O Pix entrou em uma nova fase de desenvolvimento. Depois de se consolidar como um dos principais meios de pagamento utilizados no Brasil, o sistema criado pelo Banco Central (BC) deve incorporar novas possibilidades de uso nos próximos anos.
A agenda apresentada pela autoridade monetária reúne projetos que podem mudar a forma como consumidores, empresas e instituições financeiras utilizam o sistema. Entre as iniciativas estão estudos envolvendo pagamentos internacionais, duplicatas, garantias, cobrança híbrida e mecanismos relacionados à Reforma Tributária.
As informações constam no Relatório de Gestão do Pix 2023-2025, divulgado pelo Banco Central em agosto de 2026, período em que o sistema completou cinco anos de funcionamento.
A expansão ocorre em um cenário de crescimento expressivo. Em 2025, o Pix movimentou aproximadamente R$ 35,36 trilhões, ante R$ 26,46 trilhões no ano anterior. O avanço mostra que o sistema deixou de ser apenas uma alternativa para transferências entre pessoas e passou a ocupar posição estratégica no mercado de pagamentos brasileiro.
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Pix movimentou mais de R$ 35 trilhões em 2025
O crescimento do Pix pode ser observado tanto pela quantidade de transações quanto pelo dinheiro movimentado.
Em 2025, o volume financeiro chegou a R$ 35,36 trilhões, alta de cerca de 33,6% sobre 2024. O resultado reforça a importância adquirida pelo sistema desde seu lançamento, em novembro de 2020.
Ao longo desse período, o Banco Central acrescentou diferentes funcionalidades ao ecossistema. O Pix passou a ser utilizado não apenas para transferências imediatas, mas também em cobranças, pagamentos programados e compras presenciais.
Entre os recursos incorporados ao sistema estão o Pix Cobrança, Pix Saque, Pix Agendado e Pix por Aproximação.
Agora, a estratégia da autoridade monetária aponta para uma ampliação ainda maior dos casos de uso.
Quais novidades podem chegar ao Pix?
Nem todas as iniciativas apresentadas pelo Banco Central têm o mesmo nível de maturidade. Algumas estão em discussão com participantes do mercado, enquanto outras dependem de estudos adicionais, testes ou regulamentação.
Por isso, é importante diferenciar projetos em avaliação de funcionalidades efetivamente disponíveis.
Entre as frentes citadas pelo BC estão a cobrança híbrida, o pagamento de duplicatas, o split tributário, operações internacionais e o uso do Pix como instrumento de garantia.
Essas iniciativas podem atingir principalmente empresas, instituições financeiras e operações comerciais de maior complexidade.
Pix pode ser usado em operações internacionais
Uma das possibilidades de maior impacto é a expansão do Pix para operações internacionais.
O Banco Central vem estudando formas de conectar o sistema brasileiro a infraestruturas de pagamentos instantâneos de outros países. A ideia é avaliar modelos de conexão bilateral ou estruturas que permitam interoperabilidade entre diferentes sistemas.
Na prática, uma eventual integração poderia facilitar pagamentos internacionais sem depender exclusivamente dos modelos tradicionais utilizados atualmente em transferências entre países.
Ainda não existe, contudo, uma data geral para que o Pix internacional esteja disponível ao público. O projeto depende de estudos técnicos, acordos e definições regulatórias.
Para consumidores e empresas brasileiras que realizam pagamentos no exterior, a possibilidade pode representar uma evolução importante, principalmente se resultar em operações mais rápidas e simples.
Cobrança híbrida está entre os projetos
Outra frente de desenvolvimento é a chamada cobrança híbrida.
A proposta busca combinar elementos do Pix com mecanismos tradicionais de cobrança. O objetivo é ampliar as possibilidades de utilização do sistema em situações nas quais existem diferentes formas de pagamento ou estruturas de cobrança.
Esse tipo de solução pode ser particularmente relevante para empresas que trabalham com contas a receber, boletos e outros instrumentos financeiros.
A ideia não é necessariamente substituir todas as modalidades existentes, mas criar maior integração entre diferentes instrumentos.
Pix pode avançar no pagamento de duplicatas
O Banco Central também estuda o uso do Pix para a quitação de duplicatas.
A duplicata é um instrumento bastante utilizado no ambiente empresarial, especialmente em operações de compra e venda de mercadorias ou prestação de serviços.
Uma integração mais ampla com o Pix poderia facilitar a liquidação desses compromissos e aproximar o sistema de pagamentos instantâneos de processos financeiros já utilizados pelas empresas.
Para os negócios, isso pode significar maior automação e redução de etapas na rotina de contas a receber e contas a pagar.
Entretanto, assim como ocorre com outras iniciativas da agenda do BC, a possibilidade ainda depende da evolução dos estudos e das regras que eventualmente forem estabelecidas.
Pix e Reforma Tributária
Outro projeto que chama atenção é o chamado split tributário, relacionado à implementação da Reforma Tributária sobre o consumo.
O conceito envolve mecanismos capazes de separar valores correspondentes à operação comercial daqueles destinados ao recolhimento dos tributos, dentro das estruturas previstas para o novo sistema tributário.
A discussão é relevante porque a Reforma Tributária deverá modificar processos fiscais e financeiros de empresas brasileiras durante o período de transição e implementação do novo modelo.
Uma eventual integração entre meios de pagamento e mecanismos tributários pode aumentar a automação das operações.
Para empresas, isso significa que as mudanças no Pix não devem ser acompanhadas apenas pelas equipes financeiras. Áreas fiscais, contábeis, jurídicas e de tecnologia também podem ser afetadas.
