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Picolé “saudável” é proibido pela Anvisa e consumidores ficam chocados

Avatar de Juliana Peixoto Juliana Peixoto · · 7 min de leitura
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A mistura inusitada de refresco com rotina fitness chamou atenção nas redes sociais, mas durou pouco. O lançamento de um picolé com creatina, vendido como alternativa prática para quem deseja se hidratar e, ao mesmo tempo, consumir o suplemento, passou a ser alvo de fiscalização nacional. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu suspender totalmente a venda do produto após concluir que ele viola normas de segurança alimentar.

A decisão, publicada na última quarta-feira (26), não apenas afetou o picolé da marca envolvida, mas também incluiu outras duas categorias de alimentos populares entre os consumidores brasileiros: um vinagre de maçã e um pó para preparo de bebida vegetal. O movimento sinaliza um reforço na vigilância sobre itens que utilizam substâncias ainda não regulamentadas para consumo em alimentos ou que apresentam composições diferentes daquelas declaradas no rótulo.

A seguir, entenda o que motivou a proibição do picolé, quais produtos foram afetados e o que dizem os laudos e comunicados oficiais da agência.

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Picolé com creatina vira alvo da Anvisa

Qual é o produto proibido?

O item que motivou a decisão foi o Picolé de Açaí, Guaraná e Canela Naturalle Ice, produzido pela empresa J M J Re Torres Indústria de Alimentos Ltda. O alimento ganhou repercussão por incluir creatina na composição — substância amplamente utilizada em suplementos por quem busca melhorar desempenho físico e aumentar massa muscular.

Por que o produto foi proibido?

A Anvisa determinou a proibição total da venda, comercialização, distribuição, fabricação e divulgação do picolé. O motivo central é que a creatina não possui avaliação de segurança para uso em alimentos, apenas em suplementos alimentares destinados ao público adulto.

Segundo a agência, qualquer alimento que inclua ingredientes sem avaliação de segurança representa risco aos consumidores, além de violar a legislação vigente sobre aditivos e substâncias permitidas.

A creatina é proibida?

Não. A creatina é liberada apenas como suplemento. Contudo, sua utilização deve seguir critérios como:

  • ser destinada exclusivamente a adultos;
  • respeitar a dosagem orientada;
  • vir acompanhada de recomendações de uso e advertências.

Incorporar creatina em um alimento — especialmente um picolé, que pode ser consumido por crianças — é considerado inadequado pela agência.

Não é a primeira vez

Essa decisão não foi um caso isolado. Na semana anterior, a Anvisa já havia proibido outro item inusitado: o Doce de Amendoim com Creatina da marca Senhora Paçoca. A repetição de casos mostra que empresas têm buscado inserir substâncias de uso restrito em produtos comuns, o que tem chamado atenção da fiscalização.

Vinagre de maçã da marca Castelo também foi reprovado

Além do picolé, o mesmo relatório de ações da Anvisa trouxe outra determinação relevante: a suspensão do vinagre de maçã da marca Castelo.

O que aconteceu com o vinagre?

De acordo com a Anvisa, o produto foi submetido a um Laudo de Análise Fiscal Definitivo emitido pelo Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) do Distrito Federal. O vinagre foi reprovado no teste de pesquisa quantitativa de dióxido de enxofre.

Qual foi o problema encontrado?

O laudo indicou que o vinagre contém uma quantidade significativa de dióxido de enxofre (SO₂) não informada no rótulo.

Por que isso é grave?

Porque o dióxido de enxofre:

  • pode provocar reações alérgicas em pessoas sensíveis;
  • é um aditivo permitido apenas dentro de limites específicos;
  • precisa ser claramente identificado no rótulo quando presente.

O que a Anvisa determinou?

A agência ordenou:

  • recolhimento do produto;
  • suspensão da comercialização;
  • suspensão da distribuição e do consumo;
  • proibição de novos lotes até regularização.

