O dólar deve permanecer no patamar de R$ 5,90 durante os anos de 2025 e 2026, segundo projeções divulgadas pelo Itaú Unibanco. O cenário representa uma revisão da estimativa anterior, que apontava a taxa de câmbio em R$ 5,70.
Por que o dólar deve permanecer em R$ 5,90? Itaú explica os 3 principais motivos
O dólar deve permanecer no patamar de R$ 5,90 durante os anos de 2025 e 2026, segundo projeções divulgadas pelo Itaú Unibanco. O cenário representa uma revisão
Essa projeção reflete um conjunto de fatores internos e externos que continuam pressionando o real. Entre os principais elementos estão o dólar forte globalmente, o prêmio de risco elevado no Brasil devido às incertezas fiscais e a deterioração da conta corrente.
A seguir, entenda os motivos por trás dessas projeções e como elas podem impactar a economia brasileira.
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Fatores Externos: Dólar Forte e Crescimento dos EUA

Crescimento Econômico dos EUA
De acordo com o economista-chefe do Itaú, Mario Mesquita, o crescimento econômico dos Estados Unidos acima da média de outros países é um dos principais motores da valorização do dólar.
A economia norte-americana, impulsionada por uma política fiscal expansionista e um mercado de trabalho resiliente, tem se destacado em relação a outras grandes economias globais. Esse diferencial atrai investidores para ativos denominados em dólar, fortalecendo a moeda.
Fim do Afrouxamento Monetário nos EUA
O Federal Reserve encerrou o período de afrouxamento monetário, elevando as taxas de juros para conter a inflação. Essa política torna os investimentos nos EUA mais atrativos, aumentando a demanda pelo dólar.
Fatores Domésticos: Risco Fiscal e Conta Corrente
Incertezas Fiscais no Brasil
No cenário doméstico, o Itaú avalia que o prêmio de risco brasileiro continuará elevado devido às incertezas relacionadas à política fiscal.
Embora o governo tenha feito esforços para aumentar a arrecadação e manter a atividade econômica, a meta de superávit primário para 2025 é vista como improvável de ser alcançada.
Projeção de Déficit Primário
Os economistas do banco estimam um déficit primário de 0,7% do PIB em 2025, considerando os efeitos da exclusão de precatórios. Esse cenário é agravado por programas sociais que ampliam o gasto público e dificultam o cumprimento do limite de despesas.
Deterioração da Conta Corrente
Outro ponto crítico é a piora na conta corrente, com o Itaú projetando um déficit de 2,3% do PIB em 2025 e 2% em 2026.
Essa deterioração reflete uma combinação de fatores estruturais e conjunturais, incluindo o aumento das importações em um cenário de atividade econômica aquecida e preços elevados de commodities.
Impactos da Política Fiscal e Cenário Eleitoral

Os economistas do Itaú apontam que 2026, ano de eleição presidencial, será marcado por incertezas na condução da política fiscal.
Pressão Sobre Gastos Públicos
Com a desaceleração da atividade econômica prevista, a pressão por políticas fiscais expansionistas pode aumentar, elevando ainda mais o prêmio de risco do Brasil.
Influência na Taxa de Câmbio
Essas incertezas afetam diretamente a percepção dos investidores, dificultando a valorização do real frente ao dólar.
Commodities e Safra Forte: Um Alívio no Cenário
Apesar do contexto adverso, o Itaú destaca fatores positivos que podem ajudar a equilibrar as pressões sobre o câmbio.
Produção Agrícola
A safra agrícola forte prevista para 2025 deve impulsionar as exportações, gerando entrada de dólares no país.
Moderação na Atividade Econômica
Uma leve desaceleração econômica também pode reduzir a demanda por importações, aliviando o déficit em conta corrente.
Como o Cenário de Dólar Alto Afeta a Economia Brasileira?
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Impactos no Comércio Exterior
- Exportadores: Empresas que exportam ganham competitividade com o dólar mais alto, ampliando sua margem de lucro.
- Importadores: Negócios que dependem de insumos importados enfrentam aumento de custos, repassando o impacto ao consumidor.
Pressão Sobre a Inflação
O câmbio elevado encarece produtos importados, como combustíveis e insumos industriais, pressionando a inflação e reduzindo o poder de compra da população.
Investimentos e Endividamento
- Investimentos Estrangeiros: A valorização do dólar pode atrair capital externo, mas o risco fiscal elevado pode limitar esse fluxo.
- Dívidas em Moeda Estrangeira: Empresas e governos com dívidas em dólar sofrem com o aumento dos custos de pagamento.
Estratégias para Investidores em 2025 e 2026
Ações e FIIs
Setores como agronegócio, mineração e exportação se beneficiam do câmbio elevado. Fundos imobiliários expostos a contratos atrelados ao IPCA também são boas opções para proteger o capital contra a inflação.
Renda Fixa
Títulos atrelados ao dólar ou à inflação são recomendados para compor carteiras em cenários de alta volatilidade cambial.
Criptomoedas
Com a instabilidade do real, criptomoedas como o Bitcoin podem ganhar relevância como ativos alternativos, especialmente em carteiras diversificadas.
Um Cenário Desafiador, Mas com Oportunidades
O cenário projetado pelo Itaú para o dólar em 2025 e 2026 apresenta desafios significativos para a economia brasileira, com destaque para as incertezas fiscais e a deterioração da conta corrente.
No entanto, oportunidades existem para exportadores, investidores e setores resilientes, como o agronegócio. Para micro e macroeconomias, a chave será adotar estratégias que mitiguem os impactos negativos do câmbio elevado.
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