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Portugal avalia criação de reserva estratégica de Bitcoin para reforçar soberania financeira

Avatar de Tainara Ferreira Tainara Ferreira · · 5 min de leitura
Portugal Bitcoin

Portugal poderá ganhar um novo status na corrida global pelas criptomoedas. Francisco Quartin Macedo, presidente do Instituto Português de Bitcoin, defende publicamente que o país adote uma reserva estratégica de Bitcoin, seguindo o exemplo dos Estados Unidos e outras nações.

A ideia é que o Bitcoin passe a integrar as reservas nacionais, semelhante ao papel histórico do ouro, como ativo refúgio e instrumento de soberania financeira.

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Situação global: EUA na frente, União Europeia com passo lento

Trump e EUA: movimento pioneiro com viés político

Nos Estados Unidos, a discussão sobre uma reserva estratégica de Bitcoin ganhou força após o apoio de Donald Trump, que se comprometeu a manter o Bitcoin confiscado pelo Tesouro como parte de ativos de reserva.

A senadora Cynthia Lummis apresentou um projeto para aquisição de até 1 milhão de BTC em cinco anos. Esse ambiente político favorável impulsiona o debate em outros países.

União Europeia: necessidade de aceleração

Por contraste, em solo europeu, inclusive em Portugal, os avanços têm sido mais lentamente estruturados. Quartin Macedo critica a morosidade:

“A implementação tem sido bastante lenta na UE…”

Ele considera que Portugal pode e deve se posicionar como vanguarda da inovação.

Por que considerar o Bitcoin como reserva estratégica?

Bitcoin
Reprodução: Seu Crédito Digital/Freepik

1. Ouro digital com vantagens práticas

O presidente do Instituto Português de Bitcoin enumera benefícios que destacam o BTC em relação ao ouro:

  • Divisibilidade superior;
  • Facilidade de transporte;
  • Transações sem intermediários;
  • Oferta limitada e conhecida: máximo de 21 milhões de BTC.

Esses atributos reforçam sua proposta como ativo de refúgio moderno.

2. Previsibilidade e escassez garantida

Ao contrário do ouro — cuja quantidade futura é incerta — o Bitcoin é programaticamente limitado, o que confere estabilidade de oferta e potencial para reserva de valor sustentável.

Modelo de implementação: o que Portugal deve considerar

Reservas de ativos digitais: estudo técnico necessário

Para seguir o caminho traçado por EUA e Brasil, Portugal precisa:

1. Inventário de ativos disponíveis

Identificar se o Estado já detém Bitcoin — por apreensões, doações ou ativos associados a empresas públicas.

2. Estrutura regulatória clara

Determinar quais órgãos (Banco de Portugal, Ministério das Finanças) seriam responsáveis pela custódia, câmbio e uso do BTC.

3. Protocolo de gestão

Definir como e quando os ativos serão utilizados em caso de crise, e como manter a segurança (como carteiras offline).

Comparativo internacional: Brasil, EUA e outras iniciativas

Brasil: reserva de Bitcoin em debate

No Congresso brasileiro, o PL 4501/2024, de Eros Biondini, prevê destinar até 5% das reservas internacionais à Bitcoin, batizado de RESBit.

Também houve pedidos de audiência pública para discutir o tema, incluindo participação de especialistas e representantes do Banco Central .

Estados Unidos: ação executiva consolidada

A ordem executiva aprovada por Trump criou uma reserva estratégica baseada em BTC confiscado, com estimativas de até 200.000 BTC envolvidos.

Projetos estaduais surgem em paralelo — Texas, Oklahoma e Pensilvânia cogitam reservas locais .

Outros países em avaliação

Iniciativas similares estão em discussão em:

  • Japão: parlamentar propõe análise da inclusão do BTC como ativo de reserva;
  • Polônia, Suíça e Rússia: debates legislativos e plebiscitários em andamento.

Esses movimentos revelam um interesse estratégico global crescente.

Vantagens e riscos: o que Portugal precisa pesar

Vantagens potenciais

  1. Diversificação das reservas;
  2. Proteção contra inflação e volatização cambial;
  3. Impulso à adoção de blockchain e economia digital;
  4. Maior transparência e soberania financeira.

Principais riscos

  1. Volatilidade do Bitcoin;
  2. Regulamentação ainda incerta na UE;
  3. Riscos de custódia, segurança e hacking;
  4. Impactos fiscais e contábeis nas finanças públicas.

A combinação desses fatores exige análise rigorosa e planejamento detalhado.

Caminhos possíveis para Portugal seguir

1. Proposta legislativa soberana

Inspirado em projetos brasileiros e norte-americanos, Portugal poderia apresentar projeto no Parlamento propondo a alocação gradual (ex.: 1–5% das reservas em BTC).

2. Blindagem institucional

Estabelecer carteiras frias seguras, auditoria independente e coordenação entre Banco de Portugal e Ministério das Finanças.

3. Incentivo ao mercado cripto doméstico

Criação de ETFs de Bitcoin, regulação que inclua custódia institucional, plataformas supervisionadas e produtos financeiros cripto.

Como observa Quartin Macedo:

“Cria um sentido de confiança nos investidores… permite produtos como ETFs, custódia institucional…” (Sol)

Portugal na liderança europeia: um papel estratégico

Oportunidade de inovação e debate público

Uma reserva digital poderia posicionar o país como um dos primeiros na UE a testar o modelo, fomentando o ecossistema cripto local e atraindo startups, investidores e centros de pesquisa.

Reação de Bruxelas possível?

Enquanto o Banco Central Europeu mantém postura cautelosa, Portugal poderia atuar como cobaia regulatória, desde que mantenha diálogo institucional com Bruxelas.

Conclusão: resistência à estagnação e avanço estratégico

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Imagem: Hi my name is Jacco / shutterstock

Portugal está diante de uma clara oportunidade de romper a inércia regulatória da União Europeia e modernizar sua postura sobre ativos digitais. A proposta de criar uma reserva estratégica de Bitcoin, defendida por Francisco Quartin Macedo, traz o país para o centro de uma discussão global sobre soberania, inovação e finanças do futuro.

Para avançar, será necessário mobilizar setores públicos, especialistas e o Parlamento. Debates internos, tecnicamente embasados, e harmonização com políticas da UE serão fundamentais para transformar a proposta em prática.

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