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Seu cartão já vai ter PIX embutido — veja o que muda na forma de pagar

BC planeja integrar Pix a cartões físicos com NFC, eliminando QR Codes e apps. Tecnologia pode ampliar acesso e reduzir taxas nas compras.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
Pix

O Pix, sistema de transferências instantâneas criado pelo Banco Central (BC) em 2020, está prestes a dar um novo salto em sua jornada de inovação. A autarquia e as principais bandeiras de cartões de crédito estudam um projeto que promete mudar a forma como o brasileiro paga por suas compras: a integração do Pix diretamente ao chip dos cartões físicos.

Caso seja implementada, a novidade permitirá que consumidores escolham entre crédito, débito ou Pix no próprio terminal de pagamento, dispensando o uso de aplicativos, chaves Pix ou leitura de QR Codes. Será possível realizar pagamentos instantâneos por aproximação, utilizando a tecnologia NFC dos cartões — o mesmo sistema já adotado para pagamentos com cartão de crédito ou débito sem contato.

A iniciativa tem potencial para transformar novamente o mercado de meios de pagamento no país e expandir o uso do Pix em ambientes físicos, especialmente entre consumidores sem smartphones compatíveis ou com acesso limitado à internet.

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Pagamento por aproximação: Pix tão fácil quanto o cartão

Hoje, o Pix já está presente em algumas carteiras digitais, como o Google Pay, permitindo o pagamento por aproximação com celular Android. No entanto, o recurso não está disponível em iPhones, já que a Apple ainda não autorizou o uso do NFC por terceiros no sistema iOS — o que limita o alcance da tecnologia.

Com o novo projeto, essa barreira seria eliminada. O Pix viria embutido no chip dos próprios cartões, de maneira nativa, funcionando independentemente do celular do usuário. Ou seja, até mesmo quem não tem smartphone ou quem utiliza modelos antigos poderá usar o Pix por aproximação.

Como funcionaria o novo Pix por cartão:

  • O cliente aproxima o cartão da maquininha com NFC;
  • O terminal oferece as opções: crédito, débito ou Pix;
  • Ao escolher Pix, o valor é transferido instantaneamente, como em uma transferência tradicional;
  • O lojista recebe o valor na hora, sem taxas de crédito.

Vantagens para o consumidor e para o comércio

A incorporação do Pix ao cartão físico representa um avanço tanto para os consumidores quanto para os lojistas e microempreendedores, que lidam com margens apertadas e custos elevados com as maquininhas de cartão.

Para os consumidores:

  • Mais praticidade no pagamento presencial;
  • Eliminação da dependência do celular, QR Code ou chave Pix;
  • Possibilidade de uso mesmo sem internet ou apps bancários;
  • Liquidação imediata, sem risco de limites comprometidos como no crédito.

Para os lojistas:

  • Recebimento instantâneo, como no Pix tradicional;
  • Eliminação das taxas de transação de cartões de crédito e débito;
  • Maior previsibilidade de fluxo de caixa;
  • Redução da necessidade de maquininhas com leitores de QR Code.

Especialistas do setor apontam que a inovação pode representar um marco na popularização definitiva do Pix em transações do dia a dia, como em padarias, mercados, farmácias e transportes urbanos, onde agilidade e simplicidade são essenciais.

Banco Central negocia com Apple para liberar tecnologia

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Imagem: Brenda Rocha – Blossom / Shutterstock.com

Apesar do avanço nas carteiras Android, o impasse com a Apple ainda é uma das barreiras para o avanço do Pix por aproximação em todas as plataformas. O Banco Central mantém negociações com a empresa norte-americana para viabilizar o uso do NFC por carteiras de terceiros, mas a Apple resiste, priorizando o uso exclusivo do Apple Pay.

Com o Pix no cartão físico, essa limitação se tornaria irrelevante. Todos os consumidores, independentemente do celular que utilizam, teriam acesso à mesma tecnologia, promovendo uma verdadeira inclusão digital e bancária.

Pix parcelado: facilidade ou armadilha?

Enquanto o projeto do Pix por aproximação avança nos bastidores, uma outra proposta vem gerando divergências e preocupações entre especialistas e entidades de defesa do consumidor: o Pix parcelado.

Previsto para ser lançado oficialmente em 2026, o recurso permitiria o parcelamento de compras usando o Pix — algo atualmente indisponível. O objetivo do Banco Central é criar uma nova modalidade de crédito, com liquidação imediata ao lojista, mas pagamento fracionado pelo cliente.

Duas propostas em disputa:

  • Modelo dos bancos: Parcelamento vinculado à fatura do cartão de crédito, com incidência de juros e taxas.
  • Modelo do BC: Parcelamento com débito direto em conta corrente, operado pelo banco ou fintech, com condições baseadas no perfil do cliente.

A proposta do Banco Central busca preservar a lógica do Pix como sistema bancarizado e instantâneo, evitando sua transformação em um produto de crédito tradicional. No entanto, o modelo pode gerar complexidade na comunicação com o usuário, que associa o Pix à gratuidade e à simplicidade.

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Críticas e preocupações com o Pix parcelado

O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) publicou nota alertando para os riscos do novo modelo. Para a entidade, o parcelamento pode mascarar armadilhas financeiras, especialmente para famílias de baixa renda e já endividadas.

“O que se apresenta como acesso ampliado ao crédito pode, na prática, significar endividamento crescente e aprofundamento da desigualdade”, afirmou o Idec.

Segundo a entidade, o histórico de juros elevados no Brasil e a baixa educação financeira da população podem transformar o Pix parcelado em um instrumento de risco, afastando o sistema de sua proposta original de simplicidade e acesso democrático.

Pontos de atenção apontados pelo Idec:

  • Falta de clareza sobre juros e taxas aplicadas;
  • Risco de superendividamento com múltiplos parcelamentos;
  • Necessidade de diferenciação clara entre Pix à vista e Pix parcelado;
  • Preocupações com proteção de dados financeiros dos usuários.

O futuro do Pix: integração e expansão

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Imagem: Canva

O Banco Central afirma que o Pix está em constante evolução e continuará a incorporar novos recursos, sempre com foco em inclusão, eficiência e segurança. A integração ao cartão físico e o desenvolvimento do Pix parcelado são apenas alguns dos projetos em andamento.

Outros temas que estão no radar incluem:

  • Pix automático, para pagamentos recorrentes (como assinaturas);
  • Pix garantido, com reserva de saldo para pagamento futuro;
  • Integração com serviços públicos, como taxas, impostos e benefícios sociais;
  • Internacionalização do Pix, com remessas internacionais instantâneas.

Desde sua criação, o Pix já movimentou mais de R$ 25 trilhões em transações e conta com mais de 160 milhões de usuários cadastrados, consolidando-se como o principal meio de pagamento digital do Brasil.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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