O Pix, sistema de pagamento instantâneo lançado pelo Banco Central do Brasil em 2020, alcançou um marco histórico ao estrear sua operação de forma direta nos Estados Unidos. A nova funcionalidade, anunciada pela fintech brasileira PagBrasil em parceria com a gigante americana de tecnologia de pagamentos Verifone, permite que turistas brasileiros realizem compras em solo americano e paguem diretamente em reais — sem depender de cartões de crédito e com conversão cambial instantânea.
Pix avança e permite pagamentos em reais nos EUA em meio a tensões com Trump
Turistas brasileiros já podem usar Pix nos EUA e pagar em reais. Nova tecnologia da PagBrasil e Verifone converte valores em tempo real.
A novidade, batizada de Pix Internacional, já está em funcionamento em pontos de venda dos EUA, oferecendo aos consumidores uma experiência familiar, ágil e financeiramente mais vantajosa.
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Como funciona o Pix Internacional nos EUA
QR Code gerado na maquininha
A operação é simples e intuitiva. O lojista digita o valor da compra em dólares no terminal Verifone, que gera automaticamente um QR Code compatível com o Pix. O turista brasileiro, por sua vez, escaneia o código com o aplicativo do seu banco no Brasil — como Caixa, Nubank, Banco do Brasil ou Itaú — e finaliza a transação em poucos segundos.
A grande inovação está na conversão em tempo real: o valor em dólar é convertido instantaneamente para reais, já com o IOF de 3,5% embutido, e apresentado para o cliente antes da confirmação.
Benefícios para lojistas
Para os comerciantes americanos, a integração com o Pix representa economia e segurança. Enquanto pagamentos com cartão de crédito envolvem taxas que podem ultrapassar 3% por transação, o Pix Internacional opera com taxas médias de 2%. Além disso, como se trata de uma transferência bancária imediata, não há risco de chargeback, ou seja, o lojista não sofre prejuízo com estornos contestados posteriormente pelo cliente.
Parceria entre PagBrasil e Verifone torna operação possível
A tecnologia foi viabilizada pela conexão entre a PagBrasil, especializada em soluções de pagamento cross-border, e a Verifone, uma das maiores fornecedoras de terminais de pagamento do mundo. A integração utiliza a API de métodos alternativos da Verifone, compatível com maquininhas já instaladas em 75% dos grandes varejistas americanos.
Segundo Madhu Vasu, vice-presidente sênior da Verifone, a iniciativa responde a uma demanda real do comércio varejista nos EUA, especialmente em locais que recebem grande fluxo de turistas brasileiros, como Nova York, Miami e Orlando.
“Trata-se de um divisor de águas para o varejo americano. A aceitação do Pix não só facilita o pagamento para os brasileiros, como representa uma vantagem competitiva para os comerciantes”, afirmou Vasu.
Demanda crescente por soluções digitais internacionais
Comportamento do consumidor brasileiro no exterior
De acordo com dados do governo americano, os turistas brasileiros estão entre os que mais gastam nos Estados Unidos, com desembolsos superiores a US$ 4,1 bilhões por ano. Com a realização de grandes eventos, como a Copa do Mundo de Clubes de 2025 e a Copa do Mundo FIFA de 2026, esse número deve aumentar ainda mais.
Segundo Ralf Germer, CEO da PagBrasil, a iniciativa atende a um público cada vez mais digital e avesso ao uso de cartões de crédito internacionais, que implicam taxas adicionais, IOF elevado e risco de fraudes.
“Queríamos oferecer uma solução simples e econômica, usando uma ferramenta que já é parte do dia a dia dos brasileiros. O Pix já é um sucesso dentro do Brasil, e agora ganha um novo papel no cenário internacional”, disse Germer.
Resistência política nos Estados Unidos

Pix entra no radar do governo norte-americano
Apesar da inovação ser bem recebida pelo comércio e pelos consumidores, o governo dos EUA tem demonstrado preocupação. O Escritório do Representante do Comércio dos Estados Unidos (USTR) abriu uma investigação para avaliar o impacto da expansão do Pix no ambiente concorrencial do setor financeiro americano.
Segundo o relatório preliminar, o modelo do Pix poderia representar uma ameaça às empresas de pagamento americanas, por se tratar de uma tecnologia desenvolvida e regulada por um banco central estrangeiro. Entre os pontos criticados estão:
- Suposto favorecimento a sistemas nacionais em detrimento de soluções privadas internacionais;
- Restrição de atuação para fintechs estrangeiras;
- Multas aplicadas a empresas americanas de tecnologia (como redes sociais) por descumprimento de decisões judiciais no Brasil.
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Apesar da resistência institucional, especialistas avaliam que a movimentação política tende a diminuir conforme o Pix se consolide como solução segura, barata e benéfica para o consumidor e para o varejo.
Potencial de expansão global do Pix
O sucesso da operação nos EUA já levanta expectativas de expansão para outros países. Segundo a PagBrasil, existe interesse em levar a funcionalidade para regiões com grande fluxo de turistas brasileiros, como:
- Europa (principalmente Portugal, Espanha e Itália);
- América do Sul (Argentina, Uruguai e Chile);
- Ásia (com destaque para destinos como Japão e Tailândia).
O Banco Central do Brasil já havia sinalizado a possibilidade de integrar o Pix com outros sistemas de pagamentos internacionais, como parte da agenda de modernização financeira.
Interoperabilidade futura com o Drex
Outra expectativa é que o Pix venha a se integrar ao Drex, a moeda digital do Banco Central do Brasil, prevista para ser lançada oficialmente em 2026. A combinação entre Pix e Drex pode consolidar o Brasil como uma referência mundial em inovação bancária pública e em sistemas de pagamento de baixo custo.
Pix: de sistema doméstico a solução global

Desde seu lançamento, o Pix promoveu uma verdadeira revolução nos meios de pagamento no Brasil. Em menos de cinco anos, já é utilizado por mais de 150 milhões de pessoas físicas e jurídicas, com uma média de 170 milhões de transações por dia útil.
Somente em 2023, o sistema movimentou R$ 26 trilhões, ultrapassando com folga os valores registrados em TEDs, DOCs e até cartões de débito e crédito somados. O Pix também tem sido adotado por governos estaduais, empresas e até no pagamento de salários e benefícios sociais.
A nova fase internacional representa um salto ousado, e ao mesmo tempo estratégico, para consolidar o Pix como referência de pagamento rápido, seguro e acessível — agora, além das fronteiras brasileiras.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
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