O Pix está cada vez mais próximo de se tornar o principal meio de pagamento do comércio eletrônico brasileiro. Levantamento da Visa Conecta mostra que o sistema de transferências instantâneas criado pelo Banco Central do Brasil já foi utilizado por 45% dos consumidores na última compra online, praticamente empatado com o cartão de crédito, que lidera com 47%.
Disputa entre Pix e cartão pode alterar mercado de pagamentos
Pix já é usado por 45% nas compras online e se aproxima do cartão. Veja dados do estudo e o que muda no e-commerce brasileiro.
O estudo “Panorama E-commerce”, realizado com 1.521 brasileiros em dezembro de 2025, revela uma mudança estrutural no comportamento do consumidor digital no país — e aponta desafios importantes para o varejo.
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Pix x cartão: quem ganha em cada situação
Os dados mostram que Pix e cartão convivem com funções bem definidas na jornada de compra.
Quando o Pix é preferido
O Pix já foi utilizado por 95% dos consumidores digitais e é escolhido principalmente por:
- Rapidez (56%)
- Aprovação imediata (52%)
- Praticidade (52%)
Para compras à vista, promoções relâmpago ou pagamentos urgentes, o consumidor tende a optar pelo sistema instantâneo.
Exemplo comum: ao comprar um produto com desconto exclusivo para pagamento imediato, o Pix costuma ser a primeira escolha.
Quando o cartão ainda domina
O cartão de crédito permanece relevante por três fatores principais:
- Parcelamento (53%)
- Hábito de uso (40%)
- Controle financeiro (38%)
Em compras de maior valor — como eletrônicos ou passagens aéreas — o parcelamento ainda pesa na decisão.
Satisfação quase empatada
Em termos de aprovação, os dois meios apresentam índices semelhantes:
- Pix: 78%
- Cartão de crédito: 74%
A diferença é pequena, o que reforça a consolidação do Pix no ambiente digital, inclusive em compras online.
O gargalo do e-commerce está no pagamento
O estudo aponta um dado preocupante para o varejo: 58% dos consumidores que desistiram de uma compra abandonaram o carrinho na etapa de pagamento.
Desse total:
- 37% desistem na escolha do método
- 21% abandonam ao inserir ou confirmar dados
Isso significa que a experiência de checkout ainda é um dos maiores desafios para lojas virtuais.
O celular domina as compras no Brasil
O comércio eletrônico brasileiro é fortemente mobile.
Onde os brasileiros compram
- Celular: 79%
- Desktop/notebook: 12%
- Tablet: 6%
A compra pelo smartphone já é regra, não exceção.
No entanto, no caso do Pix, muitas vezes o consumidor precisa sair do ambiente da loja para abrir o aplicativo bancário, o que quebra a fluidez da experiência — principalmente no m-commerce.
Segurança ainda é ponto sensível
Apesar da popularidade, o Pix enfrenta desafios relacionados à segurança.
Segundo o levantamento:
- 62% dos usuários relataram algum tipo de fraude envolvendo Pix
- 36% relataram problemas com cartão de crédito
- 61% demonstram insatisfação com políticas de reembolso no Pix
Vale lembrar que o Banco Central do Brasil implementou mecanismos como o Mecanismo Especial de Devolução (MED) para casos de fraude, mas a percepção de risco ainda é maior em comparação ao cartão, que oferece chargeback estruturado há décadas.
Onde e quando os brasileiros compram
De quem compram
- Marketplaces: 71%
- Sites próprios de lojas: 20%
- Redes sociais ou links diretos: 8%
Em que horário compram
- Tarde: 38%
- Noite: 37%
- Manhã: 25%
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Entre jovens de 18 a 24 anos, 48% das compras acontecem à tarde ou à noite.
Além disso:
- 34% compram online ao menos uma vez por semana
- 52% compram quinzenal ou mensalmente
- Entre jovens, 45% realizam compras semanais
O e-commerce já é parte consolidada da rotina brasileira.
Integração é o próximo passo
Segundo a Visa Conecta, o futuro do e-commerce passa por integração mais fluida dos pagamentos.
Os consumidores indicam interesse em:
- Concluir Pix em poucos segundos sem sair da loja (87%)
- Vincular dados bancários para agilizar compras futuras (70%)
Soluções como Pix por aproximação, Pix automático e integração direta via APIs bancárias podem reduzir fricções e elevar a taxa de conversão.
O que isso significa para o varejo
Para empresas, o recado é claro:
- Oferecer múltiplos meios de pagamento é obrigatório
- Simplificar checkout aumenta conversão
- Reduzir etapas diminui abandono de carrinho
- Investir em antifraude é essencial
Pequenos negócios que utilizam Pix conseguem liquidez imediata e menor custo operacional, já que não há taxa de antecipação como no cartão.
Por outro lado, não oferecer parcelamento pode limitar vendas de alto valor.
Pix pode ultrapassar o cartão?
O ritmo de crescimento indica que o empate técnico pode se transformar em liderança nos próximos anos.
Desde o lançamento em 2020, o Pix já se tornou o meio de pagamento mais utilizado no Brasil em número de transações totais, segundo dados do Banco Central.
No ambiente online, a disputa agora é direta — e o consumidor brasileiro mostra estar confortável com ambos.
A tendência aponta para coexistência estratégica: Pix para rapidez e pagamento à vista; cartão para parcelamento e compras maiores.
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