensino regular e para a EJA.
Incentivo-Conclusão
O Incentivo-Conclusão corresponde a:
R$ 1.000 por série concluída com aprovação.
O estudante pode acumular até R$ 3.000 ao concluir os três anos do ensino médio.
Esse valor fica reservado na poupança e só pode ser sacado depois da conclusão do ensino médio.
Portanto, o aluno consegue visualizar o depósito, mas não pode movimentá-lo livremente enquanto ainda não tiver terminado essa etapa escolar.
Incentivo-Enem
O Incentivo-Enem é um bônus de:
R$ 200.
Ele é pago ao estudante que estiver concluindo o ensino médio e participar dos dois dias de aplicação do Enem.
Não basta realizar a inscrição. É necessário comparecer às duas etapas do exame para cumprir a condição prevista pelo programa.
Como o valor pode chegar a R$ 9,2 mil?
No ensino médio regular, a soma máxima considera os três anos de estudo:
- R$ 600 de Incentivo-Matrícula;
- R$ 5.400 de Incentivo-Frequência;
- R$ 3.000 de Incentivo-Conclusão;
- R$ 200 de Incentivo-Enem.
O total chega a:
R$ 9.200.
Esse é o valor máximo possível. Para recebê-lo integralmente, o estudante precisa cumprir todas as condições durante os três anos.
Caso perca alguma parcela de frequência, seja reprovado em uma série ou não compareça aos dois dias do Enem, o valor final será menor.
Como funciona a frequência mínima de 80%?
A frequência é uma das principais condições do Pé-de-Meia.
Para receber as parcelas mensais, o estudante deve alcançar pelo menos 80% de presença nas horas letivas consideradas no período de apuração.
Não se trata apenas de frequentar 80% dos dias. O cálculo considera as horas de aula registradas pela escola.
Por exemplo, imagine um estudante com 100 horas letivas contabilizadas em determinado período. Para cumprir a regra, ele precisa ter presença registrada em pelo menos 80 horas.
O MEC informa que o incentivo mensal de frequência só é depositado quando o aluno atinge o percentual mínimo exigido.
O que acontece quando a frequência fica abaixo de 80%?
Quando o estudante não alcança a frequência mínima no período analisado, a parcela pode ser bloqueada.
Antes de concluir que o pagamento foi perdido definitivamente, é importante verificar se a escola já atualizou os registros. Dependendo do calendário de envio e processamento das informações, uma correção pode aparecer apenas em uma rodada posterior.
O aluno deve procurar a secretaria escolar quando identificar:
- faltas lançadas incorretamente;
- presença não contabilizada;
- transferência de escola ainda não atualizada;
- atestado ou justificativa não registrada;
- divergência na carga horária.
A escola não realiza o pagamento, mas é responsável por transmitir ao sistema educacional as informações que serão utilizadas pelo MEC.
Atestado médico garante o pagamento?
O atestado médico deve ser entregue à escola dentro dos procedimentos e prazos adotados pela rede de ensino.
No entanto, o documento não deve ser interpretado como garantia automática de pagamento. A forma de registro e tratamento da ausência segue as regras escolares e os dados enviados pela instituição ao MEC.
Por isso, o estudante deve confirmar com a secretaria se o documento foi recebido e como a ocorrência será registrada no controle de frequência.
Como saber se o estudante foi aprovado no programa?
A consulta pode ser feita na plataforma Consulta Pé-de-Meia, mantida pelo Ministério da Educação.
O acesso é realizado com a conta Gov.br do estudante. Uma conta de nível Bronze já pode ser utilizada para entrar no serviço.
Na consulta, o aluno pode verificar:
- se está incluído no programa;
- sua situação de elegibilidade;
- dados de matrícula;
- registros utilizados na análise;
- parcelas aprovadas ou rejeitadas;
- possíveis pendências.
O aplicativo Jornada do Estudante também reúne informações educacionais e dados relacionados ao Pé-de-Meia.
Como o pagamento é recebido?
Depois que o estudante é considerado elegível, a CAIXA abre automaticamente uma conta digital em seu nome.
Portanto, quem não é cliente do banco não precisa abrir manualmente outra conta apenas para receber o Pé-de-Meia.
Os depósitos são feitos na conta vinculada ao programa e podem ser movimentados pelo aplicativo Caixa Tem. O MEC confirmou, em julho de 2026, que a abertura ocorre automaticamente, sem necessidade de solicitação do estudante.
Pelo Caixa Tem, é possível realizar operações como:
- consultar saldo;
- verificar o extrato;
- fazer Pix;
- pagar contas;
- usar cartão de débito virtual;
- movimentar os valores liberados.
As informações sobre pagamentos também podem ser consultadas no aplicativo Benefícios Sociais CAIXA.
Menor de idade pode movimentar o dinheiro sozinho?
A conta é aberta em nome do estudante, inclusive quando ele é menor de idade.
Entretanto, a movimentação por menores pode depender da autorização do responsável legal.
A autorização pode ser realizada pelos procedimentos disponibilizados pela CAIXA. Quando houver dificuldade no aplicativo ou na comprovação da responsabilidade legal, pode ser necessário procurar uma agência com os documentos pessoais.
O responsável deve ter cuidado para acessar apenas os canais oficiais. A CAIXA não pede senha completa, código de acesso ou transferência de dinheiro para liberar o benefício.
O que fazer quando o pagamento não aparece?
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A ausência de uma parcela não significa necessariamente que o estudante foi excluído definitivamente.
O primeiro passo é identificar qual informação gerou o bloqueio.
Verifique a Consulta Pé-de-Meia
A plataforma do MEC pode mostrar se a parcela foi aprovada, rejeitada ou se ainda está em processamento.
