A partir desta quinta-feira (1º), o Pix por aproximação passa a seguir uma nova regra do Banco Central (BC). O teto específico de R$ 500 por transação deixa de existir, permitindo pagamentos acima desse valor, desde que respeitados os limites definidos para cada cliente e os mecanismos de segurança da instituição financeira.
A mudança foi determinada pela Instrução Normativa BCB nº 746, publicada em 17 de junho de 2026. A norma também alcança pagamentos iniciados pela Jornada Sem Redirecionamento (JSR) do Open Finance, incluindo operações realizadas por carteiras digitais compatíveis.
Na prática, isso não significa que qualquer pessoa poderá fazer um Pix por aproximação de valor ilimitado. O cliente poderá solicitar ao banco o aumento ou a redução dos limites, enquanto a instituição continuará aplicando suas regras de segurança.
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Até setembro, o Pix por aproximação tinha um limite máximo padronizado de R$ 500 por operação. O usuário podia reduzir esse valor e estabelecer controles adicionais, como um limite diário.
Com a nova regra, esse teto específico deixa de existir. O valor permitido passa a ser definido dentro da estrutura de limites da instituição financeira.
Na prática, um pagamento de R$ 600, R$ 1 mil ou outro valor superior a R$ 500 poderá ser realizado por aproximação caso esteja dentro do limite autorizado para aquela conta.
A mudança aproxima o funcionamento do Pix por aproximação das demais formas de iniciação do Pix, como pagamentos feitos por chave ou QR Code. Segundo o Banco Central, a medida busca dar mais flexibilidade ao usuário sem retirar os mecanismos de segurança existentes.
O que não muda?
A retirada do teto não significa ausência de limites ou de controles antifraude. O usuário continua sujeito às regras estabelecidas pela instituição financeira.
Também permanecem os mecanismos de autenticação e segurança utilizados no Pix por aproximação, como biometria ou senha do dispositivo, conforme a solução utilizada.
O cliente poderá escolher o próprio limite?
Sim. A nova regulamentação determina que as instituições disponibilizem ferramentas para que o cliente possa solicitar aumento ou redução dos limites diário e por transação.
A gestão deverá ser oferecida pelos canais da instituição, especialmente pelos aplicativos bancários.
O caminho exato pode mudar de um banco para outro. Em geral, o usuário deverá procurar a área de Pix, segurança ou limites dentro do aplicativo.
Como alterar o limite do Pix por aproximação?
O procedimento pode variar conforme o banco ou a carteira digital. De forma geral, o cliente deverá:
- abrir o aplicativo da instituição financeira;
- acessar a área do Pix;
- procurar as configurações de limites ou segurança;
- selecionar a opção relacionada ao Pix por aproximação, quando disponível;
- solicitar o novo limite;
- realizar a autenticação exigida pelo banco.
A aprovação do novo valor continua sujeita aos procedimentos de segurança da instituição.
Como funciona o Pix por aproximação?
O Pix por aproximação utiliza a tecnologia NFC (Near Field Communication), que permite a comunicação entre dispositivos próximos. É a mesma tecnologia empregada em diversos pagamentos por aproximação com cartões e dispositivos móveis.
Segundo o Banco Central, o recurso pode funcionar pelo aplicativo da própria instituição financeira ou por uma carteira digital compatível.
No modelo com carteira digital, o usuário precisa vincular previamente sua conta bancária à carteira. Essa autorização ocorre por meio do Open Finance e, depois de realizada, não precisa ser repetida a cada pagamento.
Como fazer um Pix por aproximação?
Depois de configurar o recurso, o pagamento normalmente segue estas etapas:
- informar ao estabelecimento que o pagamento será feito via Pix;
- conferir o valor e os dados da cobrança;
- aproximar o celular ou dispositivo compatível da maquininha;
- realizar a autenticação solicitada;
- confirmar a operação.
A experiência pode variar de acordo com o banco, a carteira digital, o aparelho e a maquininha utilizada.
Para usar a tecnologia, o celular precisa ser compatível com NFC e o equipamento do estabelecimento também deve estar habilitado para esse tipo de operação.
O que é a Jornada Sem Redirecionamento do Open Finance?
A Jornada Sem Redirecionamento (JSR) é uma estrutura do Open Finance criada para simplificar pagamentos. Ela permite que o cliente conclua determinadas operações sem precisar ser enviado para o aplicativo da instituição onde mantém a conta.
No caso do Pix por aproximação, essa tecnologia permite que uma carteira digital se conecte à conta bancária previamente autorizada pelo cliente. O Banco Central regulamentou a estrutura justamente para reduzir etapas e tornar a experiência de pagamento mais fluida.
O Open Finance, nesse contexto, não significa que o banco ou a carteira terá acesso irrestrito às informações do cliente. O compartilhamento depende de autorização e segue regras específicas de segurança.
É seguro fazer Pix por aproximação?
A tecnologia possui mecanismos de autenticação e segurança, mas a retirada do limite de R$ 500 torna ainda mais importante conferir a operação antes da confirmação.
O próprio Banco Central informa que o Pix por aproximação utiliza mecanismos como autenticação do dispositivo e criptografia.
O principal cuidado está relacionado ao fato de que o pagamento pode ser realizado de maneira mais rápida do que no Pix tradicional. Por isso, antes de aproximar o aparelho, o consumidor deve verificar o valor e os dados apresentados para a cobrança.
Como evitar problemas?
Algumas medidas simples ajudam a reduzir o risco de pagamentos indevidos:
- confira o valor antes de aproximar o celular;
- verifique o estabelecimento e os dados da cobrança;
- mantenha bloqueio de tela e biometria ativados;
- evite entregar o aparelho desbloqueado a terceiros;
- acompanhe as notificações das transações;
- confira regularmente os limites configurados no aplicativo;
- em caso de perda ou roubo do aparelho, entre em contato imediatamente com a instituição financeira.
A possibilidade de realizar pagamentos acima de R$ 500 não elimina a necessidade de autenticação ou os controles de segurança definidos pelas instituições.
Por que o Banco Central retirou o limite de R$ 500?
A mudança faz parte de um processo de aproximação entre o Pix por aproximação e as demais formas de utilização do sistema.
Quando a modalidade foi estruturada, o Banco Central estabeleceu inicialmente o limite de R$ 500 por transação. Com a evolução da solução, a autoridade monetária decidiu permitir que os valores fossem administrados dentro da estrutura geral de limites do Pix.
Segundo o BC, a alteração permite que o usuário ajuste o recurso às suas necessidades, mantendo os mecanismos de proteção existentes.
A nova regra também padroniza o tratamento das transações iniciadas por aproximação e das operações realizadas por meio da Jornada Sem Redirecionamento do Open Finance.
Quando o Pix por aproximação começou a funcionar?
O Banco Central estabeleceu fevereiro de 2025 como o período para o lançamento amplo do Pix por aproximação. A tecnologia foi desenvolvida dentro do processo de expansão do Open Finance e da simplificação da iniciação de pagamentos.
A modalidade permite realizar um Pix aproximando o celular de uma maquininha compatível, sem a necessidade de escanear um QR Code.
Há duas formas principais de utilização: diretamente pelo aplicativo da instituição financeira ou por meio de uma carteira digital que ofereça a funcionalidade.
Pix por aproximação ainda representa uma pequena parcela dos pagamentos
Apesar da expansão do Pix no país, a modalidade por aproximação ainda responde por uma parcela pequena das operações.
Em agosto de 2026, o Pix registrou aproximadamente 8,11 bilhões de transações e movimentou R$ 3,73 trilhões, segundo dados do Banco Central. O número de operações foi o maior registrado em um único mês desde o lançamento do sistema.
No mesmo mês, o Pix por aproximação registrou cerca de 2 milhões de operações, o equivalente a aproximadamente 0,06% de todas as transações Pix no período. Em janeiro, eram cerca de 1,06 milhão de operações.
Os números mostram que a modalidade ainda está distante do volume do Pix tradicional, mas também indicam crescimento ao longo de 2026.
O que muda para o consumidor na prática?

Para quem já utiliza o Pix por aproximação, a principal alteração é a possibilidade de realizar pagamentos superiores a R$ 500 sem que exista um teto regulatório específico para cada operação.
Um consumidor que antes precisaria recorrer a outro meio de pagamento para uma compra de R$ 700, por exemplo, poderá usar o Pix por aproximação se o limite configurado para sua conta permitir.
Para quem prefere manter uma proteção adicional, também será possível solicitar um limite menor. Assim, o fim do teto de R$ 500 não obriga o consumidor a aumentar o valor disponível para pagamentos por aproximação.
Conclusão
A mudança amplia as possibilidades de uso do Pix por aproximação, mas não elimina os limites nem os mecanismos de segurança das instituições financeiras. A partir de agora, pagamentos acima de R$ 500 poderão ser realizados pela modalidade quando estiverem dentro do limite autorizado para cada cliente.
Para o consumidor, a principal novidade é a maior liberdade para definir quanto poderá movimentar por aproximação. Antes de utilizar o recurso, porém, é recomendável conferir as configurações no aplicativo do banco, manter os mecanismos de autenticação ativados e verificar cuidadosamente o valor da cobrança antes de confirmar a transação.
