Nos últimos anos, o cenário dos meios de pagamento no Brasil mudou radicalmente. Desde a chegada do Pix, em 2020, o dinheiro em espécie deixou de ser protagonista nas transações financeiras dos brasileiros. Segundo dados do Banco Central apresentados pelo Google, o uso de cédulas e moedas despencou de 43% para apenas 6% em 2025, um reflexo direto da digitalização bancária e da popularização dos pagamentos instantâneos.
Uso de dinheiro em espécie despenca de 43 % para 6 % com avanço do Pix
Pix avança e dinheiro vivo cai para 6% no Brasil; bancarização e crédito seguem fortes. Entenda os dados.
O impacto do Pix vai muito além da comodidade: ele ajudou a bancarizar milhões de pessoas, consolidou novas formas de consumir crédito e acirrou a disputa entre os métodos de pagamento. Entenda como essa transformação está mudando hábitos de consumo e revelando novos comportamentos entre as diferentes classes sociais no país.
Leia mais: Pix é sucesso, problema são tarifas dos EUA, diz Alckmin
Pix impulsiona bancarização e digitalização financeira

A pandemia da covid-19, iniciada em 2020, foi um divisor de águas para o mercado financeiro brasileiro. Dois fatores, em especial, impulsionaram a abertura de contas digitais: o pagamento do auxílio emergencial e o lançamento do Pix pelo Banco Central.
Thais Melendez, líder de insights do Google Brasil, explica: “O auxílio emergencial fez com que muitas pessoas abrissem as primeiras contas digitais, e a chegada do Pix consolidou a migração para o digital”. Os números confirmam essa tendência: o total de brasileiros com conta bancária subiu de 179 milhões em 2020 para 200 milhões em 2025.
No ano seguinte, a implementação do Open Finance ampliou ainda mais as opções para o consumidor, facilitando o acesso ao crédito e a produtos financeiros personalizados.
Pix já é a forma preferida para 62% dos brasileiros
Atualmente, o Pix está presente no cotidiano de 93% da população adulta, e para 62% dos entrevistados ele é o método de pagamento mais utilizado. Além de gratuito e instantâneo, o sistema oferece conveniência incomparável — fatores que explicam sua popularidade.
Dados do estudo também revelam que 47% das transações financeiras já são feitas por Pix. “Esse avanço mostra como a digitalização foi rapidamente incorporada ao comportamento do consumidor”, analisa Melendez.
Apesar dessa revolução, o uso do cartão de crédito continua relevante, mostrando que cada meio ocupa seu espaço na rotina financeira das famílias.
Cartão de crédito mantém importância estratégica
Mesmo diante do avanço do Pix, o cartão de crédito segue como a segunda forma de pagamento mais usada no país. Gustavo Pena, head de indústria do Google Brasil, lembra que é preciso olhar além do “cartão” e observar o sobrenome “crédito”. “O limite e a possibilidade de parcelamento transformam o cartão em uma extensão da renda mensal do consumidor, permitindo ampliar o poder de compra.”
Outro ponto decisivo para a permanência do cartão de crédito na preferência dos brasileiros são os programas de benefícios. Entre os entrevistados, 20% disseram que utilizam mais o cartão por causa de recompensas e vantagens, enquanto outros 20% apontaram o aumento do limite como fator principal.
Essa preferência se intensifica em determinados segmentos: na classe A, 36% destacaram os benefícios como determinantes para continuar usando o cartão, enquanto nas classes D e E, 31% citaram o aumento do limite como a principal razão.
Mais cartões por pessoa, maior renda
A pesquisa também revelou um dado interessante sobre o perfil do consumidor: 62% das pessoas possuem mais de um cartão de crédito, sendo que 35% têm dois. O número de cartões cresce proporcionalmente à renda. Entre as classes A e B, 79% têm pelo menos um cartão.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Thais Melendez observa que esse comportamento reforça como os cartões ainda são vistos como uma ferramenta fundamental, especialmente para quem busca flexibilidade financeira e vantagens associadas aos programas de fidelidade.
Dinheiro vivo perde espaço, mas não desaparece

Com todo o avanço tecnológico e a adesão em massa ao Pix e aos cartões, o dinheiro em espécie caiu para apenas 6% do total das transações, contra 43% em 2020. Ainda assim, especialistas lembram que ele continua relevante em situações específicas, especialmente em regiões com menor acesso digital ou para pequenas compras do dia a dia.
A expectativa, no entanto, é que a tendência de queda continue à medida que mais brasileiros adotem novas tecnologias, como o Pix parcelado e soluções de Open Finance.
O que esperar do futuro dos pagamentos
O mercado de pagamentos no Brasil segue em transformação acelerada. O Banco Central já estuda novas funcionalidades para o Pix, como o parcelamento nativo, e a integração de serviços de Open Finance promete tornar os serviços financeiros ainda mais competitivos e personalizados.
Para o consumidor, essas mudanças significam mais opções, mais benefícios e menos dependência do dinheiro físico. Para as instituições financeiras, o desafio é oferecer soluções cada vez mais convenientes e adequadas aos diferentes perfis de clientes.
Com informações de: InfoMoney
Pode ser do seu interesse:
