A partir desta sexta-feira, 16 de maio, trabalhadores com carteira assinada e empréstimos pessoais sem garantias poderão migrar suas dívidas para instituições com melhores condições por meio do programa Crédito do Trabalhador. A nova etapa da iniciativa permite a portabilidade de crédito com juros reduzidos, oferecendo alívio financeiro significativo para milhões de brasileiros endividados.
Consignado CLT: aprenda a fazer portabilidade entre instituições financeiras
Trabalhadores CLT podem renegociar dívidas com juros menores via Crédito do Trabalhador, com nova fase da portabilidade iniciando em 16 de maio.
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Redução de juros pode ultrapassar 50%

Segundo o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, a medida representa uma oportunidade de reestruturação financeira. Hoje, a taxa de juros do Crédito Direto ao Consumidor (CDC) ultrapassa os 8% ao mês, enquanto o Crédito do Trabalhador pode oferecer taxas por menos da metade.
“O trabalhador poderá renegociar sua dívida com juros menores e reduzir o peso da prestação no seu salário”, explicou o ministro. “Isso contribui para diminuir o endividamento da população.”
Portabilidade começa agora e será ampliada em junho
Neste primeiro momento, o trabalhador precisará procurar diretamente a instituição financeira para solicitar a portabilidade, pois o processo ainda não está disponível no aplicativo Carteira de Trabalho Digital. Porém, a partir de 6 de junho, será possível migrar qualquer tipo de dívida de qualquer banco, inclusive dívidas já originadas no Crédito do Trabalhador e empréstimos consignados de convênio.
Dinâmica do programa incentiva disputa entre bancos
Uma das características mais inovadoras do programa é que os bancos habilitados têm acesso à lista dos trabalhadores com empréstimos ativos, o que permite ofertas personalizadas. A concorrência entre instituições pode provocar uma espécie de leilão, forçando os bancos a reduzirem os juros para manter seus clientes.
Histórico e alcance do Crédito do Trabalhador
Resultados até agora
Desde a sua criação em 12 de março, o Crédito do Trabalhador já emprestou mais de R$ 11,4 bilhões a cerca de 2 milhões de trabalhadores. Segundo dados do Ministério do Trabalho, a média dos empréstimos é de R$ 5.383,22 por contrato, com parcelas médias de R$ 316,61, em um prazo de 17 meses.
Estados com maior volume de empréstimos
- São Paulo: R$ 3 bilhões
- Minas Gerais: R$ 960,8 milhões
- Rio de Janeiro: R$ 940,5 milhões
- Paraná: R$ 769,3 milhões
- Rio Grande do Sul: R$ 760,8 milhões
Instituições habilitadas
Atualmente, 39 instituições financeiras operam ativamente a linha de crédito, dentre as mais de 70 habilitadas. O Banco do Brasil lidera com R$ 3,1 bilhões emprestados, com destaque para a liquidação de dívidas caras por meio da nova modalidade.
Como funciona a portabilidade no Crédito do Trabalhador
Passo a passo para obter melhores condições
Etapa 1: Autorização de dados
Pelo aplicativo Carteira de Trabalho Digital, o trabalhador autoriza o compartilhamento de seus dados, como:
- CPF
- Tempo de empresa
- Margem consignável disponível
Etapa 2: Recebimento de ofertas
Em até 24 horas, bancos e instituições habilitadas enviam propostas com condições mais atrativas de crédito.
Etapa 3: Escolha da melhor proposta
O trabalhador avalia as ofertas recebidas e escolhe a mais vantajosa, considerando taxa de juros e prazo.
Etapa 4: Desconto em folha
As parcelas do novo empréstimo são descontadas diretamente da folha de pagamento, com até 35% da renda mensal comprometida.
Requisitos para a portabilidade
- Verificar se o banco de destino participa do programa
- Pedir a portabilidade diretamente pelo site ou aplicativo do banco escolhido
- A nova instituição quita a dívida anterior e assume o crédito, com nova taxa de juros e prazos
Quem pode participar do Crédito do Trabalhador

Público-alvo
- Trabalhadores CLT (carteira assinada)
- Empregados domésticos
- Trabalhadores rurais
- Empregados de microempreendedores individuais (MEI)
- Diretores não empregados com direito ao FGTS
O objetivo é alcançar, nos próximos anos, 25 milhões de trabalhadores, com acesso ao consignado privado e condições mais justas de crédito.
Comparação entre modalidades de crédito
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Diferenças entre CDC e Crédito do Trabalhador
| Característica | CDC tradicional | Crédito do Trabalhador |
|---|---|---|
| Juros médios | Acima de 8% ao mês | A partir de 3% ao mês |
| Garantia | Nenhuma | Desconto em folha |
| Portabilidade | Pouco acessível | Incentivada pelo governo |
| Público-alvo | Geral | Trabalhadores CLT e similares |
Dívidas que podem ser substituídas
- Empréstimos pessoais sem garantias (CDC)
- Carnês de lojas e financeiras
- Cartão de crédito (rotativo)
- Cheque especial
Com a portabilidade, essas dívidas podem ser convertidas em crédito com juros mais baixos, representando uma economia significativa ao longo do tempo.
Expectativas do governo e impacto na economia
Estímulo à competição no setor bancário
Com o avanço do programa, espera-se que a concorrência entre bancos beneficie o trabalhador com propostas mais justas e acessíveis. Segundo o Ministério do Trabalho, a lógica do programa estimula o equilíbrio no mercado financeiro e reduz a dependência de créditos predatórios.
Inclusão financeira e combate ao superendividamento
A portabilidade do Crédito do Trabalhador também é vista como ferramenta de inclusão financeira. Ao oferecer crédito com risco reduzido, o programa dá aos trabalhadores condições de reorganizar suas finanças e escapar do superendividamento.
O que esperar das próximas fases

Ampliação em junho
Com a ampliação prevista para 6 de junho, o programa passará a permitir a migração de qualquer tipo de dívida. Isso poderá representar um divisor de águas para o crédito no país, incluindo inclusive contratos de consignado privado já existentes.
Novas funcionalidades esperadas
Além disso, há expectativa de que novas funcionalidades sejam incorporadas ao aplicativo Carteira de Trabalho Digital, como simulações automáticas, comparação de propostas e até notificações em tempo real.
Conclusão
O Crédito do Trabalhador está se consolidando como uma das principais ferramentas para redução do endividamento e fomento da justiça financeira no Brasil. Com a nova etapa da portabilidade de crédito, trabalhadores terão mais autonomia, segurança e acesso a condições mais favoráveis para renegociar dívidas que até então comprometiam parte relevante do seu orçamento mensal.
