O Pix, sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central (BC), deve passar por uma das maiores transformações desde sua criação, em 2020. Uma proposta em análise prevê a instalação do Pix diretamente nos chips de cartões de crédito e débito, permitindo que o consumidor escolha entre crédito, débito ou Pix no momento da compra, sem precisar do celular ou de aplicativos bancários.
Fim do cartão tradicional? Pix vai mudar cartões de crédito e débito de forma drástica
O Banco Central avalia implantar o Pix em chips de cartões de crédito e débito, facilitando compras sem celular e sem QR Code.
A mudança representa uma fusão inédita entre a tecnologia por aproximação (NFC) e a liquidação imediata de transações, prometendo simplificar ainda mais o ato de pagar — tanto para consumidores quanto para lojistas.
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Um passo além do Pix tradicional

Desde seu lançamento, o Pix se consolidou como o meio de pagamento mais popular do país, ultrapassando cartões e boletos. No entanto, a necessidade de ter um smartphone compatível e conexão à internet ainda limita parte da população. A novidade proposta pelo Banco Central elimina essa barreira.
Com o Pix embutido no chip do cartão, bastará aproximar o cartão da maquininha e escolher a opção de pagamento. O sistema identificará automaticamente o tipo de operação — crédito, débito ou Pix — e processará o pagamento instantaneamente, com a liquidação em segundos.
Segundo fontes ligadas ao BC, essa integração poderá reduzir custos operacionais, eliminar QR Codes e ampliar o alcance do Pix para quem não tem conta digital ativa ou celular compatível.
Acordo em andamento com grandes empresas
Atualmente, o Pix por aproximação já funciona em plataformas Android, como o Google Pay, mas ainda não foi liberado para iPhones. O Banco Central confirmou estar em negociação com a Apple para que o recurso também esteja disponível no iOS, permitindo integração com o Apple Pay.
Essa ampliação seria estratégica, já que milhões de usuários de iPhone no Brasil ainda não conseguem usar o Pix por aproximação, dependendo de QR Codes ou transferências via aplicativo bancário.
De acordo com especialistas, a entrada do Pix no ecossistema Apple é vista como “a peça que faltava” para consolidar o meio de pagamento em todas as plataformas e faixas de renda.
Vantagens do Pix no cartão
Para consumidores
Para o consumidor, a principal vantagem será a conveniência. O pagamento poderá ser feito mesmo sem internet, sem celular e sem aplicativos bancários abertos. Além disso, como o Pix é gratuito para pessoas físicas, não haverá cobrança de tarifas adicionais.
Outra vantagem é a segurança. As transações continuarão sob os protocolos criptográficos do Banco Central, com autenticação imediata e rastreabilidade total, reduzindo o risco de fraudes em relação a cartões clonados.
Em caso de perda do cartão, os mesmos mecanismos de bloqueio já existentes no sistema bancário continuarão válidos, garantindo proteção ao usuário.
Para lojistas
Para o comércio, os benefícios podem ser ainda maiores. O Pix elimina intermediários e garante liquidez imediata, enquanto pagamentos via cartão tradicional podem demorar até dois dias úteis para cair na conta.
Com o Pix no cartão, o lojista recebe o valor em tempo real, o que melhora o fluxo de caixa, reduz custos com taxas de adquirentes e aumenta a rotatividade de capital.
De acordo com o Banco Central, isso pode representar bilhões de reais em economia anual para o setor de varejo, especialmente para micro e pequenos empreendedores.
O debate sobre o Pix parcelado

Bancos e BC divergem sobre o modelo
Paralelamente à implantação do Pix no cartão, o Banco Central prepara o Pix Parcelado, previsto para 2026. A ideia é permitir que o consumidor pague compras em parcelas, diretamente via Pix, com juros e prazos definidos pelos bancos ou fintechs.
No entanto, há divergências sobre o formato. As instituições financeiras defendem que o parcelamento ocorra via fatura do cartão de crédito, mantendo o controle dentro de seus sistemas. Já o Banco Central prefere que o débito das parcelas seja feito diretamente na conta corrente, preservando o conceito de pagamento instantâneo.
Riscos e preocupações com o endividamento
O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) expressou preocupação com a medida. Para a entidade, transformar o Pix — até então associado à gratuidade e simplicidade — em um produto de crédito pode confundir consumidores e estimular o endividamento.
O Idec recomenda transparência total nas condições de juros e prazos, além de limites claros de crédito para evitar armadilhas financeiras, especialmente entre usuários de baixa renda.
Segundo o economista e professor Ricardo Ferreira, “o Pix nasceu como uma ferramenta de inclusão e simplicidade. Se for mal conduzido, o parcelado pode descaracterizar esse papel social”.
Impacto econômico e inclusão digital
O Banco Central estima que o Pix já movimentou mais de R$ 18 trilhões em 2024, com mais de 160 milhões de usuários cadastrados. A expansão para cartões tende a democratizar ainda mais o acesso, principalmente entre idosos e pessoas de baixa renda que enfrentam dificuldades com o uso de smartphones.
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Além disso, a medida pode impulsionar a competição entre bancos, fintechs e operadoras de cartões, já que o consumidor poderá optar pelo Pix como meio principal de pagamento, reduzindo o poder das bandeiras tradicionais.
Efeito nas operadoras e nas maquininhas
A chegada do Pix ao chip dos cartões também promete transformar o mercado de adquirência. As empresas de maquininhas precisarão atualizar seus sistemas para aceitar o novo protocolo de pagamento.
Algumas já se adiantaram: companhias como Stone, PagSeguro e Cielo estão em contato com o Banco Central para realizar testes-piloto ainda em 2025. Caso o cronograma seja cumprido, a funcionalidade poderá estar disponível ao público em 2026.
Perspectivas para o futuro do Pix
Desde sua estreia, o Pix tem sido um dos maiores sucessos de inovação financeira do mundo, citado como referência por bancos centrais de países como México, Índia e Argentina. A implementação direta no cartão pode consolidar o Brasil como pioneiro em integração de pagamentos instantâneos via hardware.
O Pix no cartão se soma a outras frentes em desenvolvimento, como o Pix Internacional, que permitirá transferências entre países, e o Pix Automático, que substituirá débitos recorrentes (como assinaturas e contas mensais).
Especialistas avaliam que essas evoluções aproximam o país de um ecossistema financeiro completamente digitalizado, no qual o celular e o cartão coexistem como meios complementares de pagamento.
O que esperar do novo modelo

O projeto do Pix no cartão ainda não tem data oficial de lançamento, mas o Banco Central deve abrir consultas públicas até o fim de 2025. A expectativa é que testes iniciais com redes de adquirência comecem nos próximos meses.
Se aprovada, a medida marcará uma nova era para o sistema financeiro brasileiro, tornando o ato de pagar mais rápido, inclusivo e acessível.
O consumidor, por sua vez, poderá escolher entre crédito, débito e Pix com um único toque, tornando o cartão um verdadeiro hub de pagamentos inteligentes.
Conclusão
A chegada do Pix no cartão representa um avanço decisivo na evolução dos meios de pagamento no Brasil. Ao unir a praticidade da tecnologia por aproximação à eficiência do sistema instantâneo do Banco Central, o país dá mais um passo rumo à inclusão financeira total. A inovação promete reduzir custos, ampliar o acesso e simplificar o dia a dia de milhões de brasileiros — tudo com mais agilidade e segurança. Se bem implementado, o novo modelo tem potencial para consolidar o Pix como o principal método de pagamento do futuro, transformando de vez a forma como o brasileiro consome e movimenta seu dinheiro.
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