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Integração com a Europa pode abrir nova fase para o Pix, segundo plano do Banco Central

Enviar dinheiro do Brasil para a Europa em poucos segundos, com valor convertido de reais para euros e menos etapas do que em uma remessa tradicional. Essa é a possibilidade aberta pelos estudos para conectar o Pix a sistemas de pagamentos instantâneos de outros países. O primeiro caminho em análise seria uma integração com o […]

Avatar de Bruna Machado Bruna Machado · · 15 min de leitura
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Enviar dinheiro do Brasil para a Europa em poucos segundos, com valor convertido de reais para euros e menos etapas do que em uma remessa tradicional. Essa é a possibilidade aberta pelos estudos para conectar o Pix a sistemas de pagamentos instantâneos de outros países.

O primeiro caminho em análise seria uma integração com o TIPS, infraestrutura administrada pelo sistema de bancos centrais da zona do euro. Segundo informações divulgadas pela imprensa, Banco Central do Brasil e Banco Central Europeu mantêm tratativas preliminares sobre a viabilidade da conexão.

A iniciativa, porém, ainda não foi oficialmente anunciada como um serviço com data de lançamento definida. O Banco Central confirmou apenas que avalia interligar o Pix a plataformas estrangeiras, tanto por acordos diretos quanto por redes capazes de conectar vários países.

Por isso, ainda não é possível fazer um “Pix internacional” oficial para qualquer conta europeia. A eventual estreia em 2028 é uma projeção ligada às etapas técnicas em estudo, não uma promessa de que o serviço estará disponível naquele ano.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O Banco Central pretende avaliar maneiras de conectar a infraestrutura do Pix a sistemas semelhantes que funcionam em outras partes do mundo. O objetivo é permitir que uma transferência iniciada no Brasil chegue ao exterior em moeda local, com mais rapidez e transparência.

A intenção foi registrada no Relatório de Gestão do Pix 2023-2025, publicado pelo BC em agosto de 2026. O documento não menciona especificamente o TIPS, mas confirma que estão em discussão conexões bilaterais e a participação em plataformas multilaterais.

Uma conexão bilateral liga diretamente os sistemas de dois países ou regiões. Já um hub multilateral funciona como uma ponte compartilhada: cada plataforma se conecta à rede e, por meio dela, pode alcançar os demais participantes.

De acordo com o relatório oficial do Banco Central, esse tipo de integração poderia viabilizar remessas internacionais e pagamentos de compras com liberação dos recursos na moeda do país de destino em poucos segundos.

O projeto faz parte de uma tendência internacional. Bancos centrais e organismos financeiros buscam diminuir a dependência de processos demorados, múltiplos intermediários e tarifas pouco transparentes nas transferências entre países.

O que é o TIPS e qual seria sua relação com o Pix?

TIPS é a sigla de TARGET Instant Payment Settlement. Trata-se da infraestrutura usada pelo Eurosistema para liquidar pagamentos instantâneos em dinheiro de banco central.

Em linguagem simples, o TIPS cumpre na Europa parte da função de infraestrutura exercida pelo Pix no Brasil. Ele permite que bancos e outros prestadores habilitados concluam transferências em segundos, 24 horas por dia e em todos os dias do ano.

O TIPS não é um aplicativo para consumidores e não substitui a conta bancária. Ele funciona nos bastidores, conectando instituições e garantindo a liquidação do dinheiro transferido.

O Banco Central Europeu explica que a plataforma processa pagamentos instantâneos em dinheiro de banco central de forma contínua. O sistema foi lançado para ampliar o alcance das transferências rápidas na Europa e reduzir a fragmentação entre os mercados nacionais.

Uma possível integração permitiria que uma ordem iniciada pelo Pix fosse reconhecida pela infraestrutura europeia. O processo também precisaria funcionar no sentido inverso, caso o acordo contemplasse transferências da Europa para o Brasil.

O TIPS funciona apenas com euro?

O euro é a principal moeda movimentada pelo TIPS, mas a plataforma foi desenvolvida para aceitar outras moedas. Esse modelo facilita transferências instantâneas dentro da Europa e abre espaço para futuras conexões internacionais.

O Banco Central Europeu já trabalha na interligação do TIPS com outros sistemas de pagamentos rápidos. Entre as iniciativas oficialmente divulgadas estão projetos envolvendo a Índia, a Suíça e a rede multilateral Nexus.

A página do Banco Central Europeu sobre pagamentos internacionais afirma que essas conexões buscam aumentar a velocidade e a transparência, além de reduzir custos e fragmentações.

