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Dinheiro vivo perde espaço para o Pix no dia a dia dos brasileiros

Relatório mostra que o Pix acelerou os pagamentos digitais e fez o uso de dinheiro em espécie cair no Brasil. Confira os dados.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
Dinheiro vivo perde espaço para o Pix no dia a dia dos brasileiros

O sistema financeiro brasileiro vive uma transformação que já influencia a forma como consumidores e empresas realizam pagamentos no dia a dia. Um novo levantamento internacional mostra que o Brasil consolidou sua posição como um dos mercados mais digitalizados do mundo, impulsionado principalmente pelo sucesso do Pix.

Enquanto diversos países da América Latina ainda utilizam dinheiro em espécie com frequência elevada nas compras presenciais, os brasileiros seguem uma trajetória diferente. O pagamento instantâneo desenvolvido pelo Banco Central ganhou espaço em praticamente todos os setores da economia e reduziu significativamente a dependência do dinheiro físico.

Os dados fazem parte da 11ª edição do Global Payments Report, estudo que analisa tendências de pagamentos em dezenas de mercados e aponta mudanças no comportamento dos consumidores ao redor do mundo.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Brasil utiliza menos dinheiro em espécie do que outros países da região

Segundo o relatório, o dinheiro em espécie representou apenas 12% do valor movimentado nas compras presenciais realizadas no Brasil em 2025.

O percentual coloca o país como o mercado latino-americano com menor participação do dinheiro físico entre os países analisados.

Para efeito de comparação, a média da América Latina permanece em 23%, enquanto a média global é de 14%.

Na prática, isso significa que os consumidores brasileiros utilizam meios eletrônicos de pagamento com frequência superior à observada na maior parte da região.

Esse comportamento aproxima o Brasil de economias onde os pagamentos digitais já estão amplamente consolidados, como Estados Unidos e Reino Unido.

O Pix é apontado como principal responsável pela mudança

O estudo atribui boa parte dessa transformação ao Pix, lançado pelo Banco Central em novembro de 2020.

Desde sua criação, o sistema permitiu transferências e pagamentos instantâneos durante 24 horas por dia, sete dias por semana, sem necessidade de utilizar dinheiro em espécie ou cartões em diversas situações.

Além da rapidez das transações, a gratuidade para pessoas físicas em grande parte das operações e a facilidade de uso contribuíram para a rápida adoção do sistema por consumidores, empresas e órgãos públicos.

Hoje, o Pix está presente em pequenos comércios, grandes redes varejistas, prestadores de serviços, plataformas digitais e até mesmo em pagamentos de tributos e benefícios sociais.

Pagamentos instantâneos dominam parte do comércio eletrônico

Outro destaque do levantamento é o crescimento dos chamados pagamentos A2A (Account-to-Account), modalidade em que o dinheiro é transferido diretamente entre contas bancárias sem necessidade de intermediários tradicionais.

No comércio eletrônico brasileiro, essa categoria respondeu por 42% do valor movimentado em 2025, demonstrando que os consumidores passaram a utilizar cada vez mais o Pix durante compras online.

Essa mudança reduz etapas do pagamento e oferece confirmação praticamente imediata para consumidores e lojistas.

Para o comércio, isso também representa vantagens como liquidação mais rápida dos valores e redução de determinados custos operacionais.

Pix também ganha espaço nas compras presenciais

O avanço não ocorreu apenas nas vendas pela internet.

Nos estabelecimentos físicos, os pagamentos instantâneos responderam por 34% do valor movimentado em 2025, segundo o relatório.

Esse crescimento acompanha a popularização dos QR Codes, das maquininhas compatíveis com Pix e da integração do sistema aos aplicativos bancários.

Hoje, é comum encontrar comerciantes que aceitam pagamentos instantâneos desde pequenas compras em feiras livres até operações de maior valor em concessionárias, clínicas e lojas especializadas.

Brasil lidera os pagamentos A2A na América Latina

Quando o assunto são pagamentos diretos entre contas bancárias, o Brasil aparece muito à frente dos demais mercados latino-americanos analisados.

No comércio eletrônico, a participação dessa modalidade alcançou 42% no Brasil.

Na sequência aparecem:

  • Colômbia: 34%;
  • Argentina: 15%;
  • Chile: 12%;
  • México: 6%;
  • Peru: 6%.

A diferença torna-se ainda mais expressiva nas compras realizadas em pontos de venda físicos.

Enquanto o Brasil registra participação de 34%, a Argentina aparece em segundo lugar com cerca de 10%.

Nos demais países avaliados, essa modalidade ainda possui presença bastante reduzida.

Os números mostram que o mercado brasileiro desenvolveu uma infraestrutura de pagamentos instantâneos mais madura e amplamente utilizada.

O que explica o sucesso do Pix?

Especialistas apontam que o crescimento do Pix resulta da combinação de diversos fatores.

O primeiro deles é a simplicidade de utilização.

Em poucos segundos, consumidores conseguem realizar pagamentos utilizando apenas uma chave cadastrada, QR Code ou informações bancárias.

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Outro aspecto importante é a disponibilidade contínua.

Diferentemente de sistemas tradicionais que dependiam de horários bancários, o Pix funciona todos os dias, inclusive durante fins de semana e feriados.

A velocidade da liquidação também aumentou a confiança de comerciantes, que recebem a confirmação quase instantaneamente.

Além disso, o Banco Central vem ampliando continuamente as funcionalidades do sistema, incorporando novos recursos voltados tanto para pessoas físicas quanto para empresas.

Expansão internacional fortalece o sistema

O relatório também destaca o avanço do Pix além das fronteiras brasileiras.

Nos últimos anos, soluções que permitem pagamentos por turistas estrangeiros começaram a ganhar espaço em alguns estabelecimentos comerciais.

Ao mesmo tempo, instituições financeiras e empresas de tecnologia vêm desenvolvendo integrações capazes de facilitar pagamentos internacionais utilizando infraestrutura semelhante à adotada no Brasil.

Embora o sistema ainda seja predominantemente doméstico, sua experiência desperta interesse de outros países que estudam modelos de pagamentos instantâneos.

Dinheiro em espécie ainda não desapareceu

Apesar da forte digitalização, o dinheiro continua desempenhando papel importante na economia.

Ele permanece como alternativa em regiões com acesso limitado à internet, durante falhas tecnológicas ou para consumidores que preferem pagamentos tradicionais.

Além disso, determinados segmentos da população ainda utilizam o dinheiro como principal meio para controle financeiro ou por menor acesso aos serviços bancários.

Por isso, especialistas afirmam que a tendência é de convivência entre diferentes meios de pagamento durante os próximos anos.

O impacto para consumidores e empresas

Pensão
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

A popularização dos pagamentos digitais trouxe mudanças significativas para todos os participantes do mercado.

Para os consumidores, houve maior praticidade, rapidez e disponibilidade de serviços.

Para empresas, os pagamentos instantâneos representam redução do tempo de recebimento, melhoria no fluxo de caixa e novas possibilidades de integração com sistemas financeiros.

Já para o setor público, a infraestrutura criada pelo Banco Central facilita a distribuição de benefícios, recolhimento de tributos e modernização de diversos serviços.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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