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Picolé “saudável” é proibido pela Anvisa e consumidores ficam chocados

Anvisa proíbe picolé com creatina e suspende outros produtos por risco à saúde. Veja detalhes, motivos das decisões e orientações ao consumidor.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto6 min de leitura
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A mistura inusitada de refresco com rotina fitness chamou atenção nas redes sociais, mas durou pouco. O lançamento de um picolé com creatina, vendido como alternativa prática para quem deseja se hidratar e, ao mesmo tempo, consumir o suplemento, passou a ser alvo de fiscalização nacional. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu suspender totalmente a venda do produto após concluir que ele viola normas de segurança alimentar.

A decisão, publicada na última quarta-feira (26), não apenas afetou o picolé da marca envolvida, mas também incluiu outras duas categorias de alimentos populares entre os consumidores brasileiros: um vinagre de maçã e um pó para preparo de bebida vegetal. O movimento sinaliza um reforço na vigilância sobre itens que utilizam substâncias ainda não regulamentadas para consumo em alimentos ou que apresentam composições diferentes daquelas declaradas no rótulo.

A seguir, entenda o que motivou a proibição do picolé, quais produtos foram afetados e o que dizem os laudos e comunicados oficiais da agência.

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Picolé com creatina vira alvo da Anvisa

Qual é o produto proibido?

O item que motivou a decisão foi o Picolé de Açaí, Guaraná e Canela Naturalle Ice, produzido pela empresa J M J Re Torres Indústria de Alimentos Ltda. O alimento ganhou repercussão por incluir creatina na composição — substância amplamente utilizada em suplementos por quem busca melhorar desempenho físico e aumentar massa muscular.

Por que o produto foi proibido?

A Anvisa determinou a proibição total da venda, comercialização, distribuição, fabricação e divulgação do picolé. O motivo central é que a creatina não possui avaliação de segurança para uso em alimentos, apenas em suplementos alimentares destinados ao público adulto.

Segundo a agência, qualquer alimento que inclua ingredientes sem avaliação de segurança representa risco aos consumidores, além de violar a legislação vigente sobre aditivos e substâncias permitidas.

A creatina é proibida?

Não. A creatina é liberada apenas como suplemento. Contudo, sua utilização deve seguir critérios como:

  • ser destinada exclusivamente a adultos;
  • respeitar a dosagem orientada;
  • vir acompanhada de recomendações de uso e advertências.

Incorporar creatina em um alimento — especialmente um picolé, que pode ser consumido por crianças — é considerado inadequado pela agência.

Não é a primeira vez

Essa decisão não foi um caso isolado. Na semana anterior, a Anvisa já havia proibido outro item inusitado: o Doce de Amendoim com Creatina da marca Senhora Paçoca. A repetição de casos mostra que empresas têm buscado inserir substâncias de uso restrito em produtos comuns, o que tem chamado atenção da fiscalização.

Vinagre de maçã da marca Castelo também foi reprovado

Além do picolé, o mesmo relatório de ações da Anvisa trouxe outra determinação relevante: a suspensão do vinagre de maçã da marca Castelo.

O que aconteceu com o vinagre?

De acordo com a Anvisa, o produto foi submetido a um Laudo de Análise Fiscal Definitivo emitido pelo Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) do Distrito Federal. O vinagre foi reprovado no teste de pesquisa quantitativa de dióxido de enxofre.

Qual foi o problema encontrado?

O laudo indicou que o vinagre contém uma quantidade significativa de dióxido de enxofre (SO₂) não informada no rótulo.

Por que isso é grave?

Porque o dióxido de enxofre:

  • pode provocar reações alérgicas em pessoas sensíveis;
  • é um aditivo permitido apenas dentro de limites específicos;
  • precisa ser claramente identificado no rótulo quando presente.

O que a Anvisa determinou?

A agência ordenou:

  • recolhimento do produto;
  • suspensão da comercialização;
  • suspensão da distribuição e do consumo;
  • proibição de novos lotes até regularização.