O Brasil ainda não aparece na relação pública de projetos confirmados pelo órgão europeu. Isso reforça que uma ligação direta entre Pix e TIPS permanece em fase preliminar.

Como uma transferência entre Pix e Europa poderia funcionar?

O desenho final ainda não foi apresentado. Portanto, não é possível afirmar qual aplicativo seria usado, quais países participariam primeiro ou se o pagamento funcionaria por chave, QR Code ou dados bancários.

Em um cenário possível, o brasileiro abriria o aplicativo de sua instituição financeira, escolheria a opção de transferência internacional e informaria o destinatário. Antes da confirmação, a tela deveria mostrar a taxa de câmbio, as tarifas, os tributos e o valor exato que chegaria em euros.

Depois da autorização, o Pix encaminharia a ordem pela infraestrutura conectada. O dinheiro sairia em reais da conta brasileira e seria disponibilizado em euros para o destinatário, sem que ele precisasse receber a moeda brasileira.

O caminho inverso também poderia existir. Uma pessoa na Europa enviaria euros por uma instituição participante e o beneficiário receberia reais em sua conta no Brasil.

Essa descrição é apenas um exemplo de funcionamento. As autoridades ainda precisarão decidir quem fará a conversão cambial, quais instituições poderão participar e como será a identificação do destinatário.

Seria possível pagar compras na Europa com Pix?

Existe potencial para isso, mas essa funcionalidade não foi confirmada.

Em tese, uma pessoa poderia ler um QR Code em uma loja europeia e autorizar o pagamento pelo aplicativo brasileiro. O comerciante receberia euros, enquanto o valor correspondente seria debitado em reais da conta do turista.

Para que isso aconteça, seria necessário criar um padrão compatível entre os sistemas. O aplicativo também precisaria informar a cotação, o custo total e o valor convertido antes da confirmação.

A primeira versão da integração pode começar apenas com remessas entre pessoas ou contas bancárias. Pagamentos em lojas e sites poderiam ser incorporados posteriormente, conforme as regras técnicas e comerciais.

O Pix internacional será gratuito?

Não há confirmação de gratuidade.

No Brasil, transferências por Pix normalmente são gratuitas para pessoas físicas em operações sem finalidade comercial. Uma remessa internacional, contudo, envolve câmbio, obrigações regulatórias e a participação de instituições em países diferentes.

Mesmo que a transmissão da ordem ocorra em segundos, poderão existir:

  • tarifa cobrada pela instituição;
  • diferença entre a cotação comercial e a taxa oferecida ao cliente;
  • Imposto sobre Operações Financeiras, o IOF;
  • custo da conversão entre real e euro;
  • cobrança do prestador responsável pelo câmbio;
  • despesas adicionais, conforme a finalidade da remessa.

A integração pode reduzir custos ao eliminar etapas e intermediários. Isso não significa que todas as operações serão gratuitas.

Para o consumidor, o principal avanço poderá ser a transparência. Antes de confirmar a transferência, a instituição deverá deixar claro quanto será descontado em reais, quais encargos serão cobrados e quanto o destinatário receberá em euros.

Qual seria a diferença para as remessas atuais?

Hoje, brasileiros já podem enviar dinheiro para o exterior por bancos, corretoras de câmbio, fintechs e plataformas de remessas. Algumas empresas também oferecem pagamentos no exterior usando arranjos privados ligados ao Pix.

Nessas soluções, o cliente faz um Pix para uma empresa intermediária no Brasil. A empresa realiza a operação de câmbio e usa sua própria estrutura para pagar o destinatário no exterior.

Isso é diferente de uma conexão oficial entre infraestruturas nacionais de pagamentos instantâneos. Na integração planejada, Pix e sistema estrangeiro poderiam trocar ordens de forma padronizada, com regras acordadas entre autoridades e participantes.

A mudança tende a trazer maior alcance e interoperabilidade. Interoperabilidade significa permitir que sistemas diferentes se comuniquem sem exigir que o usuário conheça todas as etapas internas.

Uma conexão direta também pode aumentar a concorrência entre as instituições que oferecem remessas. Com mais prestadores capazes de usar a infraestrutura, as tarifas e margens cambiais podem ficar menores, embora esse resultado não esteja garantido.

Quem poderá se beneficiar da integração?

O projeto pode afetar pessoas físicas e empresas com relações financeiras entre Brasil e Europa.

