Os preços internacionais do petróleo registraram forte alta nesta segunda-feira (13) diante do aumento das tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã. O mercado reagiu ao restabelecimento de um bloqueio naval norte-americano aos portos iranianos e à possibilidade de cobrança de tarifas sobre navios que utilizam o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo.
Preço do petróleo salta mais de 9% com temor de impacto no fornecimento global
Preço do petróleo dispara após bloqueio aos portos iranianos e ameaça no Estreito de Ormuz aumentar riscos ao mercado global.
O movimento provocou uma forte valorização das referências internacionais da commodity. O barril de Brent, utilizado como referência global, avançou 9,59% e encerrou o pregão cotado a US$ 83,80 para entrega em setembro.
Já o petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência dos Estados Unidos, subiu 9,42%, fechando a sessão em US$ 78,14 por barril.
A alta registrada em apenas um dia chamou atenção dos investidores, já que representa uma das maiores movimentações recentes do mercado de energia em meio ao aumento das incertezas sobre o fluxo mundial de petróleo.
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O principal fator por trás da disparada dos preços foi o temor de interrupções no transporte marítimo de petróleo no Oriente Médio.
O Estreito de Ormuz, localizado entre o Irã e a Península Arábica, é considerado uma das passagens estratégicas mais importantes para o mercado energético mundial. Uma grande parcela das exportações de petróleo e gás natural do Golfo Pérsico passa pela região diariamente.
Qualquer ameaça à circulação de navios provoca preocupação entre investidores, pois uma redução no fornecimento global pode pressionar os preços para cima.
Segundo analistas do Eurasia Group, o mercado vinha ignorando parte dos riscos relacionados aos ataques ao transporte marítimo na região, mas a deterioração das relações entre Washington e Teerã alterou a percepção dos investidores.
A avaliação é que uma escalada envolvendo o Estreito de Ormuz poderia criar novos obstáculos para o comércio internacional de energia.
Estados Unidos anunciam bloqueio aos portos iranianos
As Forças Armadas dos Estados Unidos informaram que o bloqueio aos portos iranianos entraria em vigor às 20h GMT, equivalente às 17h no horário de Brasília.
A medida foi anunciada pelo presidente Donald Trump e ampliou as preocupações do mercado sobre possíveis impactos na oferta global de petróleo.
Além do bloqueio, Washington indicou a intenção de criar uma tarifa para navios que atravessem o Estreito de Ormuz.
A proposta mencionada prevê uma cobrança equivalente a 20% do valor da carga transportada.
A possibilidade gerou dúvidas entre operadores do mercado internacional, principalmente sobre quem assumiria os custos e como funcionaria a fiscalização da passagem marítima.
Irã reage e alerta sobre risco ao abastecimento mundial
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que as ações norte-americanas poderiam colocar em risco o abastecimento global de petróleo.
O governo iraniano também reforçou a importância estratégica do país sobre o Estreito de Ormuz.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, declarou que o Irã sempre teve papel central na segurança da passagem marítima e continuará exercendo influência sobre a região.
A disputa aumenta a preocupação de empresas e governos que dependem do transporte marítimo para garantir o fornecimento de energia.
Estreito de Ormuz é considerado ponto estratégico do petróleo mundial
O Estreito de Ormuz possui importância histórica para o comércio internacional de energia.
A passagem conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico, sendo utilizada principalmente por grandes produtores de petróleo do Oriente Médio.
Entre os países que dependem dessa rota estão importantes exportadores, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque.
Por isso, qualquer instabilidade na região costuma provocar reação imediata nos preços internacionais.
Mesmo quando não há interrupção efetiva do transporte, o chamado “prêmio de risco geopolítico” aumenta o valor negociado pelos contratos futuros de petróleo.
Mercado avalia custo de possíveis tarifas sobre navios
A possibilidade de cobrança de tarifas para embarcações que atravessem o Estreito de Ormuz criou novas incertezas para empresas de transporte e compradores de petróleo.
O analista Andy Lipow, da Lipow Oil Associates, destacou que o mercado passou a questionar quem arcaria com esses custos adicionais.
A dúvida envolve se os pagamentos seriam direcionados ao Irã, aos Estados Unidos ou incorporados ao preço final das cargas.
Para o setor de energia, qualquer aumento nos custos de transporte pode refletir em toda a cadeia de produção, desde refinarias até consumidores finais.
Impactos do petróleo mais caro para a economia mundial
A alta do petróleo pode gerar consequências em diversos setores da economia.
O combustível é uma das principais matérias-primas globais e influencia diretamente:
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- preços da gasolina e do diesel;
- custos de transporte;
- inflação;
- produção industrial;
- preços de alimentos.
Quando o petróleo sobe de forma significativa, empresas podem repassar parte desses custos para produtos e serviços.
Bancos centrais também acompanham esse movimento, pois uma alta persistente da energia pode dificultar o controle da inflação.
Como a alta do petróleo pode afetar o Brasil
Apesar de o Brasil possuir produção própria de petróleo, principalmente por meio da exploração em águas profundas, o país também acompanha os preços internacionais da commodity.
A cotação global influencia decisões relacionadas aos combustíveis, especialmente porque o mercado brasileiro possui conexão com referências internacionais.
Entre os possíveis impactos estão:
- aumento dos custos de combustíveis;
- pressão sobre preços de transporte;
- efeitos sobre a inflação;
- mudanças nas expectativas econômicas.
O impacto final depende de diversos fatores, como política de preços das empresas, câmbio e condições internas do mercado brasileiro.
Petrobras acompanha cenário internacional
A Petrobras, principal empresa de petróleo do Brasil, monitora constantemente as variações internacionais do barril, além de fatores como dólar e custos internos.
A cotação do petróleo é um dos elementos considerados na formação das estratégias comerciais da companhia.
Mudanças bruscas no mercado internacional podem influenciar decisões de investimento, exportações e comercialização de derivados.
Risco geopolítico volta ao centro das atenções dos investidores

A disparada do petróleo mostra como conflitos internacionais continuam sendo um dos principais fatores de volatilidade dos mercados.
Além da oferta e demanda, investidores acompanham cada vez mais riscos relacionados a:
- conflitos militares;
- sanções econômicas;
- segurança de rotas comerciais;
- decisões de grandes produtores.
O Oriente Médio permanece como uma das regiões mais sensíveis para o mercado energético mundial justamente pela concentração de produção e pela importância das rotas marítimas.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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