O dólar fechou em forte queda nesta terça-feira (12), cotado a R$ 5,3855, recuando 1,06% e atingindo seu menor valor desde junho de 2024. O principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, acompanhou o movimento positivo e encerrou o dia com alta de 1,69%, aos 137.914 pontos.
Inflação no Brasil e EUA influencia queda do dólar nesta terça-feira
Dólar recua para R$ 5,3855, menor patamar desde junho de 2024, e Ibovespa avança 1,69%, influenciados por inflação abaixo do esperado.
O otimismo dos investidores foi impulsionado pelos dados de inflação divulgados no Brasil e nos Estados Unidos, que vieram abaixo das expectativas do mercado. Esse cenário reforça as apostas de cortes nas taxas de juros, beneficiando a bolsa e ativos considerados mais arriscados.

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Queda do dólar reforça confiança do mercado financeiro
O dólar comercial teve forte desvalorização, encerrando o dia em R$ 5,3855. Este é o menor patamar desde 19 de junho de 2024, quando a moeda chegou a R$ 5,3819. A retração de mais de 1% foi impulsionada principalmente pela surpresa positiva nos dados de inflação nacional e internacional.
Dados da inflação oficial do Brasil indicam desaceleração
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação no país, subiu 0,26% em julho, abaixo da projeção média do mercado que era de 0,36%. No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação chegou a 5,23%, ainda acima da meta oficial de 3%, mas demonstrando desaceleração.
Principais grupos que impactaram o IPCA
O grupo Habitação foi o que mais pressionou a alta, com aumento de 0,91% em julho, especialmente devido à energia elétrica residencial, que subiu 3,04%. Por outro lado, o grupo Alimentação e Bebidas registrou deflação pelo segundo mês seguido, recuando 0,27% no mês e colaborando para conter a alta geral dos preços.
Projeções para 2025
Segundo o economista Igor Cadilhac, do PicPay, a inflação deve fechar 2025 em torno de 5,1%, resultado influenciado por fatores como a guerra tarifária internacional, que pode exercer efeito deflacionário no curto prazo.
Inflação nos EUA reforça expectativas de cortes de juros

Nos Estados Unidos, o índice de preços ao consumidor (CPI) apresentou alta de 0,2% em julho, contra 0,3% em junho, acumulando 2,7% em 12 meses, levemente abaixo da expectativa do mercado (2,8%). Esses dados aumentam as apostas de que o Federal Reserve (Fed) poderá reduzir a taxa de juros na próxima reunião em setembro, para uma faixa entre 4% e 4,25% ao ano.
Tensão política nos EUA
No entanto, o cenário é marcado por instabilidade política, com o presidente Donald Trump substituindo a chefe do Bureau of Labor Statistics (BLS), Erika McEntarfer, acusando-a sem provas de manipular dados de emprego. Esse episódio trouxe preocupações sobre a confiabilidade das estatísticas econômicas americanas.
Diálogo entre Lula e Xi Jinping e suas implicações
Em meio ao contexto econômico, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone com o presidente da China, Xi Jinping. Na ligação, que durou cerca de uma hora, os dois líderes enfatizaram a importância do G20 e do BRICS na defesa do multilateralismo, especialmente diante do aumento das tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros.
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Plano brasileiro contra tarifas americanas
A conversa reforça a movimentação do governo brasileiro para estruturar um plano de contingência em resposta às sobretaxas de 50% impostas por Donald Trump sobre produtos nacionais. A China deve apoiar o Brasil na COP 30, com a presença de delegação de alto nível na conferência.
Desempenho das bolsas globais
Os mercados internacionais também reagiram positivamente. As bolsas de Wall Street fecharam em alta: o S&P 500 avançou 1,13%, o Nasdaq 1,37% e o Dow Jones 1,09%, refletindo o otimismo com os dados de inflação.
Na Ásia, as bolsas subiram após Trump anunciar a prorrogação por 90 dias da suspensão das tarifas sobre importações chinesas, que venceriam no dia 12 de agosto.
Na Europa, os índices principais também fecharam positivos, com destaque para o CAC 40 em Paris, que avançou 0,71%, e o FTSE 100 em Londres, com alta de 0,20%. O DAX de Frankfurt, porém, recuou 0,23%.
Impactos no mercado brasileiro e perspectivas futuras

A queda do dólar e a valorização do Ibovespa refletem a maior confiança dos investidores na economia brasileira diante do cenário de inflação controlada e possibilidades de redução dos juros básicos. Essa combinação tende a favorecer o consumo, investimentos e o mercado acionário.
Por outro lado, a pressão externa, especialmente pela guerra tarifária e tensões políticas nos EUA, ainda são fatores que podem impactar o humor dos mercados e a volatilidade dos ativos.
