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Pix entra em nova fase: Banco Central avalia ligação com sistema europeu

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 5 min de leitura
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O Pix pode ganhar uma nova dimensão internacional. O Banco Central do Brasil e o Banco Central Europeu (BCE) iniciaram uma avaliação conjunta sobre a possibilidade de conectar o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos ao TIPS (TARGET Instant Payment Settlement), infraestrutura utilizada pelo Eurosistema.

O estudo começou em 24 de setembro de 2026 e ainda está em fase de análise. As duas autoridades vão examinar aspectos técnicos, operacionais, jurídicos e comerciais antes de decidir se a integração é viável.

A eventual conexão poderá facilitar pagamentos entre o Brasil e países que utilizam o euro, permitindo que determinadas transferências internacionais sejam processadas de forma mais rápida e com recursos disponibilizados em moeda local.

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Como funcionaria a conexão entre Pix e TIPS

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O Pix é a infraestrutura de pagamentos instantâneos criada e administrada pelo Banco Central, enquanto o TIPS é uma plataforma do Eurosistema destinada à liquidação de pagamentos instantâneos em euros.

Uma integração entre os dois sistemas não significaria simplesmente transformar o Pix em um meio de pagamento internacional. Seria necessário criar mecanismos para que as duas infraestruturas se comuniquem, respeitando as regras de cada jurisdição.

Na prática, uma operação poderia começar com um pagamento em reais no Brasil e resultar na disponibilização do valor correspondente em euros para o destinatário na Europa. No sentido contrário, uma pessoa na área do euro poderia enviar recursos que chegariam ao beneficiário brasileiro em reais.

O objetivo informado pelo Banco Central é justamente estudar uma estrutura que permita transações transfronteiriças mais rápidas, eficientes e potencialmente menos custosas.

O que muda para brasileiros

Se a conexão for implementada, um dos possíveis impactos será facilitar operações de brasileiros que mantêm relações financeiras com países da área do euro.

Um estudante brasileiro que esteja fazendo intercâmbio em Portugal, por exemplo, poderia ter alternativas mais rápidas para receber recursos da família no Brasil. Da mesma forma, uma empresa brasileira que compra produtos ou serviços de fornecedores europeus poderia, no futuro, contar com uma infraestrutura mais ágil para determinados pagamentos internacionais.

Turistas também poderiam ser beneficiados. Em uma eventual operação integrada, uma compra realizada na Europa poderia ser liquidada por meio de uma infraestrutura conectada ao Pix, embora o formato exato dessa experiência ainda não esteja definido.

É importante destacar que nada disso está disponível automaticamente hoje. O Banco Central apenas iniciou o estudo de viabilidade, e não há, até o momento, uma data anunciada para o funcionamento de uma conexão Pix-TIPS.

Pix internacional pode reduzir custos?

Um dos principais objetivos apontados pelo Banco Central é diminuir custos associados a pagamentos internacionais.

Atualmente, uma transferência entre países pode envolver diferentes instituições, conversão de moedas, tarifas e etapas de processamento. Uma infraestrutura de pagamentos instantâneos conectada poderia reduzir parte dessas etapas.

Isso não significa necessariamente que todas as remessas entre Brasil e Europa seriam gratuitas. Ainda poderiam existir custos relacionados ao câmbio, às instituições participantes e aos serviços utilizados.

O benefício potencial está principalmente na modernização da infraestrutura. Ao conectar sistemas instantâneos, os bancos centrais podem criar caminhos mais diretos para determinadas transações transfronteiriças.

O Banco Central afirma que esse tipo de integração pode aumentar a velocidade, reduzir custos, ampliar o acesso e melhorar a transparência dos pagamentos internacionais.

O que ainda precisa ser definido

A avaliação conjunta envolve quatro grandes dimensões: tecnologia, operação, legislação e modelo de negócios.

Na parte técnica, será necessário definir como os sistemas irão trocar informações e processar as operações. Também será preciso estabelecer mecanismos de segurança, autenticação e prevenção de fraudes.

O aspecto jurídico é igualmente relevante. Uma transferência internacional envolve regras cambiais, proteção de dados, prevenção à lavagem de dinheiro e outras exigências regulatórias que precisam ser compatibilizadas entre as jurisdições.

Outro ponto será definir como funcionará o câmbio. Uma operação em reais e euros exige conversão monetária, e as instituições precisarão estabelecer como serão calculadas as taxas e quem participará desse processo.

Por isso, a conclusão do estudo de viabilidade será determinante para saber se e de que maneira a conexão poderá sair do papel.

Pix amplia estratégia de internacionalização

A iniciativa com o BCE faz parte de uma estratégia mais ampla do Banco Central para conectar o Pix a outras infraestruturas de pagamentos instantâneos.

A autoridade monetária afirma que busca interligar o sistema brasileiro a estruturas multilaterais e de outras jurisdições. A intenção é ampliar as possibilidades de pagamentos internacionais e permitir que recursos sejam disponibilizados em moeda local em poucos segundos em determinadas operações.

Esse movimento ocorre depois de o Pix se consolidar como uma das principais formas de pagamento utilizadas no Brasil. Sua expansão para operações internacionais representa, portanto, uma mudança de escala: em vez de funcionar apenas como infraestrutura doméstica, o sistema passa a ser considerado dentro de iniciativas de conexão entre diferentes mercados.

Quando o Pix poderá funcionar na Europa?

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Ainda não existe uma data oficial para o início de operações entre Pix e TIPS.

O anúncio de setembro de 2026 representa o começo de uma avaliação, e não a confirmação de que a integração será implementada. Antes de qualquer lançamento, os bancos centrais precisarão concluir os estudos e definir os requisitos técnicos, regulatórios e operacionais.

Por enquanto, quem precisa enviar dinheiro entre Brasil e Europa continua utilizando os serviços internacionais disponíveis atualmente, como bancos, instituições de pagamento e empresas especializadas em remessas.

Se a integração avançar, entretanto, o projeto poderá representar uma nova etapa para os pagamentos internacionais, aproximando duas infraestruturas públicas de pagamentos instantâneos e potencialmente tornando operações entre Brasil e Europa mais rápidas e simples.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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