Quando houver uma pendência, o sistema pode indicar se ela está relacionada à matrícula, frequência, CPF ou outro requisito.
Confirme os dados com a escola
Se o problema envolver presença, matrícula, aprovação ou transferência, o estudante deve procurar a secretaria da escola.
É importante pedir a conferência de dados como:
- nome completo;
- CPF;
- data de nascimento;
- turma e série;
- situação da matrícula;
- frequência registrada.
Consulte o Cadastro Único
Quando a dúvida estiver relacionada ao CadÚnico, a família pode verificar a situação do cadastro pelo aplicativo oficial ou procurar o Centro de Referência de Assistência Social, o CRAS.
O cadastro deve ser atualizado sempre que houver mudança relevante de endereço, renda ou composição familiar. Mesmo sem alterações, o governo exige atualização periódica.
Regularize o CPF
O CPF precisa estar regular para que o estudante seja identificado corretamente.
Divergências no nome, na data de nascimento ou na situação cadastral podem impedir o cruzamento dos dados.
Verifique o Caixa Tem
Quando a parcela consta como aprovada pelo MEC, mas não aparece para movimentação, o estudante deve conferir o Caixa Tem e os canais de atendimento da CAIXA.
É importante separar as responsabilidades:
- matrícula, frequência e elegibilidade são assuntos do MEC e da rede de ensino;
- conta, saldo e movimentação são assuntos da CAIXA.
O estudante pode sacar todo o dinheiro?
Não imediatamente.
Os incentivos de matrícula e frequência podem ser movimentados depois que entram na conta. O bônus do Enem também fica disponível conforme as regras do pagamento.
Já o Incentivo-Conclusão, de R$ 1.000 por série aprovada, fica reservado até o estudante concluir o ensino médio.
Assim, uma pessoa que terminou o primeiro ano pode ter R$ 1.000 registrado em sua poupança, mas ainda não poderá sacar esse valor. A liberação ocorre depois da formatura.
Reprovação faz o estudante perder o Pé-de-Meia?
A reprovação interfere diretamente no Incentivo-Conclusão.
Como o pagamento de R$ 1.000 depende da conclusão da série com aprovação, o aluno reprovado não recebe esse incentivo referente ao ano não concluído.
Isso não significa necessariamente uma exclusão permanente do programa. A continuidade dependerá da matrícula, da idade, da situação no CadÚnico e das demais regras aplicáveis no ano seguinte.
O estudante também precisa observar que apenas estar matriculado não garante todas as parcelas. Cada incentivo possui suas próprias condições.
Cuidados para não cair em golpes
Como envolve depósitos e acesso ao Caixa Tem, o Pé-de-Meia também pode ser usado como tema por criminosos.
Desconfie de mensagens que prometam:
- inscrição paga no programa;
- liberação imediata de parcela bloqueada;
- antecipação do Incentivo-Conclusão;
- pagamento mediante taxa;
- consulta por link enviado em redes sociais;
- atualização cadastral mediante envio de senha.
Não existe taxa de inscrição, taxa de desbloqueio ou pagamento antecipado para receber o benefício.
As consultas devem ser feitas pelos canais oficiais do MEC, Gov.br e CAIXA.
O que o estudante deve fazer agora?
Quem deseja receber e continuar no Pé-de-Meia deve acompanhar quatro pontos: cadastro, matrícula, frequência e conta bancária.
Na prática, as principais recomendações são:
- manter o CPF regular;
- conferir os dados do CadÚnico;
- acompanhar a frequência;
- verificar se a escola registrou corretamente a matrícula;
- consultar periodicamente a plataforma Pé-de-Meia;
- manter o Caixa Tem atualizado;
- participar dos dois dias do Enem no ano de conclusão.
O benefício não depende de uma inscrição manual, mas exige atenção às informações utilizadas pelo governo. Um dado incorreto pode atrasar o pagamento, mesmo quando o estudante cumpre os requisitos.
Perguntas frequentes sobre o Pé-de-Meia

Qual é o valor máximo do Pé-de-Meia?
O estudante do ensino médio regular pode receber até R$ 9.200 ao longo dos três anos, desde que cumpra todas as regras de matrícula, frequência, aprovação e participação no Enem.
É preciso fazer inscrição no Pé-de-Meia?
Não. A seleção é automática, a partir das informações da matrícula, do CPF e do Cadastro Único.
Quem recebe Bolsa Família pode receber o Pé-de-Meia?
Sim. Os dois programas podem ser acumulados quando a família e o estudante atendem aos critérios de cada benefício.
Como consultar se fui aprovado no Pé-de-Meia?
A situação pode ser consultada na plataforma Consulta Pé-de-Meia, com a conta Gov.br do estudante. Também é possível acompanhar informações educacionais pelo Jornada do Estudante.
Preciso abrir uma conta no Caixa Tem?
Não. A conta destinada ao benefício é aberta automaticamente pela CAIXA para o estudante elegível. Depois, o aplicativo Caixa Tem é utilizado para acessar e movimentar os valores liberados.
Quando os R$ 1.000 podem ser sacados?
O Incentivo-Conclusão de R$ 1.000 por série fica reservado e só pode ser sacado depois da conclusão do ensino médio.
Quem está na EJA recebe o mesmo valor?
O Incentivo-Matrícula e o valor total anual de frequência são equivalentes, mas o formato muda. Na EJA, o Incentivo-Frequência pode ser pago em parcelas de R$ 225, enquanto no ensino médio regular as parcelas são de R$ 200.
O que fazer quando uma parcela não caiu?
O estudante deve consultar a situação no sistema do MEC. Se o problema estiver relacionado à matrícula ou frequência, deve procurar a escola. Quando a parcela estiver aprovada, mas não aparecer na conta, deve verificar o Caixa Tem ou procurar a CAIXA.
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