A nova pesquisa Nexus/BTG Pactual sobre a corrida presidencial de 2026 mostra Lula (PT) na liderança do primeiro turno, com vantagem sobre Flávio Bolsonaro (PL), enquanto o principal destaque do levantamento é o crescimento de Augusto Cury (Avante), que chegou a dois dígitos em um dos cenários testados.
Divulgada em 31 de agosto, a pesquisa ouviu 2.005 eleitores entre os dias 28 e 30 de agosto. No cenário estimulado sem Pablo Marçal, Lula aparece com 39%, Flávio com 33% e Cury com 11%. No confronto direto de segundo turno entre Lula e Flávio, porém, a diferença é de apenas um ponto: 46% a 45%, dentro da margem de erro.
O levantamento também mostra uma mudança significativa entre os candidatos que tentam ocupar espaço fora da polarização entre PT e PL. Cury, que tinha apenas 2% na rodada anterior citada pelo instituto, alcançou 11% nesta edição, passando a ocupar a terceira colocação.
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O que mostra a nova pesquisa para presidente em 2026

A pesquisa Nexus/BTG testou diferentes configurações da disputa presidencial. Há uma sondagem espontânea, na qual os entrevistados não recebem uma lista de nomes, e dois cenários estimulados, com os candidatos apresentados.
No levantamento espontâneo, Lula aparece com 37%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 30%. Augusto Cury tem 8%, seguido por Renan Santos e Ronaldo Caiado, com 2% cada. Romeu Zema aparece com 1%.
O resultado muda quando os nomes dos candidatos são apresentados ao eleitor.
Cenário estimulado sem Pablo Marçal
- Lula (PT): 39%
- Flávio Bolsonaro (PL): 33%
- Augusto Cury (Avante): 11%
- Ronaldo Caiado (PSD): 5%
- Renan Santos (Missão): 3%
- Romeu Zema (Novo): 1%
- Samara Martins (UP): 1%
- Nenhum, branco ou nulo: 3%
- Não sabe ou não respondeu: 3%
Os demais nomes testados não pontuaram.
A vantagem de Lula sobre Flávio é de seis pontos percentuais. Como a margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos, os números indicam liderança do presidente nesse cenário, mas não permitem concluir que exista uma vantagem consolidada desse tamanho na intenção de voto real.
Cenário com Pablo Marçal
Quando Pablo Marçal (PRTB) é incluído na lista, os dois principais candidatos recuam:
- Lula: 37%
- Flávio Bolsonaro: 31%
- Augusto Cury: 11%
- Ronaldo Caiado: 6%
- Pablo Marçal: 3%
- Renan Santos: 3%
- Romeu Zema: 2%
- Samara Martins: 1%
- Wilton Grassi: 1%
- Nenhum, branco ou nulo: 3%
- Não sabe ou não respondeu: 2%
Nesse cenário, Lula mantém seis pontos de vantagem sobre Flávio Bolsonaro.
Augusto Cury é o principal destaque da pesquisa
A maior mudança em relação ao levantamento anterior está no desempenho de Augusto Cury.
O escritor e psiquiatra passou de um patamar de poucos pontos percentuais para 11% no principal cenário estimulado, tornando-se o primeiro candidato alternativo aos dois polos principais a alcançar dois dígitos nessa pesquisa.
O crescimento não aparece apenas na Nexus/BTG. A Reuters informou que Cury também avançou em levantamento da AtlasIntel, embora em proporção diferente, o que indica que sua candidatura começou a ganhar maior visibilidade em diferentes pesquisas.
Ainda assim, é cedo para interpretar o resultado como uma consolidação definitiva. Pesquisas eleitorais representam um retrato do momento em que as entrevistas são realizadas, e oscilações podem ocorrer à medida que candidatos ampliam exposição, apresentam propostas e passam a ser mais conhecidos pelo eleitorado.
O que aconteceu com Lula e Flávio Bolsonaro
Apesar de permanecer na primeira posição, Lula apresentou recuo em relação à rodada anterior da Nexus/BTG.
No cenário estimulado sem Marçal, o presidente passou de 41% para 39%. Flávio Bolsonaro, por sua vez, caiu de 37% para 33%. A diferença entre os dois, portanto, aumentou de quatro para seis pontos percentuais porque o recuo do candidato do PL foi maior.
Na pesquisa espontânea, porém, a diferença é ainda menor: 37% para Lula contra 30% para Flávio.
Esse tipo de levantamento é particularmente relevante para avaliar o grau de lembrança dos nomes pelos eleitores, já que não oferece uma relação de candidatos como estímulo.
Como está o segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro
O cenário de segundo turno apresenta uma disputa muito mais apertada.
Na simulação entre Lula e Flávio Bolsonaro:
- Lula: 46%
- Flávio Bolsonaro: 45%
- Nenhum, branco ou nulo: 8%
- Não sabe ou não respondeu: 1%
A diferença é de apenas um ponto percentual, inferior à margem de erro de dois pontos. Por isso, o resultado é classificado como empate técnico.
A pesquisa também testou Lula contra outros três nomes.
Lula x Ronaldo Caiado
- Lula: 45%
- Ronaldo Caiado: 44%
- Nenhum, branco ou nulo: 10%
- Não sabe ou não respondeu: 1%
Também há empate técnico nesse confronto.
