Está em análise na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 6533/25, que propõe a criação de um piso salarial de R$ 4 mil para motoristas profissionais de transporte coletivo em cidades com mais de 200 mil habitantes ou regiões metropolitanas.
Projeto pode elevar salário de motoristas de ônibus para R$ 4 mil
Projeto propõe piso de R$ 4 mil para motoristas de ônibus em cidades maiores. Veja regras, impacto e próximos passos.
A proposta busca estabelecer um padrão mínimo de remuneração para a categoria, que atualmente enfrenta grande disparidade salarial entre diferentes regiões do país.
Segundo o autor do projeto, o deputado Daniel Almeida, a medida é necessária diante da complexidade da função e da responsabilidade envolvida no transporte de milhares de passageiros diariamente.
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Como funcionará o piso salarial proposto
O texto do projeto define regras claras para aplicação do piso:
Jornada padrão de trabalho
O valor de R$ 4 mil será destinado a profissionais com jornada de:
- 44 horas semanais, conforme a legislação trabalhista vigente
Pagamento proporcional
Motoristas que trabalham com carga horária reduzida receberão:
- Valor proporcional às horas trabalhadas
Isso permite flexibilidade para contratos diferenciados, sem comprometer a base de remuneração.
Reajuste anual baseado na inflação
Outro ponto importante do projeto é a previsão de atualização automática do piso salarial.
Índice utilizado
O reajuste será feito com base no:
- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio do INPC
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) é amplamente utilizado como referência para correções salariais no Brasil, especialmente para trabalhadores de menor renda.
Essa regra garante que o poder de compra dos motoristas seja preservado ao longo do tempo.
Por que o piso será aplicado apenas em cidades maiores
O projeto estabelece que o piso será válido apenas em:
- Municípios com mais de 200 mil habitantes
- Regiões metropolitanas
Justificativa econômica
De acordo com o texto, essa limitação busca manter a viabilidade financeira do setor, considerando que:
- Grandes cidades possuem maior volume de passageiros
- Há maior presença de subsídios públicos municipais
- Empresas de transporte têm maior capacidade de pagamento
Em cidades menores, onde a demanda é reduzida, a implementação imediata de um piso nacional poderia gerar desequilíbrios financeiros.
Impactos esperados para trabalhadores e empresas
Para os motoristas
A proposta pode trazer benefícios diretos, como:
- Aumento da renda média da categoria
- Maior valorização profissional
- Melhoria nas condições de trabalho
Em muitos municípios, motoristas recebem atualmente salários abaixo desse patamar, o que reforça o potencial impacto positivo da medida.
Para empresas e prefeituras
Por outro lado, o projeto pode gerar desafios:
- Aumento da folha de pagamento
- Possível necessidade de reajuste de tarifas
- Ampliação de subsídios públicos ao transporte
Em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e capitais do Sul e Nordeste, o transporte coletivo já depende de apoio financeiro do poder público para manter o equilíbrio operacional.
O que muda na prática para o usuário do transporte
Embora o projeto seja voltado aos trabalhadores, ele pode afetar diretamente os passageiros.
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Possíveis efeitos
- Reajuste no valor das passagens
- Melhor qualidade do serviço (com profissionais mais valorizados)
- Redução da rotatividade de motoristas
A experiência mostra que melhores condições de trabalho tendem a refletir na qualidade do atendimento e na segurança do transporte público.
Próximos passos do projeto
O PL 6533/25 ainda está em fase inicial de tramitação.
Etapas previstas
O texto será analisado pelas seguintes comissões da Câmara:
- Comissão de Trabalho
- Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ)
Se aprovado, seguirá para o Senado Federal e, posteriormente, para sanção presidencial.
Por tramitar em caráter conclusivo, o projeto pode avançar sem necessidade de votação em plenário, caso não haja recurso para isso.
Quando o piso pode começar a valer
Ainda não há uma data definida para a implementação, já que o projeto precisa:
- Ser aprovado na Câmara
- Passar pelo Senado
- Ser sancionado pelo presidente
Somente após essas etapas o piso salarial poderá se tornar lei e começar a ser aplicado.
Contexto do setor de transporte no Brasil
O transporte coletivo urbano enfrenta desafios importantes no Brasil, como:
- Queda no número de passageiros após a pandemia
- Aumento dos custos operacionais (combustível, manutenção)
- Dependência crescente de subsídios públicos
Nesse cenário, propostas como o piso salarial buscam equilibrar a valorização dos trabalhadores com a sustentabilidade do sistema.
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Imagem: rawpixel.com/ Freepik
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