Entre os possíveis beneficiados estão:

  • brasileiros que trabalham ou estudam na Europa;
  • imigrantes que enviam dinheiro para familiares;
  • turistas brasileiros em países europeus;
  • famílias que pagam cursos ou despesas no exterior;
  • pequenas empresas que compram produtos europeus;
  • exportadores brasileiros que recebem pagamentos em euros;
  • profissionais que prestam serviços para clientes estrangeiros;
  • europeus que visitam ou mantêm negócios no Brasil.

Para uma pequena empresa, receber em segundos pode melhorar o fluxo de caixa. Já para uma família, a vantagem pode estar na redução da espera e na visualização mais clara dos custos.

O ganho real dependerá das condições oferecidas pelos bancos e instituições participantes. Uma infraestrutura rápida não garante, por si só, uma boa taxa de câmbio.

Quais desafios precisam ser resolvidos?

Conectar dois sistemas nacionais não consiste apenas em criar uma ligação tecnológica. Brasil e União Europeia possuem regras diferentes sobre câmbio, privacidade, prevenção à lavagem de dinheiro e proteção do consumidor.

As autoridades terão de resolver questões como:

  • identificação de pagadores e recebedores;
  • conversão entre real e euro;
  • limites por operação;
  • prevenção a fraudes;
  • tratamento de erros e devoluções;
  • compartilhamento internacional de dados;
  • bloqueio de transações suspeitas;
  • responsabilização das instituições;
  • atendimento ao consumidor;
  • fiscalização tributária.

Também será necessário definir quem assumirá o risco de variação cambial durante a transferência. Mesmo em uma operação concluída rapidamente, a cotação precisa ser apresentada, aceita e garantida ao usuário.

A segurança será especialmente importante. Um sistema internacional pode atrair tentativas de fraude envolvendo falsas remessas, links maliciosos e pedidos de pagamento em moeda estrangeira.

A integração deixará o Pix menos seguro?

A conexão internacional não significa que qualquer pessoa no exterior terá acesso à conta de um brasileiro. A transação continuará dependendo da autorização do titular dentro do ambiente da instituição financeira.

As regras finais deverão prever autenticação, monitoramento de risco, identificação das partes e mecanismos de contestação. Bancos e prestadores de pagamento também continuarão responsáveis por verificar movimentações suspeitas.

O desafio está em coordenar sistemas jurídicos diferentes. Um golpe iniciado no Brasil e concluído no exterior pode exigir cooperação entre instituições de mais de um país para tentar bloquear ou recuperar o dinheiro.

Por isso, devoluções internacionais tendem a ser mais complexas do que uma transferência doméstica. As autoridades precisarão definir prazos, responsabilidades e procedimentos antes do lançamento.

Para o usuário, os cuidados básicos permanecerão os mesmos: conferir o destinatário, evitar links desconhecidos e nunca compartilhar senha ou código de segurança.

O Pix já funciona fora do Brasil?

Existem estabelecimentos e empresas no exterior que aceitam pagamentos iniciados por Pix. Essa possibilidade é oferecida por empresas privadas, geralmente em parceria com instituições de câmbio e adquirentes locais.

Nesses casos, o consumidor paga em reais pelo aplicativo brasileiro, enquanto uma intermediária converte o valor e entrega a moeda local ao comerciante. Não significa que o Pix tenha se tornado o sistema oficial de pagamentos daquele país.

O próprio Banco Central reconhece que agentes privados já desenvolvem modelos que permitem o uso do Pix por brasileiros no exterior e por estrangeiros no Brasil.

A conexão entre o Pix e uma infraestrutura pública como o TIPS seria um passo diferente. Ela criaria uma ponte institucional entre sistemas de pagamentos instantâneos, com padrões técnicos e regulatórios compartilhados.

O Pix substituirá cartão e conta internacional?

Não necessariamente.

Cartões internacionais, contas multimoedas, remessas tradicionais e transferências bancárias continuarão existindo. Cada opção poderá ser mais vantajosa conforme o valor, a urgência, a finalidade e a cotação oferecida.

Uma transferência internacional via Pix pode ser interessante para enviar dinheiro rapidamente. Um cartão pode continuar mais prático para reservas de hotel ou compras que ofereçam proteção específica. Uma conta em euro pode ser útil para quem recebe ou gasta regularmente na moeda.

O consumidor deverá comparar o custo efetivo total, e não apenas a tarifa anunciada. Uma operação aparentemente gratuita pode usar uma cotação menos vantajosa e acabar mais cara.

Quando o Pix poderá ser integrado ao sistema europeu?

Ainda não existe uma data oficial de lançamento.

