As recentes mudanças nas políticas de vistos estudantis dos Estados Unidos têm gerado apreensão entre estudantes brasileiros e suas famílias. Um mês e meio após o anúncio das novas regras pela Embaixada dos EUA no Brasil, agências de intercâmbio relatam temor por parte de quem pretende investir na educação em instituições norte-americanas.
Novas políticas dos EUA semeiam dúvidas e incerteza entre estudantes
Mudanças em vistos e redes sociais nos EUA preocupam estudantes brasileiros e geram incerteza em intercâmbios.
As medidas incluem a análise detalhada de perfils de redes sociais dos solicitantes e uma fiscalização mais rigorosa de vistos nas categorias F, M e J, usadas por estudantes, intercambistas e participantes de programas de treinamento. O clima de incerteza aumenta diante de tensões nas relações internacionais e anúncios anteriores do governo Trump, como a taxação de produtos brasileiros e restrições a universidades.
“Para viabilizar essa verificação, todos os solicitantes de visto de estudante (F, M e J) deverão ajustar as configurações de privacidade de seus perfis de mídias sociais para o modo ‘público’. Os EUA devem manter vigilância rigorosa durante o processo de emissão de vistos para garantir que os solicitantes não representam risco à segurança dos americanos e aos interesses nacionais”, afirmou a embaixada.
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Reações de agências de intercâmbio

A Associação de Agências de Intercâmbio (Belta) avalia que, apesar do incômodo inicial, os estudantes irão se adaptar às novas regras. O presidente da Belta, Alexandre Argenta, destacou que mudanças desse tipo podem assustar temporariamente, mas fazem parte do processo natural de imigração:
“Por mais que assuste algumas pessoas no curto prazo, no médio e longo prazos se torna algo natural e comum nesses processos de vistos para os Estados Unidos. As pessoas vão se adequar.”
A associação representa 50 agências, que juntas contam com mais de 300 pontos de venda no Brasil. Segundo Argenta, não houve aumento significativo de negativas de visto desde a implementação das novas normas, mas algumas análises têm demorado mais, gerando apreensão.
Experiências de estudantes brasileiros
Alguns estudantes relatam ansiedade e insegurança diante das exigências. José Márcio (nome fictício), por exemplo, buscava um curso intensivo de inglês e conseguiu o visto na primeira tentativa, mas descreveu o processo como estressante:
“Fiquei muito preocupado antes da entrevista, porque vi que muitos vistos estavam sendo negados. A ansiedade só foi embora quando passei pelo controle da imigração.”
Já Maria Fernanda (nome fictício), universitária aprovada em curso de Marketing, ainda aguarda a análise do visto e manifesta receio de atrasos que possam impactar o início das aulas:
“Tenho receio de não conseguir a aprovação logo de primeira, porque, se houver atraso, pode atrapalhar todo o cronograma do início das aulas.”
Adaptação às novas regras
Especialistas em Direito Internacional e imigração afirmam que os vistos para estudantes não são um direito, mas uma permissão concedida pelas autoridades. O advogado Fábio Gioppo explica que a exigência de deixar os perfis de redes sociais abertos pode se estender a outras categorias de visto:
“Até pessoas com conexão podem estar sujeitas a essa norma. Se seu destino final não é os Estados Unidos, mas seu voo passa por lá, para uma conexão, você pode ser abordado e ter que apresentar as redes sociais.”
Segundo ele, os perfis devem refletir um estilo de vida compatível com o objetivo educacional. Conteúdos agressivos ou extremistas podem impedir a aprovação, enquanto atividades acadêmicas e viagens podem favorecer o pedido.
Impactos no mercado de intercâmbio
Agências como Central do Estudante e CI Intercâmbio relatam que houve diminuição na busca pelos Estados Unidos como destino. Ligia Faria, diretora da CI Intercâmbio, afirma que muitas famílias agora procuram alternativas mais previsíveis, como Inglaterra, Canadá e Austrália, que oferecem segurança e custos relativamente competitivos:
“Não existe previsibilidade, e as famílias que vão investir milhares de reais em estudos precisam de segurança. Por isso, estamos ampliando opções de destinos.”
O cenário de instabilidade pode afetar fluxo de estudantes e turistas, impactando a economia educacional americana, que depende da receita gerada por estudantes internacionais.
Suspensão e demora nos processos
A emissão de vistos estava suspensa desde 27 de maio, dias após a proibição de Harvard de receber estudantes estrangeiros. Após a retomada, algumas entrevistas demoraram mais para análise. Carla Amaral, diretora da Central do Estudante, explicou:
“Foi muito corrido, mas todos os alunos conseguiram o visto. No entanto, percebo mais casos sem definição de família ou escola para os estudantes brasileiros, o que pode reduzir o número de interessados na próxima temporada.”
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A falta de padrão na concessão dos vistos também preocupa. Ligia Faria observou que agora alguns solicitantes saem da entrevista sem saber o resultado, sendo informados posteriormente por e-mail.
Categorias de visto estudantil
Os três principais vistos estudantis são:
- F-1: Cursos acadêmicos em universidades, escolas de idiomas ou colégios. Permite trabalhar até 20 horas semanais no campus e programas opcionais de estágio após um ano.
- M-1: Cursos técnicos ou profissionalizantes, como culinária, design ou mecânica.
- J-1: Intercâmbio cultural, ensino, pesquisa, consultoria ou treinamento médico.
Todos exigem comprovação de matrícula e capacidade financeira, além do pagamento de taxas SEVIS e consulares.
Taxa adicional para turismo

O governo norte-americano aprovou, em julho, uma nova taxa de US$ 250 para vistos de turismo (B1/B2), que se soma à taxa existente de US$ 185, totalizando US$ 459. A cobrança será feita apenas na emissão do visto e sem exceções.
Perspectivas futuras
Apesar das mudanças e da tensão inicial, especialistas avaliam que o cenário continua promissor para estudantes brasileiros. Guilherme Vieira, diretor da On Set Consultoria Internacional, afirma:
“O governo dos EUA nunca fechou as portas para o ensino internacional e depende da presença de estudantes estrangeiros para movimentar bilhões de dólares na economia educacional e para ecossistemas de pesquisa e inovação.”
Com informações de: Fonte: On Set Consultoria Internacional via Estado de Minas