Pó para preparo de bebida vegetal também está irregular

O terceiro produto incluído na decisão da Anvisa é o pó para bebida vegetal das marcas Livestrong/Essential Nutrition.

Qual é a irregularidade?

Segundo a agência, o produto contém proteína de fava hidrolisada, substância que não teve sua segurança avaliada para uso em alimentos no Brasil.

Sem aprovação, o ingrediente não pode ser utilizado em alimentos destinados ao consumo geral.

Por que substâncias não avaliadas são proibidas?

Para que um ingrediente seja liberado, precisa passar por exames que comprovem:

  • segurança toxicológica;
  • efeitos no organismo;
  • limites de uso;
  • categorias de produtos permitidas.

Sem isso, não há respaldo técnico para garantir que a substância seja segura para toda a população.

A fiscalização está mais rígida?

Nos últimos meses, a Anvisa tem intensificado ações de monitoramento especialmente em produtos que:

  • usam substâncias de suplementação em alimentos comuns;
  • omitem ingredientes no rótulo;
  • anunciam propriedades que não condizem com a composição;
  • apresentam ingredientes cuja segurança não foi avaliada.

A expansão no número de itens suspensos sugere maior vigilância sobre empresas que tentam “surfar” em tendências de mercado — como o boom dos suplementos — sem seguir as normas.

O que o consumidor deve fazer?

Verificar rótulos com atenção

Consulte ingredientes, advertências e público-alvo indicado. Substâncias como creatina jamais devem aparecer em alimentos classificados como sobremesas ou itens consumidos por crianças.

Acompanhar alertas da Anvisa

A agência publica regularmente comunicados oficiais sobre proibições, suspensões e recolhimentos. Consumidores podem consultar o portal para checar a situação de produtos.

Evitar produtos sem procedência

Itens vendidos sem registro, com embalagens improvisadas ou que prometem resultados milagrosos devem ser evitados.

Buscar devolução ou ressarcimento

Consumidores que adquiriram produtos proibidos têm direito de:

  • solicitar ressarcimento;
  • comunicar o Procon;
  • informar o estabelecimento onde o item foi comprado.

Como a segurança alimentar funciona no Brasil

A legislação brasileira exige que ingredientes inovadores ou incomuns passem por análises rigorosas para garantir que não representem risco à saúde.

Esse processo inclui:

Avaliação toxicológica

Testes para determinar se o ingrediente pode causar efeitos negativos ao ser ingerido.

Estudos de exposição

Análises sobre quanto da substância uma pessoa costuma consumir por dia sem ultrapassar limites seguros.

Autorizações específicas

Caso a substância seja aprovada, a Anvisa define:

  • categorias de alimentos permitidas;
  • limites máximos de uso;
  • advertências obrigatórias.

Foi justamente a falta desses requisitos que motivou as decisões recentes.

A creatina pode ser consumida normalmente?

Sim — mas somente como suplemento. Entre os principais pontos:

  • uso exclusivo para adultos;
  • segue normas próprias;
  • não deve ser consumida por crianças;
  • não pode ser adicionada a alimentos convencionais.

Qualquer produto que tente utilizar creatina fora das regras estará sujeito à suspensão.

Impacto para o mercado alimentício

As proibições reforçam a necessidade de responsabilidade por parte das indústrias. Itens como picolés, doces e bebidas têm grande alcance, inclusive entre jovens e crianças — o que aumenta o risco quando ingredientes inadequados são utilizados.

Empresas que buscam inovar devem seguir rigorosamente os critérios da Anvisa para evitar recolhimentos, prejuízos financeiros e danos à imagem.

Consumidores ficam mais atentos

A repercussão do caso nas redes sociais mostra que o público está cada vez mais sensível a temas relacionados à segurança alimentar. A popularização de suplementos, dietas restritivas e “superalimentos” também deixou o consumidor mais curioso, mas nem sempre informado sobre limitações regulatórias.

Casos como o do picolé com creatina funcionam como alerta: nem tudo que viraliza é permitido ou seguro.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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