As informações disponíveis indicam que as conversas estão em fase inicial e que análises jurídicas, técnicas, operacionais e de segurança são necessárias. Uma possível fase piloto em 2028 aparece como projeção, mas não foi confirmada pelo Banco Central em seus canais oficiais.

O Relatório de Gestão do Pix apresenta a internacionalização como uma frente em avaliação, sem citar o TIPS ou estabelecer calendário de implantação.

Isso significa que o projeto pode avançar, sofrer alterações, começar com alcance limitado ou até ser substituído por outro modelo. Também é possível que o Brasil opte por participar de uma rede multilateral em vez de manter apenas uma ligação direta com a Europa.

O Projeto Nexus, desenvolvido pelo Banco de Compensações Internacionais, é um exemplo desse segundo caminho. A proposta é conectar vários sistemas nacionais por meio de um padrão comum, evitando a construção de uma ligação diferente para cada dupla de países.

O brasileiro precisa fazer alguma coisa agora?

Não. A eventual integração ainda não está disponível para contratação ou ativação.

Não é necessário cadastrar uma chave internacional, atualizar o Pix ou pagar para liberar a função. Mensagens que prometam acesso antecipado devem ser tratadas como possível tentativa de golpe.

Quando um serviço oficial for lançado, as regras deverão ser comunicadas pelo Banco Central e pelas instituições participantes. Até lá, transferências internacionais devem continuar sendo realizadas por empresas autorizadas a operar no mercado de câmbio.

Antes de enviar dinheiro, o usuário deve conferir:

  • se a instituição é autorizada;
  • qual taxa de câmbio será aplicada;
  • quanto será cobrado em tarifas e tributos;
  • qual valor líquido chegará ao destinatário;
  • quanto tempo a operação levará;
  • quais são as regras de cancelamento ou devolução.

Perguntas frequentes

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Já é possível enviar Pix diretamente para uma conta na Europa?

Ainda não existe uma integração oficial que permita enviar Pix diretamente para qualquer conta europeia. Há serviços privados que usam o Pix como etapa de pagamento de uma remessa ou compra internacional.

O que é o TIPS?

O TIPS é a infraestrutura do Eurosistema que liquida pagamentos instantâneos em dinheiro de banco central. Ele funciona 24 horas por dia e permite que instituições participantes concluam transferências em segundos.

A integração do Pix com o TIPS está confirmada?

O Banco Central confirma que avalia conectar o Pix a sistemas estrangeiros, mas ainda não anunciou oficialmente uma integração com o TIPS. As informações disponíveis apontam para negociações preliminares.

O Pix internacional será lançado em 2028?

Não há data oficial. O ano de 2028 é citado como uma possível fase piloto dentro de um cronograma ainda sujeito a estudos e decisões das autoridades.

Será possível pagar com Pix durante uma viagem à Europa?

Essa possibilidade existe, mas não foi confirmada. O projeto pode começar com remessas entre contas antes de oferecer pagamentos em lojas por QR Code.

O dinheiro será convertido automaticamente para euros?

Uma futura integração deverá prever a conversão entre reais e euros. Ainda não foi definido quem fará o câmbio nem como a cotação será apresentada ao usuário.

Haverá cobrança de taxa no Pix internacional?

Provavelmente haverá algum custo relacionado ao câmbio, aos tributos ou ao serviço da instituição. O valor e a forma de cobrança ainda não foram regulamentados.

Preciso cadastrar uma nova chave Pix para usar na Europa?

Não existe cadastro de chave internacional disponível. Qualquer mensagem pedindo pagamento ou dados pessoais para ativar o chamado Pix europeu pode ser golpe.

O que muda a partir de agora?

Por enquanto, nada muda na rotina de quem usa o Pix. O sistema continua voltado principalmente às transferências e pagamentos em reais dentro do Brasil, enquanto serviços privados podem utilizá-lo como parte de operações internacionais.

A novidade está no movimento institucional. O Banco Central colocou a conexão do Pix com sistemas estrangeiros em sua agenda e reconheceu o potencial de reduzir custos, acelerar remessas e aumentar a transparência.

Uma possível ligação com o TIPS aproximaria as infraestruturas financeiras do Brasil e da Europa. Antes disso, porém, será necessário definir regras de câmbio, segurança, privacidade e atendimento ao consumidor.

O usuário deve acompanhar os comunicados oficiais e desconfiar de promessas de liberação antecipada. A integração pode representar uma mudança importante nas transferências internacionais, mas ainda é um projeto em estudo, e não uma funcionalidade disponível.

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