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Como a unificação de contratos de empréstimos funciona? Entenda

A partir de 6 de junho de 2025, entrou em vigor uma nova regra que promete facilitar e baratear a vida de trabalhadores endividados: a portabilidade unificada de contratos de empréstimo para consignado privado. Pela primeira vez, será possível reunir até nove contratos ativos de crédito em um só, desde que preencham determinados requisitos e sejam convertidos em um empréstimo consignado com desconto direto no salário.

A medida representa um avanço importante na regulamentação da portabilidade de crédito e oferece mais poder de negociação aos trabalhadores da iniciativa privada, além de ampliar a concorrência entre instituições financeiras.

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Empréstimo empréstimo consignado privado
Imagem: Canva/Freepik

O que é a portabilidade unificada de empréstimos?

Mudança estrutural no processo de renegociação

Antes da nova regra, quem tinha mais de um empréstimo ativo — como CDCs, crédito pessoal ou até mesmo consignados — precisava solicitar a portabilidade individualmente para cada contrato, o que tornava o processo lento, burocrático e desestimulante.

Com a mudança, agora é possível solicitar a unificação de até 9 dívidas diferentes em um único contrato de consignado privado, desde que:

  • Todos os contratos estejam no nome da mesma pessoa;
  • As dívidas estejam ativas e regulares;
  • O novo contrato respeite o limite de 35% da renda líquida mensal;
  • A taxa de juros seja mais vantajosa que a média dos contratos anteriores;
  • As instituições envolvidas estejam autorizadas a operar com crédito consignado privado.

Quais tipos de dívida podem ser incluídas?

Contratos elegíveis para unificação

A portabilidade unificada está disponível para os seguintes tipos de crédito:

  • Crédito pessoal comum;
  • Crédito Direto ao Consumidor (CDC);
  • Empréstimos consignados já contratados;
  • Outros tipos de financiamento com relação direta ao titular CLT.

É importante destacar que dívidas inadimplidas ou em fase judicial não podem ser incluídas na unificação. O processo é exclusivo para contratos ativos, em dia e regulares.

Como funciona o novo contrato unificado?

Modalidade: empréstimo consignado privado

A nova regra exige que o contrato unificado seja firmado na modalidade de empréstimo consignado privado. Esse tipo de crédito é descontado diretamente na folha de pagamento do trabalhador e, por isso, oferece taxas de juros menores do que as praticadas em linhas tradicionais.

A taxa de juros do novo contrato deve ser inferior à média ponderada dos contratos que serão portados. Além disso, o valor total das parcelas não pode ultrapassar o limite de 35% do salário líquido mensal, respeitando a legislação atual.

Exemplo prático

Imagine um trabalhador com as seguintes dívidas:

  • R$ 4.000 de crédito pessoal com 2,5% ao mês;
  • R$ 2.000 de CDC com 2,9% ao mês;
  • R$ 3.500 de consignado com 1,8% ao mês.

Caso ele unifique esses contratos em um único empréstimo consignado privado com taxa de 1,6% ao mês, terá direito à portabilidade com melhores condições e desconto direto em folha, pagando menos juros ao longo do tempo.

Quem pode solicitar a portabilidade unificada?

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Imagem: Freepik / Edição: Seu Crédito Digital

Trabalhadores com carteira assinada (CLT)

A regra atual é voltada exclusivamente para trabalhadores do setor privado com carteira assinada, ou seja, regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Além disso, é necessário que:

  • O empregador permita desconto em folha para consignado privado;
  • O solicitante esteja adimplente em todas as dívidas que pretende portar;
  • A instituição financeira de destino seja habilitada a operar com essa modalidade de crédito.

Onde e como solicitar a unificação das dívidas?

Procedimento direto com o banco ou fintech

Atualmente, a solicitação deve ser feita diretamente com a instituição financeira de destino, que ficará responsável por:

  1. Receber os dados dos contratos antigos;
  2. Fazer a simulação com a nova taxa de juros;
  3. Validar o comprometimento de renda;
  4. Quitar as dívidas junto às instituições de origem;
  5. Formalizar o novo contrato de consignado.

Plataforma da Carteira de Trabalho Digital ainda não está disponível

De acordo com o Ministério do Trabalho, há expectativa de que, em breve, a portabilidade unificada possa ser feita digitalmente pela Carteira de Trabalho Digital (CTPS Digital). No entanto, até o momento, o sistema ainda não está ativo.

Assim, os trabalhadores interessados devem buscar diretamente os bancos ou instituições que oferecem a portabilidade.

Quais instituições estão autorizadas a operar?

Mais de 70 instituições financeiras já estão autorizadas a realizar a portabilidade unificada de empréstimos consignados para trabalhadores do setor privado. Entre elas, destacam-se:

  • Bancos digitais como Inter, C6, Nubank, PagBank;
  • Bancos tradicionais como Bradesco, Itaú, Santander e Caixa;
  • Fintechs especializadas em crédito consignado, como Rebel, Creditas e Simplic.

É essencial verificar se a instituição está devidamente registrada no Banco Central e habilitada para consignado privado, o que garante a segurança da operação.

Quais são os benefícios da nova regra?

Redução de juros e alívio financeiro

Ao transformar várias dívidas com juros altos em um único empréstimo com taxas reduzidas, o trabalhador pode economizar milhares de reais ao longo do contrato.

Simplificação do controle financeiro

Ao unificar os contratos, o consumidor passa a ter uma única parcela mensal, facilitando o controle do orçamento familiar e reduzindo a chance de inadimplência.

Maior concorrência entre bancos

Com a possibilidade de reunir dívidas em uma só, o mercado se torna mais competitivo, forçando as instituições a oferecerem melhores condições, taxas menores e atendimento ágil.

Cuidados antes de contratar a portabilidade unificada

Leia o contrato com atenção

Antes de assinar o novo contrato, é fundamental:

  • Verificar todas as taxas, CET (Custo Efetivo Total) e o valor final da dívida;
  • Confirmar se todas as dívidas foram de fato quitadas pela nova instituição;
  • Checar se a taxa de juros oferecida é mesmo menor do que a anterior.

Não ultrapasse o limite de renda comprometida

Mesmo com a vantagem do desconto em folha, o limite legal continua sendo de 35% da renda líquida mensal. Isso evita o superendividamento e protege o trabalhador de abusos.

Evite contratar novos empréstimos logo após a portabilidade

A unificação deve ser encarada como uma oportunidade de reorganização financeira, e não como margem para novas dívidas. Use a folga no orçamento para quitar outras obrigações ou criar reserva de emergência.

Expectativas futuras: CTPS Digital e novos avanços

Crédito do Trabalhador consignado
Imagem: Julio Ricco / Shutterstock.com

O governo federal planeja integrar o processo de portabilidade à Carteira de Trabalho Digital, o que permitirá que os trabalhadores consultem, simulem e solicitem a portabilidade diretamente pelo celular. Essa medida, quando implementada, deve aumentar o acesso e reduzir a burocracia no processo.

Além disso, há projetos em discussão para estender a portabilidade unificada a servidores públicos, aposentados e pensionistas, o que pode ampliar significativamente o alcance da medida.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital