Uma recente pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha, publicada no jornal Folha de S.Paulo, revela uma mudança significativa no perfil do trabalhador brasileiro.
Datafolha: maioria dos brasileiros escolhe ser autônomo a ter carteira assinada
Datafolha revela que 59% dos brasileiros preferem trabalhar por conta própria em vez de carteira assinada, refletindo mudança no mercado.
Segundo o levantamento, 59% dos brasileiros atualmente preferem trabalhar como autônomos, ao invés de possuir um emprego com carteira assinada.
Este dado reflete um cenário novo e desafiador no mercado de trabalho do país, onde a formalidade perde terreno para o trabalho independente e as modalidades informais.
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Perfil da pesquisa Datafolha

Metodologia e amostragem
O Datafolha entrevistou 2.004 pessoas em 136 municípios brasileiros nos dias 10 e 11 de junho de 2025. A margem de erro do estudo é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, o que garante um grau de confiabilidade relevante para as conclusões obtidas.
Questões centrais da pesquisa
O estudo focou em entender qual a preferência dos brasileiros entre trabalhar com carteira assinada, mesmo ganhando menos, ou optar pelo trabalho sem registro, porém com uma remuneração maior.
Os resultados mostraram que 67% dos entrevistados ainda preferem a carteira assinada, mesmo que o salário seja menor.
Contudo, esse percentual caiu em relação a 2022, quando 77% optavam por essa modalidade. Já a parcela que prefere trabalhar sem carteira, mas com um salário maior, cresceu para 31%, contra 21% em 2022.
A preferência pelo trabalho autônomo
O que motiva a escolha pelo trabalho por conta própria?
Diversos fatores explicam por que a maioria dos brasileiros está optando pelo trabalho autônomo:
- Flexibilidade de horários: O trabalho autônomo permite maior liberdade para organizar a rotina pessoal e profissional, o que agrada a muitos trabalhadores.
- Autonomia nas decisões: Sem a necessidade de cumprir regras rígidas de uma empresa, o autônomo pode escolher clientes, projetos e formas de trabalho.
- Oportunidades na economia digital: Com o crescimento das plataformas digitais, freelancers, motoristas de apps e pequenos empreendedores encontram mais espaços para atuar.
- Insegurança no mercado formal: A instabilidade econômica, aumento do desemprego e contratos temporários fragilizam a confiança no emprego formal.
Impacto da crise econômica e transformação do mercado
Desde os últimos anos, o Brasil vem enfrentando uma série de desafios econômicos, que influenciam diretamente a dinâmica do trabalho. A crise acentuou a insegurança sobre contratos de trabalho, levando muitos a buscarem alternativas no empreendedorismo e na informalidade.
Além disso, o avanço tecnológico e a digitalização do trabalho abriram novas portas para o trabalho por conta própria, criando um cenário onde o trabalhador não depende exclusivamente do contrato formal.
Carteira assinada ainda é preferência de muitos, mas com mudanças
Redução na preferência pela formalidade
Embora a maioria ainda prefira a carteira assinada, a queda de 10 pontos percentuais desde 2022 mostra que a estabilidade tradicional do emprego formal tem perdido força diante de outras prioridades, como o valor do salário e a flexibilidade.
Razões para manter a carteira assinada
- Segurança jurídica: Direitos trabalhistas garantidos, como férias, 13º salário, FGTS e seguro desemprego.
- Benefícios previdenciários: Contribuições regulares para aposentadoria e acesso facilitado a benefícios do INSS.
- Estabilidade no emprego: Apesar das crises, o emprego formal ainda oferece maior previsibilidade.
Desafios enfrentados pelos trabalhadores formais
A rigidez do mercado formal, jornadas inflexíveis e a oferta limitada de vagas com contratos permanentes contribuem para que o trabalhador busque alternativas autônomas. A pandemia também acelerou tendências que vêm flexibilizando a forma como o trabalho é contratado.
Trabalho sem registro e salário maior: uma relação complexa
O dilema entre informalidade e remuneração
O aumento para 31% daqueles que aceitam trabalhar sem carteira assinada em troca de salário maior reflete uma realidade complexa. Para muitos, o valor pago no mercado formal não é suficiente para suprir as necessidades financeiras.
Riscos da informalidade
- Ausência de direitos trabalhistas: Trabalhadores sem registro perdem acesso a benefícios importantes.
- Vulnerabilidade social: Em caso de doenças, acidentes ou desemprego, não há rede de proteção garantida.
- Dificuldade para obtenção de crédito: Pessoas informais têm acesso limitado a financiamentos e empréstimos.
Por que, mesmo assim, cresce a informalidade?
A falta de oportunidades com bons salários e as facilidades imediatas de renda maior levam muitos brasileiros a aceitarem o risco da informalidade. A ausência de fiscalização eficaz e a cultura de informalidade em certos setores também contribuem para essa tendência.
O que os especialistas dizem sobre o futuro do trabalho no Brasil
A nova economia e o trabalho híbrido
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Analistas apontam que o mercado brasileiro caminha para uma configuração híbrida, onde o emprego formal coexistirá com o crescimento expressivo do trabalho autônomo, freelancer e gig economy.
Políticas públicas e proteção ao trabalhador
Há uma demanda crescente por políticas que garantam proteção social e benefícios para trabalhadores autônomos, visando diminuir a vulnerabilidade e criar um ambiente mais seguro para essa modalidade de trabalho.
Educação e capacitação para o trabalho independente
Programas de formação voltados para o empreendedorismo, gestão financeira e marketing digital são essenciais para que trabalhadores autônomos se consolidem e prosperem no mercado.
Impactos sociais e econômicos da mudança na preferência pelo tipo de trabalho
Mudanças no consumo e na economia familiar
Com maior autonomia sobre os rendimentos, muitos brasileiros ajustam seus gastos e prioridades, refletindo uma nova dinâmica no consumo e planejamento financeiro.
Influência nas relações de trabalho e cultura empresarial
A preferência pelo trabalho autônomo desafia modelos tradicionais de gestão e obriga empresas a adaptarem suas práticas para atrair e reter talentos.
Desafios para a seguridade social e arrecadação
O aumento da informalidade pode reduzir as contribuições para a previdência social, exigindo ajustes na política pública para garantir sustentabilidade do sistema.
Considerações finais
A pesquisa Datafolha destaca uma transformação importante no mercado de trabalho brasileiro: a crescente preferência pelo trabalho autônomo em detrimento do emprego formal.
Esse movimento reflete tanto a busca por maior liberdade e remuneração quanto a insegurança diante das mudanças econômicas recentes.
Embora a carteira assinada ainda seja valorizada pela segurança e direitos, o cenário aponta para um futuro híbrido, onde trabalhadores e empresas precisarão se adaptar a novas formas de atuação, negociação e proteção social.
Políticas públicas eficazes, capacitação e inovação serão essenciais para garantir que essa transição seja positiva para toda a sociedade.
