A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado iniciou, nesta quarta-feira (8), a discussão sobre uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que pode mudar de forma significativa a rotina dos trabalhadores brasileiros. O texto propõe o fim da escala de trabalho 6×1 — modelo em que o profissional trabalha seis dias consecutivos e descansa apenas um — e a redução da jornada máxima de 44 para 36 horas semanais, distribuídas em cinco dias de trabalho e dois de descanso remunerado.
A medida, relatada pelo senador Rogério Carvalho (PT-SE), surge como resposta a uma mobilização popular que reuniu mais de 1,5 milhão de assinaturas em apoio à proposta. A Câmara dos Deputados também analisa um projeto semelhante, ainda em ritmo mais lento.
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O que propõe a PEC?

De acordo com o texto apresentado, o objetivo principal é reduzir gradualmente a carga horária semanal, sem cortes salariais. O plano prevê uma transição progressiva:
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- 1º ano após a promulgação: jornada máxima reduzida para 40 horas semanais;
- Anos seguintes: redução de uma hora por ano;
- Meta final: 36 horas semanais, com dois dias de descanso remunerado.
A proposta também reforça o direito ao equilíbrio entre vida pessoal e profissional, ampliando o período de descanso e buscando combater problemas relacionados ao estresse e ao esgotamento físico.
Setores mais afetados pela mudança
A escala 6×1 é predominante em setores que exigem funcionamento contínuo, como:
- Comércio varejista e supermercados
- Restaurantes e bares
- Hospitais e clínicas
- Transporte público e logística
- Serviços gerais e manutenção
Nessas áreas, empregadores argumentam que a redução da carga horária pode aumentar os custos operacionais e demandar contratações adicionais para cobrir a nova escala, o que exigirá planejamento e ajustes significativos.
O apoio à proposta e as justificativas sociais
Entidades civis e movimentos trabalhistas, como o Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), vêm pressionando o Congresso desde 2024 pela mudança. Em nota, o grupo classificou a escala 6×1 como “abusiva”, argumentando que ela prejudica o convívio familiar, compromete a saúde mental e reduz a produtividade dos trabalhadores.
Resistências e preocupações econômicas
Apesar da mobilização popular, o texto enfrenta resistências dentro do Congresso Nacional. Parlamentares de diferentes partidos têm alertado para os riscos econômicos da proposta.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que a discussão “precisa considerar todos os lados” e que “a pressão nas redes sociais não pode suplantar a análise técnica e o impacto financeiro para os empregadores”.
Histórico de tentativas anteriores
O debate sobre a redução da jornada de trabalho não é novo no Brasil.
- 2009: Uma PEC que propunha 40 horas semanais foi aprovada em comissão especial, mas acabou arquivada em 2023 sem votação no plenário.
- 2019: Outra PEC, com meta de redução para 36 horas e período de transição de dez anos, foi rejeitada pela CCJ, sob alegação de inviabilidade econômica.
Impactos esperados nas relações de trabalho
Caso aprovada, a nova jornada de 36 horas semanais pode gerar mudanças estruturais na forma como empresas organizam seus turnos e contratos. Entre os impactos mais relevantes estão:
- Reorganização da escala de trabalho para cumprir dois dias de descanso;
- Aumento da demanda por novos funcionários em setores de operação contínua;
- Necessidade de ajustes nos contratos coletivos e convenções sindicais;
- Maior fiscalização trabalhista para garantir cumprimento das novas regras.
Além disso, a medida deve impulsionar discussões sobre produtividade e automação, já que muitas empresas precisarão compensar a redução da carga horária com melhorias de eficiência.
Papel estratégico da contabilidade e do RH
O avanço da PEC destaca o papel estratégico dos profissionais de contabilidade e recursos humanos. Eles serão fundamentais na adaptação das empresas às novas normas, orientando sobre:
- Impactos na folha de pagamento;
- Reajustes salariais e benefícios;
- Cálculo de horas extras e compensações;
- Planejamento de escalas conforme a nova legislação.
Escritórios contábeis e consultorias de RH terão papel central no planejamento financeiro e jurídico, ajudando empregadores a evitar autuações e litígios trabalhistas durante a transição.
Possíveis efeitos sociais e econômicos

Especialistas avaliam que a mudança pode ter impactos positivos e negativos, dependendo da capacidade de adaptação dos setores.
Efeitos positivos:
- Melhoria da saúde física e mental dos trabalhadores;
- Aumento da satisfação e engajamento profissional;
- Estímulo à geração de empregos, pela necessidade de novas contratações;
- Reforço do consumo interno, com mais tempo livre para lazer e família.
Efeitos negativos:
- Risco de aumento nos custos trabalhistas;
- Redução de margens de lucro em pequenas empresas;
- Desafios de reorganização operacional em setores essenciais.
FAQ – Perguntas frequentes
1. O que é a escala 6×1?
É o regime de trabalho em que o empregado cumpre seis dias consecutivos de jornada e tem apenas um dia de descanso na semana.
2. O que a PEC propõe?
A proposta extingue a escala 6×1 e reduz gradualmente a jornada semanal de 44 para 36 horas, com dois dias de descanso remunerado.
3. A redução de jornada implica redução salarial?
Não. O texto garante preservação dos salários durante a transição.
4. Quando a nova regra começa a valer?
Se aprovada, a jornada será reduzida para 40 horas no primeiro ano após a promulgação, diminuindo uma hora por ano até chegar a 36 horas.
Considerações finais
O debate sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada para 36 horas semanais representa mais do que uma mudança na legislação trabalhista. Ele reflete uma transformação na forma como o trabalho é visto no século XXI, priorizando saúde, bem-estar e sustentabilidade humana.
O desafio do Congresso será equilibrar direitos dos trabalhadores e viabilidade econômica das empresas, garantindo que a transição seja gradual, justa e eficiente.


