O Banco Central (BC) iniciou, em setembro de 2025, a padronização das regras do PIX Parcelado, modalidade que já vinha sendo oferecida por algumas instituições financeiras, mas sem normas unificadas. A mudança promete maior transparência para consumidores, segurança para lojistas e estímulo à competição entre bancos.
Banco Central vai revelar as regras do Pix parcelado ainda este mês
Banco Central define regras do PIX Parcelado neste mês, com detalhes sobre funcionamento, juros e impactos para bancos, lojistas e clientes.
Segundo o presidente do BC, Gabriel Galípolo, a regulação busca garantir uma experiência mínima padronizada, incorporando princípios de educação financeira e clareza na contratação. “O PIX Parcelado vai estimular o uso do PIX no varejo para compras de bens e serviços, especialmente aqueles de maior valor que demandam esse tipo de parcelamento”, disse Galípolo em junho.
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O que é o PIX Parcelado?
Uma nova forma de crédito no varejo
O PIX Parcelado é uma linha de crédito formal que permite ao comprador parcelar uma transação via PIX, algo semelhante ao que já ocorre com cartões de crédito.
- Para o comprador: o valor pode ser dividido em parcelas mensais, com juros ou taxas definidas pelo banco emissor.
- Para o lojista: o recebimento ocorre à vista e integralmente, no momento da compra.
- Para o sistema financeiro: representa uma alternativa ao cartão de crédito, que hoje concentra grande parte do crédito ao consumo no Brasil.
PIX Parcelado x Cartão de Crédito
Diferenças fundamentais entre as modalidades
Cartão de crédito parcelado
- Pode haver cobrança de juros explícita ou embutida no preço final do produto;
- O lojista recebe o valor da venda de forma parcelada;
- Caso o lojista queira antecipar o recebimento, paga taxa de antecipação aos bancos;
- O crédito rotativo do cartão, em caso de não pagamento integral da fatura, tem juros superiores a 15% ao mês, sendo considerado a linha mais cara do mercado.
PIX Parcelado
- O lojista recebe o valor integral no ato da compra, sem necessidade de antecipação;
- Quem paga juros é apenas o consumidor, se a transação for parcelada;
- A taxa de juros será definida pela instituição financeira do comprador, considerando seu perfil de risco;
- O Banco Central espera que os juros finais sejam menores ou equivalentes ao parcelamento “sem juros” do cartão de crédito, já que não haverá custo de antecipação para lojistas.
Como vai funcionar o PIX Parcelado?

Estrutura do modelo
- Solicitação do parcelamento:
O comprador solicita o parcelamento no momento da compra, em sua instituição financeira. - Concessão do crédito:
O banco ou fintech onde o cliente tem conta fornece o crédito, com condições de prazo e juros. - Pagamento ao lojista:
O lojista recebe o valor integral e instantaneamente, via PIX. - Cobrança ao cliente:
O consumidor paga as parcelas à sua instituição financeira, com eventuais encargos em caso de atraso. - Abrangência:
O PIX Parcelado poderá ser usado tanto para compras no varejo quanto para transferências pessoais, ampliando o leque de aplicações.
Vantagens para lojistas
Menos custos e maior previsibilidade
Segundo o BC, o PIX Parcelado é mais vantajoso para comerciantes do que o cartão de crédito:
- O recebimento à vista elimina a necessidade de antecipação;
- Não há cobrança de taxas adicionais pelos bancos para liberar o valor;
- Melhora o fluxo de caixa, permitindo maior liquidez para reinvestimentos;
- Reduz a dependência de maquininhas e operadoras de cartões.
“No PIX Parcelado, o lojista recebe o valor total no momento da venda, sem taxas de antecipação. O modelo é menos custoso que o cartão de crédito”, informou o Banco Central em nota oficial.
A posição dos bancos e da Febraban
PIX como motor de inclusão e competição
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) considera a novidade uma evolução natural do sistema de pagamentos instantâneos, que já é o método mais utilizado pelos brasileiros bancarizados.
“Trazer a opção de parcelamento da transação durante a jornada de pagamento via PIX pode ser uma nova alavanca para o uso do produto. Os clientes continuarão a escolher a forma de pagamento que melhor atenda às suas necessidades”, afirmou a Febraban em abril.
A entidade destacou ainda que:
- A oferta da linha de crédito e a taxa de juros do PIX Parcelado serão definidas por cada banco ou fintech;
- A modalidade é complementar ao cartão de crédito, não substitutiva;
- Haverá espaço para inovação e personalização do crédito.
Desafios e pontos de atenção
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Taxas de juros e educação financeira
Embora seja considerado um avanço, especialistas alertam para riscos:
- Juros: caberá a cada instituição definir taxas, que podem variar bastante;
- Endividamento: consumidores devem estar atentos para não comprometer sua renda com dívidas de longo prazo;
- Transparência: o BC exige que os bancos informem claramente o Custo Efetivo Total (CET) das parcelas, evitando práticas enganosas.
Impacto esperado no varejo
Estímulo ao consumo de maior valor
O PIX Parcelado deve impulsionar especialmente:
- Compras de bens duráveis, como eletrônicos, móveis e eletrodomésticos;
- Serviços de maior valor agregado, como pacotes turísticos e tratamentos de saúde;
- Pequenos comerciantes, que poderão oferecer parcelamento sem arcar com custos de antecipação.
Segundo economistas, a medida pode aumentar a competição com cartões de crédito e ampliar o acesso ao consumo em setores estratégicos do varejo.
PIX Parcelado como parte da estratégia do Banco Central

Inovação e inclusão financeira
Desde o lançamento do PIX em 2020, o Banco Central tem buscado:
- Estimular a competição entre bancos e fintechs;
- Reduzir custos para consumidores e lojistas;
- Ampliar o acesso a meios de pagamento digitais;
- Diminuir a dependência do cartão de crédito como principal forma de parcelamento.
O PIX Parcelado se soma a outras inovações, como o PIX Automático (débitos recorrentes) e o PIX Internacional, reforçando a estratégia de digitalização do sistema financeiro brasileiro.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
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