A mistura inusitada de refresco com rotina fitness chamou atenção nas redes sociais, mas durou pouco. O lançamento de um picolé com creatina, vendido como alternativa prática para quem deseja se hidratar e, ao mesmo tempo, consumir o suplemento, passou a ser alvo de fiscalização nacional. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu suspender totalmente a venda do produto após concluir que ele viola normas de segurança alimentar.
Picolé “saudável” é proibido pela Anvisa e consumidores ficam chocados
Anvisa proíbe picolé com creatina e suspende outros produtos por risco à saúde. Veja detalhes, motivos das decisões e orientações ao consumidor.
A decisão, publicada na última quarta-feira (26), não apenas afetou o picolé da marca envolvida, mas também incluiu outras duas categorias de alimentos populares entre os consumidores brasileiros: um vinagre de maçã e um pó para preparo de bebida vegetal. O movimento sinaliza um reforço na vigilância sobre itens que utilizam substâncias ainda não regulamentadas para consumo em alimentos ou que apresentam composições diferentes daquelas declaradas no rótulo.
A seguir, entenda o que motivou a proibição do picolé, quais produtos foram afetados e o que dizem os laudos e comunicados oficiais da agência.
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Picolé com creatina vira alvo da Anvisa
Qual é o produto proibido?
O item que motivou a decisão foi o Picolé de Açaí, Guaraná e Canela Naturalle Ice, produzido pela empresa J M J Re Torres Indústria de Alimentos Ltda. O alimento ganhou repercussão por incluir creatina na composição — substância amplamente utilizada em suplementos por quem busca melhorar desempenho físico e aumentar massa muscular.
Por que o produto foi proibido?
A Anvisa determinou a proibição total da venda, comercialização, distribuição, fabricação e divulgação do picolé. O motivo central é que a creatina não possui avaliação de segurança para uso em alimentos, apenas em suplementos alimentares destinados ao público adulto.
Segundo a agência, qualquer alimento que inclua ingredientes sem avaliação de segurança representa risco aos consumidores, além de violar a legislação vigente sobre aditivos e substâncias permitidas.
A creatina é proibida?
Não. A creatina é liberada apenas como suplemento. Contudo, sua utilização deve seguir critérios como:
- ser destinada exclusivamente a adultos;
- respeitar a dosagem orientada;
- vir acompanhada de recomendações de uso e advertências.
Incorporar creatina em um alimento — especialmente um picolé, que pode ser consumido por crianças — é considerado inadequado pela agência.
Não é a primeira vez
Essa decisão não foi um caso isolado. Na semana anterior, a Anvisa já havia proibido outro item inusitado: o Doce de Amendoim com Creatina da marca Senhora Paçoca. A repetição de casos mostra que empresas têm buscado inserir substâncias de uso restrito em produtos comuns, o que tem chamado atenção da fiscalização.
Vinagre de maçã da marca Castelo também foi reprovado
Além do picolé, o mesmo relatório de ações da Anvisa trouxe outra determinação relevante: a suspensão do vinagre de maçã da marca Castelo.
O que aconteceu com o vinagre?
De acordo com a Anvisa, o produto foi submetido a um Laudo de Análise Fiscal Definitivo emitido pelo Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) do Distrito Federal. O vinagre foi reprovado no teste de pesquisa quantitativa de dióxido de enxofre.
Qual foi o problema encontrado?
O laudo indicou que o vinagre contém uma quantidade significativa de dióxido de enxofre (SO₂) não informada no rótulo.
Por que isso é grave?
Porque o dióxido de enxofre:
- pode provocar reações alérgicas em pessoas sensíveis;
- é um aditivo permitido apenas dentro de limites específicos;
- precisa ser claramente identificado no rótulo quando presente.
O que a Anvisa determinou?
A agência ordenou:
- recolhimento do produto;
- suspensão da comercialização;
- suspensão da distribuição e do consumo;
- proibição de novos lotes até regularização.
