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Novas políticas dos EUA semeiam dúvidas e incerteza entre estudantes

Mudanças em vistos e redes sociais nos EUA preocupam estudantes brasileiros e geram incerteza em intercâmbios.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos5 min de leitura
Uma jovem de jaquetas jeans segurando livros

As recentes mudanças nas políticas de vistos estudantis dos Estados Unidos têm gerado apreensão entre estudantes brasileiros e suas famílias. Um mês e meio após o anúncio das novas regras pela Embaixada dos EUA no Brasil, agências de intercâmbio relatam temor por parte de quem pretende investir na educação em instituições norte-americanas.

As medidas incluem a análise detalhada de perfils de redes sociais dos solicitantes e uma fiscalização mais rigorosa de vistos nas categorias F, M e J, usadas por estudantes, intercambistas e participantes de programas de treinamento. O clima de incerteza aumenta diante de tensões nas relações internacionais e anúncios anteriores do governo Trump, como a taxação de produtos brasileiros e restrições a universidades.

“Para viabilizar essa verificação, todos os solicitantes de visto de estudante (F, M e J) deverão ajustar as configurações de privacidade de seus perfis de mídias sociais para o modo ‘público’. Os EUA devem manter vigilância rigorosa durante o processo de emissão de vistos para garantir que os solicitantes não representam risco à segurança dos americanos e aos interesses nacionais”, afirmou a embaixada.

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Reações de agências de intercâmbio

Tarifa eua brasil
Imagem: Freepik

A Associação de Agências de Intercâmbio (Belta) avalia que, apesar do incômodo inicial, os estudantes irão se adaptar às novas regras. O presidente da Belta, Alexandre Argenta, destacou que mudanças desse tipo podem assustar temporariamente, mas fazem parte do processo natural de imigração:

“Por mais que assuste algumas pessoas no curto prazo, no médio e longo prazos se torna algo natural e comum nesses processos de vistos para os Estados Unidos. As pessoas vão se adequar.”

A associação representa 50 agências, que juntas contam com mais de 300 pontos de venda no Brasil. Segundo Argenta, não houve aumento significativo de negativas de visto desde a implementação das novas normas, mas algumas análises têm demorado mais, gerando apreensão.

Experiências de estudantes brasileiros

Alguns estudantes relatam ansiedade e insegurança diante das exigências. José Márcio (nome fictício), por exemplo, buscava um curso intensivo de inglês e conseguiu o visto na primeira tentativa, mas descreveu o processo como estressante:

“Fiquei muito preocupado antes da entrevista, porque vi que muitos vistos estavam sendo negados. A ansiedade só foi embora quando passei pelo controle da imigração.”

Já Maria Fernanda (nome fictício), universitária aprovada em curso de Marketing, ainda aguarda a análise do visto e manifesta receio de atrasos que possam impactar o início das aulas:

“Tenho receio de não conseguir a aprovação logo de primeira, porque, se houver atraso, pode atrapalhar todo o cronograma do início das aulas.”

Adaptação às novas regras

Especialistas em Direito Internacional e imigração afirmam que os vistos para estudantes não são um direito, mas uma permissão concedida pelas autoridades. O advogado Fábio Gioppo explica que a exigência de deixar os perfis de redes sociais abertos pode se estender a outras categorias de visto:

“Até pessoas com conexão podem estar sujeitas a essa norma. Se seu destino final não é os Estados Unidos, mas seu voo passa por lá, para uma conexão, você pode ser abordado e ter que apresentar as redes sociais.”

Segundo ele, os perfis devem refletir um estilo de vida compatível com o objetivo educacional. Conteúdos agressivos ou extremistas podem impedir a aprovação, enquanto atividades acadêmicas e viagens podem favorecer o pedido.

Impactos no mercado de intercâmbio

Agências como Central do Estudante e CI Intercâmbio relatam que houve diminuição na busca pelos Estados Unidos como destino. Ligia Faria, diretora da CI Intercâmbio, afirma que muitas famílias agora procuram alternativas mais previsíveis, como Inglaterra, Canadá e Austrália, que oferecem segurança e custos relativamente competitivos:

“Não existe previsibilidade, e as famílias que vão investir milhares de reais em estudos precisam de segurança. Por isso, estamos ampliando opções de destinos.”

O cenário de instabilidade pode afetar fluxo de estudantes e turistas, impactando a economia educacional americana, que depende da receita gerada por estudantes internacionais.

Suspensão e demora nos processos

A emissão de vistos estava suspensa desde 27 de maio, dias após a proibição de Harvard de receber estudantes estrangeiros. Após a retomada, algumas entrevistas demoraram mais para análise. Carla Amaral, diretora da Central do Estudante, explicou:

“Foi muito corrido, mas todos os alunos conseguiram o visto. No entanto, percebo mais casos sem definição de família ou escola para os estudantes brasileiros, o que pode reduzir o número de interessados na próxima temporada.”

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A falta de padrão na concessão dos vistos também preocupa. Ligia Faria observou que agora alguns solicitantes saem da entrevista sem saber o resultado, sendo informados posteriormente por e-mail.

Categorias de visto estudantil

Os três principais vistos estudantis são:

  • F-1: Cursos acadêmicos em universidades, escolas de idiomas ou colégios. Permite trabalhar até 20 horas semanais no campus e programas opcionais de estágio após um ano.
  • M-1: Cursos técnicos ou profissionalizantes, como culinária, design ou mecânica.
  • J-1: Intercâmbio cultural, ensino, pesquisa, consultoria ou treinamento médico.

Todos exigem comprovação de matrícula e capacidade financeira, além do pagamento de taxas SEVIS e consulares.

Taxa adicional para turismo

Estudantes Rio Grande do Norte
Imagem: Monkey Business Images / Shutterstock.com

O governo norte-americano aprovou, em julho, uma nova taxa de US$ 250 para vistos de turismo (B1/B2), que se soma à taxa existente de US$ 185, totalizando US$ 459. A cobrança será feita apenas na emissão do visto e sem exceções.

Perspectivas futuras

Apesar das mudanças e da tensão inicial, especialistas avaliam que o cenário continua promissor para estudantes brasileiros. Guilherme Vieira, diretor da On Set Consultoria Internacional, afirma:

“O governo dos EUA nunca fechou as portas para o ensino internacional e depende da presença de estudantes estrangeiros para movimentar bilhões de dólares na economia educacional e para ecossistemas de pesquisa e inovação.”

Com informações de: Fonte: On Set Consultoria Internacional via Estado de Minas

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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