Hoje sinônimo de transferência rápida, gratuita e segura, o Pix mudou o cotidiano financeiro do brasileiro. O que poucos sabem é que a base dessa revolução começou muito antes do seu lançamento oficial, em novembro de 2020. Documentos inéditos revelam que o Banco Central já havia finalizado o conceito do sistema ainda em 2018, após anos de estudos, discussões e testes.
Banco Central já trabalhava no Pix em 2018, mostram documentos inéditos
Documentos revelam que Pix foi idealizado anos antes do lançamento e envolveu 130 especialistas.
Reunindo mais de 130 representantes de bancos, escritórios de advocacia, consultorias, startups e órgãos do próprio governo, o grupo de trabalho responsável por desenhar o Pix apresentou os fundamentos do sistema ao final do governo Michel Temer. Essa preparação, iniciada ainda em 2016 com a chamada Agenda BC+, pavimentou o caminho para o marco que viria dois anos depois.
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As origens: modernizar o sistema financeiro

A ideia do Pix surgiu dentro de um plano mais amplo do Banco Central para modernizar o sistema financeiro brasileiro e ampliar a inclusão financeira. Em 2016, o então presidente do BC, Ilan Goldfajn, lançou a Agenda BC+, cuja meta era dar mais eficiência e agilidade ao setor.
Entre os eixos do plano estava o aumento da eficácia dos processos de pagamento, com foco em velocidade, custo reduzido e maior alcance social. No mesmo ano, o BC também integrou um estudo do Banco de Compensações Internacionais (BIS) sobre pagamentos instantâneos, que contou com a participação de 26 bancos centrais de todo o mundo.
Essa visão global reforçou a convicção de que o Brasil precisava de um sistema alinhado às melhores práticas internacionais para beneficiar tanto consumidores quanto empresas.
O laboratório de ideias e os primeiros esboços
Foi só em maio de 2018, no entanto, que as ideias começaram a ganhar forma prática com o lançamento do Laboratório de Inovações Financeiras e Tecnológicas (Lift). O espaço funciona até hoje como uma incubadora para projetos inovadores apresentados por startups, estudantes e pequenas empresas em parceria com a agenda de inovação do BC.
No mesmo mês, foi criado o Grupo de Trabalho Pagamentos Instantâneos, dividido em cinco subgrupos temáticos. Os especialistas discutiram segurança, velocidade, liquidação e compensação para garantir que o novo sistema fosse viável e confiável.
Em agosto daquele ano, o grupo apresentou o modelo final do sistema, já com as diretrizes técnicas e jurídicas bem definidas. Em dezembro, o Relatório Anual do BC destacava a conclusão dos trabalhos, apresentando um infográfico ilustrativo do que seria o Pix.
Do conceito ao sistema pronto
Com os fundamentos estabelecidos, em agosto de 2019 o Banco Central anunciou que iria desenvolver a base de dados e centralizar a administração do sistema. Essa centralização era crucial para dar escala e garantir um funcionamento harmônico entre as centenas de instituições participantes.
O nome Pix só viria a ser revelado meses depois, em fevereiro de 2020, pelo então presidente do BC, Roberto Campos Neto. Ele apresentou o Pix como um sistema barato, rápido, seguro e acessível — qualidades que, segundo ele, respondiam a uma demanda clara da população.
Em outubro de 2020, uma resolução do BC definiu que o Pix seria gratuito para pessoas físicas e microempreendedores individuais em transações fora do contexto comercial — o que permanece em vigor até hoje.
O grande lançamento e o crescimento meteórico

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O lançamento do Pix ocorreu em duas etapas. Em 3 de novembro de 2020, o sistema foi testado em caráter limitado para um pequeno grupo de clientes e em horários controlados. Duas semanas depois, em 16 de novembro, o Pix começou a operar 24 horas para todos os clientes cadastrados com suas chaves.
De lá para cá, o crescimento foi exponencial. Apenas em junho deste ano, o Pix bateu novo recorde com movimentação de R$ 2,866 trilhões em um único mês. Para efeito de comparação, em novembro de 2020 o volume foi de R$ 25,8 bilhões — menos de 1% do registrado recentemente.
Ao longo de cinco anos, o sistema já movimentou cerca de R$ 65 trilhões, envolvendo 936 instituições financeiras e milhões de usuários em todo o país.
Pix como modelo internacional e alvo de debates
Além de transformar o mercado interno, o Pix inspirou outros países a desenvolverem modelos semelhantes de pagamento instantâneo. Apesar do sucesso, o sistema chegou a ser criticado por líderes internacionais como Donald Trump, que o classificou como uma ameaça à indústria financeira tradicional.
No Brasil, porém, o Pix segue como símbolo da capacidade de inovação do Banco Central e da adaptação do país a um cenário financeiro cada vez mais digital e dinâmico.
Com informações de: Agência Brasil
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