Pó para preparo de bebida vegetal também está irregular
O terceiro produto incluído na decisão da Anvisa é o pó para bebida vegetal das marcas Livestrong/Essential Nutrition.
Qual é a irregularidade?
Segundo a agência, o produto contém proteína de fava hidrolisada, substância que não teve sua segurança avaliada para uso em alimentos no Brasil.
Sem aprovação, o ingrediente não pode ser utilizado em alimentos destinados ao consumo geral.
Por que substâncias não avaliadas são proibidas?
Para que um ingrediente seja liberado, precisa passar por exames que comprovem:
- segurança toxicológica;
- efeitos no organismo;
- limites de uso;
- categorias de produtos permitidas.
Sem isso, não há respaldo técnico para garantir que a substância seja segura para toda a população.
A fiscalização está mais rígida?
Nos últimos meses, a Anvisa tem intensificado ações de monitoramento especialmente em produtos que:
- usam substâncias de suplementação em alimentos comuns;
- omitem ingredientes no rótulo;
- anunciam propriedades que não condizem com a composição;
- apresentam ingredientes cuja segurança não foi avaliada.
A expansão no número de itens suspensos sugere maior vigilância sobre empresas que tentam “surfar” em tendências de mercado — como o boom dos suplementos — sem seguir as normas.
O que o consumidor deve fazer?
Verificar rótulos com atenção
Consulte ingredientes, advertências e público-alvo indicado. Substâncias como creatina jamais devem aparecer em alimentos classificados como sobremesas ou itens consumidos por crianças.
Acompanhar alertas da Anvisa
A agência publica regularmente comunicados oficiais sobre proibições, suspensões e recolhimentos. Consumidores podem consultar o portal para checar a situação de produtos.
Evitar produtos sem procedência
Itens vendidos sem registro, com embalagens improvisadas ou que prometem resultados milagrosos devem ser evitados.
Buscar devolução ou ressarcimento
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Consumidores que adquiriram produtos proibidos têm direito de:
- solicitar ressarcimento;
- comunicar o Procon;
- informar o estabelecimento onde o item foi comprado.
Como a segurança alimentar funciona no Brasil
A legislação brasileira exige que ingredientes inovadores ou incomuns passem por análises rigorosas para garantir que não representem risco à saúde.
Esse processo inclui:
Avaliação toxicológica
Testes para determinar se o ingrediente pode causar efeitos negativos ao ser ingerido.
Estudos de exposição
Análises sobre quanto da substância uma pessoa costuma consumir por dia sem ultrapassar limites seguros.
Autorizações específicas
Caso a substância seja aprovada, a Anvisa define:
- categorias de alimentos permitidas;
- limites máximos de uso;
- advertências obrigatórias.
Foi justamente a falta desses requisitos que motivou as decisões recentes.
A creatina pode ser consumida normalmente?
Sim — mas somente como suplemento. Entre os principais pontos:
- uso exclusivo para adultos;
- segue normas próprias;
- não deve ser consumida por crianças;
- não pode ser adicionada a alimentos convencionais.
Qualquer produto que tente utilizar creatina fora das regras estará sujeito à suspensão.
Impacto para o mercado alimentício
As proibições reforçam a necessidade de responsabilidade por parte das indústrias. Itens como picolés, doces e bebidas têm grande alcance, inclusive entre jovens e crianças — o que aumenta o risco quando ingredientes inadequados são utilizados.
Empresas que buscam inovar devem seguir rigorosamente os critérios da Anvisa para evitar recolhimentos, prejuízos financeiros e danos à imagem.
Consumidores ficam mais atentos
A repercussão do caso nas redes sociais mostra que o público está cada vez mais sensível a temas relacionados à segurança alimentar. A popularização de suplementos, dietas restritivas e “superalimentos” também deixou o consumidor mais curioso, mas nem sempre informado sobre limitações regulatórias.
Casos como o do picolé com creatina funcionam como alerta: nem tudo que viraliza é permitido ou seguro.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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