Pó para preparo de bebida vegetal também está irregular

O terceiro produto incluído na decisão da Anvisa é o pó para bebida vegetal das marcas Livestrong/Essential Nutrition.

Qual é a irregularidade?

Segundo a agência, o produto contém proteína de fava hidrolisada, substância que não teve sua segurança avaliada para uso em alimentos no Brasil.

Sem aprovação, o ingrediente não pode ser utilizado em alimentos destinados ao consumo geral.

Por que substâncias não avaliadas são proibidas?

Para que um ingrediente seja liberado, precisa passar por exames que comprovem:

  • segurança toxicológica;
  • efeitos no organismo;
  • limites de uso;
  • categorias de produtos permitidas.

Sem isso, não há respaldo técnico para garantir que a substância seja segura para toda a população.

A fiscalização está mais rígida?

Nos últimos meses, a Anvisa tem intensificado ações de monitoramento especialmente em produtos que:

  • usam substâncias de suplementação em alimentos comuns;
  • omitem ingredientes no rótulo;
  • anunciam propriedades que não condizem com a composição;
  • apresentam ingredientes cuja segurança não foi avaliada.

A expansão no número de itens suspensos sugere maior vigilância sobre empresas que tentam “surfar” em tendências de mercado — como o boom dos suplementos — sem seguir as normas.

O que o consumidor deve fazer?

Verificar rótulos com atenção

Consulte ingredientes, advertências e público-alvo indicado. Substâncias como creatina jamais devem aparecer em alimentos classificados como sobremesas ou itens consumidos por crianças.

Acompanhar alertas da Anvisa

A agência publica regularmente comunicados oficiais sobre proibições, suspensões e recolhimentos. Consumidores podem consultar o portal para checar a situação de produtos.

Evitar produtos sem procedência

Itens vendidos sem registro, com embalagens improvisadas ou que prometem resultados milagrosos devem ser evitados.

Buscar devolução ou ressarcimento

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Consumidores que adquiriram produtos proibidos têm direito de:

  • solicitar ressarcimento;
  • comunicar o Procon;
  • informar o estabelecimento onde o item foi comprado.

Como a segurança alimentar funciona no Brasil

A legislação brasileira exige que ingredientes inovadores ou incomuns passem por análises rigorosas para garantir que não representem risco à saúde.

Esse processo inclui:

Avaliação toxicológica

Testes para determinar se o ingrediente pode causar efeitos negativos ao ser ingerido.

Estudos de exposição

Análises sobre quanto da substância uma pessoa costuma consumir por dia sem ultrapassar limites seguros.

Autorizações específicas

Caso a substância seja aprovada, a Anvisa define:

  • categorias de alimentos permitidas;
  • limites máximos de uso;
  • advertências obrigatórias.

Foi justamente a falta desses requisitos que motivou as decisões recentes.

A creatina pode ser consumida normalmente?

Sim — mas somente como suplemento. Entre os principais pontos:

  • uso exclusivo para adultos;
  • segue normas próprias;
  • não deve ser consumida por crianças;
  • não pode ser adicionada a alimentos convencionais.

Qualquer produto que tente utilizar creatina fora das regras estará sujeito à suspensão.

Impacto para o mercado alimentício

As proibições reforçam a necessidade de responsabilidade por parte das indústrias. Itens como picolés, doces e bebidas têm grande alcance, inclusive entre jovens e crianças — o que aumenta o risco quando ingredientes inadequados são utilizados.

Empresas que buscam inovar devem seguir rigorosamente os critérios da Anvisa para evitar recolhimentos, prejuízos financeiros e danos à imagem.

Consumidores ficam mais atentos

A repercussão do caso nas redes sociais mostra que o público está cada vez mais sensível a temas relacionados à segurança alimentar. A popularização de suplementos, dietas restritivas e “superalimentos” também deixou o consumidor mais curioso, mas nem sempre informado sobre limitações regulatórias.

Casos como o do picolé com creatina funcionam como alerta: nem tudo que viraliza é permitido ou seguro.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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