É importante, porém, evitar a interpretação de que o split tributário já é uma função disponível para qualquer usuário do Pix. Trata-se de uma frente vinculada às discussões e à implementação da Reforma Tributária.
Pix em garantia também está em estudo
O Banco Central também incluiu entre suas frentes de desenvolvimento a utilização do Pix como instrumento de garantia.
A ideia está relacionada à possibilidade de utilizar recursos ou estruturas vinculadas ao sistema de pagamentos em operações financeiras que exigem garantias.
Se implementada, uma solução desse tipo poderia ampliar as possibilidades de utilização do Pix no mercado de crédito e em operações empresariais.
Esse tipo de mecanismo, entretanto, exige regras específicas para definir como seriam constituídas, controladas e executadas as garantias.
Por isso, a iniciativa deve ser acompanhada como parte da agenda de evolução do sistema, e não como um recurso já disponível nas contas dos brasileiros.
Banco Central quer combater uso inadequado das mensagens
As mudanças previstas para o Pix não estão concentradas apenas em novas formas de pagamento.
O Banco Central também passou a discutir o uso do campo de descrição das transferências.
Esse espaço foi criado para permitir que o usuário acrescentasse uma informação relacionada ao pagamento. Com a popularização do Pix, entretanto, surgiram casos de utilização da ferramenta para enviar mensagens que não têm relação com a finalidade da transferência.
A preocupação envolve especialmente mensagens ofensivas, ameaçadoras ou utilizadas de maneira inadequada.
Em 2026, o tema passou a ser discutido no âmbito do Fórum Pix, com participação de representantes do setor financeiro e de associações do mercado.
A partir das discussões, o Banco Central poderá avaliar medidas para preservar a finalidade do campo e evitar abusos.
Alertas de golpe podem ficar mais padronizados
A segurança também aparece como uma das prioridades da evolução do Pix.
Atualmente, bancos e instituições de pagamento possuem mecanismos próprios para identificar comportamentos considerados suspeitos. Quando uma operação apresenta características de risco, a instituição pode apresentar um alerta antes da conclusão.
O problema é que a experiência não é necessariamente igual em todos os aplicativos.
Uma pessoa pode receber uma mensagem de alerta diferente dependendo da instituição financeira utilizada, mesmo diante de operações com características semelhantes.
Por isso, o Banco Central discute a possibilidade de estabelecer parâmetros mais uniformes para esses avisos.
A eventual padronização poderia facilitar a compreensão do consumidor diante de uma operação suspeita e tornar os alertas mais consistentes entre diferentes instituições.
Contestação de transações ganhou novas ferramentas
O avanço da segurança do Pix também envolve os mecanismos para contestar operações relacionadas a fraude.
Desde outubro de 2025, determinadas instituições passaram a disponibilizar uma forma mais simplificada de iniciar a contestação, com recurso específico dentro do ambiente digital.
A mudança busca reduzir etapas e facilitar o registro da reclamação quando o cliente identifica uma transação fraudulenta.
Isso é especialmente importante porque o crescimento do Pix também ampliou o interesse de criminosos em golpes envolvendo engenharia social, contas de terceiros e transferências realizadas sob falsas justificativas.
Ainda assim, contestar uma operação não significa que o dinheiro será devolvido automaticamente.
A instituição precisa analisar o caso conforme os procedimentos aplicáveis e verificar as circunstâncias da transação.
O que muda para quem usa Pix no dia a dia?
Para a maioria dos consumidores, as mudanças anunciadas não significam que será necessário alterar imediatamente a maneira de utilizar o Pix.
As funções que estão sendo estudadas têm diferentes objetivos e muitas delas são direcionadas principalmente ao ambiente empresarial e financeiro.
No cotidiano, entretanto, a evolução pode resultar em novas formas de pagamento, maior integração entre serviços e mecanismos adicionais de segurança.
Um consumidor poderá, por exemplo, se beneficiar indiretamente de uma eventual expansão do Pix para pagamentos internacionais ou de melhorias nos alertas de fraude.
Já empresas tendem a sentir os efeitos de forma mais direta, especialmente nas áreas de cobrança, recebimento, conciliação financeira e integração com sistemas fiscais.
O que as empresas precisam acompanhar?
Para as empresas, a evolução do Pix merece atenção porque o sistema já faz parte de diversas rotinas financeiras.
Uma loja pode receber pagamentos instantâneos. Uma empresa de serviços pode utilizar QR Codes em cobranças. Um comércio eletrônico pode integrar o Pix ao checkout. Uma companhia maior pode conectar os recebimentos ao sistema de gestão financeira.
Com a possível chegada de novas funcionalidades, essas integrações podem ficar mais sofisticadas.
O avanço de soluções envolvendo duplicatas, cobrança e Reforma Tributária também pode exigir adaptações em sistemas de gestão empresarial.
Por isso, empresas que dependem fortemente do Pix devem acompanhar não apenas as novidades divulgadas pelos bancos, mas também os comunicados oficiais do Banco Central e as regulamentações que eventualmente transformarem os projetos em funcionalidades efetivas.
Pix vai substituir outros meios de pagamento?

Não necessariamente.
Apesar do crescimento do Pix, o mercado brasileiro continua utilizando cartões, boletos, transferências e outras formas de pagamento.
O objetivo da agenda do Banco Central é ampliar a infraestrutura e as possibilidades de utilização do sistema, e não necessariamente eliminar os demais instrumentos.
Na prática, diferentes meios podem continuar coexistindo de acordo com as necessidades de consumidores e empresas.
O Pix, porém, ganhou uma posição estratégica porque combina disponibilidade contínua, liquidação rápida e ampla integração ao sistema financeiro.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