Lula x Romeu Zema
- Lula: 46%
- Romeu Zema: 41%
- Nenhum, branco ou nulo: 12%
- Não sabe ou não respondeu: 1%
Nesse caso, Lula aparece cinco pontos à frente.
Lula x Renan Santos
- Lula: 47%
- Renan Santos: 38%
- Nenhum, branco ou nulo: 14%
- Não sabe ou não respondeu: 1%
A maior vantagem de Lula entre os cenários de segundo turno testados ocorre contra Renan Santos.
Rejeição também mostra uma disputa bastante polarizada
A pesquisa perguntou aos entrevistados em qual candidato eles não votariam de jeito nenhum.
Flávio Bolsonaro registrou 50% de rejeição, enquanto Lula apareceu com 49%.
Os números ajudam a explicar por que uma eventual disputa entre os dois pode permanecer equilibrada no segundo turno. Embora ambos tenham eleitorados expressivos, também enfrentam resistência elevada de uma parcela significativa do eleitorado.
O que a pesquisa significa para a eleição de 2026?
O levantamento aponta três movimentos principais.
O primeiro é a liderança de Lula no primeiro turno. O presidente aparece à frente nos cenários testados, embora sua vantagem varie conforme os nomes apresentados.
O segundo é a proximidade entre Lula e Flávio em um eventual segundo turno. A diferença de um ponto percentual está dentro da margem de erro, o que caracteriza um cenário de equilíbrio.
O terceiro é o crescimento de Augusto Cury, que passou a ocupar uma posição relevante entre os candidatos que tentam romper a polarização tradicional da disputa.
Isso não significa, contudo, que o resultado atual determine quem chegará ao segundo turno. Ainda há tempo para mudanças no quadro eleitoral, além de fatores como alianças partidárias, debates, propaganda eleitoral, exposição dos candidatos e avaliação dos governos.
Pablo Marçal pode participar da disputa?
A pesquisa incluiu Pablo Marçal em um dos cenários, no qual ele registrou 3%.
O levantamento da Nexus/BTG o apresenta como inelegível. A situação jurídica de candidaturas pode, entretanto, sofrer alterações conforme decisões da Justiça Eleitoral e eventuais recursos. Por isso, a presença de um nome em uma pesquisa não significa necessariamente que ele estará apto a disputar a eleição no momento da votação.
No caso de Marçal, a pesquisa testou sua presença justamente para avaliar como a inclusão do nome altera a distribuição das intenções de voto entre os demais candidatos.
Qual é a margem de erro da pesquisa Nexus/BTG?
A pesquisa entrevistou 2.005 eleitores por telefone, entre 28 e 30 de agosto de 2026.
O levantamento tem nível de confiança de 95% e margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa foi realizada nas 27 unidades da Federação, com distribuição proporcional por região e controle de cotas de sexo, idade, escolaridade, tipo de telefonia e DDD.
O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08900/2026.
Como interpretar a margem de erro?
Se uma candidatura aparece com 39%, por exemplo, o resultado estimado pode variar dois pontos percentuais para cima ou para baixo dentro das condições estatísticas da pesquisa.
Por isso, uma diferença de um ou dois pontos entre candidatos não deve ser interpretada automaticamente como uma vantagem efetiva. É justamente o caso do segundo turno entre Lula e Flávio: 46% contra 45% representa empate técnico.
Pesquisa eleitoral não é previsão do resultado
Uma pesquisa de intenção de voto não determina o resultado da eleição.
Ela mede as preferências de uma amostra de eleitores em determinado período. A fotografia pode mudar até o dia da votação, especialmente quando ainda há meses de campanha pela frente.
Outro ponto é que diferentes institutos podem apresentar resultados distintos porque utilizam metodologias, questionários, períodos de campo e critérios amostrais diferentes. Por isso, a análise mais segura considera uma série de pesquisas, e não apenas um levantamento isolado.
O que pode mudar até a eleição de 2026?

A corrida presidencial ainda pode sofrer alterações relevantes.
A entrada ou saída de candidatos, alianças entre partidos, desempenho em debates, propaganda eleitoral, acontecimentos econômicos e avaliação do governo podem modificar a intenção de voto.
O crescimento de Cury também será um ponto a acompanhar nas próximas rodadas. A questão agora é saber se os 11% registrados pela Nexus/BTG representam uma tendência de crescimento ou uma oscilação associada ao aumento recente de exposição do candidato.
Pesquisas posteriores serão necessárias para identificar a direção desse movimento.
Conclusão
A pesquisa Nexus/BTG divulgada em 31 de agosto mostra Lula na liderança do primeiro turno, com 39% no principal cenário estimulado, contra 33% de Flávio Bolsonaro. Quando Pablo Marçal é incluído, os percentuais ficam em 37% e 31%, respectivamente.
O dado que mais chamou atenção, porém, foi o avanço de Augusto Cury, que alcançou 11% e passou a ocupar isoladamente a terceira posição.
No segundo turno, a disputa entre Lula e Flávio aparece praticamente empatada: 46% contra 45%. Lula também fica tecnicamente empatado com Ronaldo Caiado, enquanto apresenta vantagem numérica sobre Zema e Renan Santos.
Os números devem ser interpretados como um retrato do eleitorado no período de 28 a 30 de agosto, e não como uma previsão do resultado das urnas. A evolução das próximas pesquisas será fundamental para saber se o atual equilíbrio entre os principais candidatos e o crescimento de Cury representam tendências duradouras.
