Portugal poderá ganhar um novo status na corrida global pelas criptomoedas. Francisco Quartin Macedo, presidente do Instituto Português de Bitcoin, defende publicamente que o país adote uma reserva estratégica de Bitcoin, seguindo o exemplo dos Estados Unidos e outras nações.
Portugal avalia criação de reserva estratégica de Bitcoin para reforçar soberania financeira
O presidente do Instituto Português de Bitcoin propõe que Portugal adote Bitcoin como reserva estratégica, visando fortalecer a soberania financeira com um ativo digital.
A ideia é que o Bitcoin passe a integrar as reservas nacionais, semelhante ao papel histórico do ouro, como ativo refúgio e instrumento de soberania financeira.
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Nos Estados Unidos, a discussão sobre uma reserva estratégica de Bitcoin ganhou força após o apoio de Donald Trump, que se comprometeu a manter o Bitcoin confiscado pelo Tesouro como parte de ativos de reserva.
A senadora Cynthia Lummis apresentou um projeto para aquisição de até 1 milhão de BTC em cinco anos. Esse ambiente político favorável impulsiona o debate em outros países.
União Europeia: necessidade de aceleração
Por contraste, em solo europeu, inclusive em Portugal, os avanços têm sido mais lentamente estruturados. Quartin Macedo critica a morosidade:
“A implementação tem sido bastante lenta na UE…”
Ele considera que Portugal pode e deve se posicionar como vanguarda da inovação.
Por que considerar o Bitcoin como reserva estratégica?

1. Ouro digital com vantagens práticas
O presidente do Instituto Português de Bitcoin enumera benefícios que destacam o BTC em relação ao ouro:
- Divisibilidade superior;
- Facilidade de transporte;
- Transações sem intermediários;
- Oferta limitada e conhecida: máximo de 21 milhões de BTC.
Esses atributos reforçam sua proposta como ativo de refúgio moderno.
2. Previsibilidade e escassez garantida
Ao contrário do ouro — cuja quantidade futura é incerta — o Bitcoin é programaticamente limitado, o que confere estabilidade de oferta e potencial para reserva de valor sustentável.
Modelo de implementação: o que Portugal deve considerar
Reservas de ativos digitais: estudo técnico necessário
Para seguir o caminho traçado por EUA e Brasil, Portugal precisa:
1. Inventário de ativos disponíveis
Identificar se o Estado já detém Bitcoin — por apreensões, doações ou ativos associados a empresas públicas.
2. Estrutura regulatória clara
Determinar quais órgãos (Banco de Portugal, Ministério das Finanças) seriam responsáveis pela custódia, câmbio e uso do BTC.
3. Protocolo de gestão
Definir como e quando os ativos serão utilizados em caso de crise, e como manter a segurança (como carteiras offline).
Comparativo internacional: Brasil, EUA e outras iniciativas
Brasil: reserva de Bitcoin em debate
No Congresso brasileiro, o PL 4501/2024, de Eros Biondini, prevê destinar até 5% das reservas internacionais à Bitcoin, batizado de RESBit.
Também houve pedidos de audiência pública para discutir o tema, incluindo participação de especialistas e representantes do Banco Central .
Estados Unidos: ação executiva consolidada
A ordem executiva aprovada por Trump criou uma reserva estratégica baseada em BTC confiscado, com estimativas de até 200.000 BTC envolvidos.
Projetos estaduais surgem em paralelo — Texas, Oklahoma e Pensilvânia cogitam reservas locais .
Outros países em avaliação
Iniciativas similares estão em discussão em:
- Japão: parlamentar propõe análise da inclusão do BTC como ativo de reserva;
- Polônia, Suíça e Rússia: debates legislativos e plebiscitários em andamento.
Esses movimentos revelam um interesse estratégico global crescente.
Vantagens e riscos: o que Portugal precisa pesar
Vantagens potenciais
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- Diversificação das reservas;
- Proteção contra inflação e volatização cambial;
- Impulso à adoção de blockchain e economia digital;
- Maior transparência e soberania financeira.
Principais riscos
- Volatilidade do Bitcoin;
- Regulamentação ainda incerta na UE;
- Riscos de custódia, segurança e hacking;
- Impactos fiscais e contábeis nas finanças públicas.
A combinação desses fatores exige análise rigorosa e planejamento detalhado.
Caminhos possíveis para Portugal seguir
1. Proposta legislativa soberana
Inspirado em projetos brasileiros e norte-americanos, Portugal poderia apresentar projeto no Parlamento propondo a alocação gradual (ex.: 1–5% das reservas em BTC).
2. Blindagem institucional
Estabelecer carteiras frias seguras, auditoria independente e coordenação entre Banco de Portugal e Ministério das Finanças.
3. Incentivo ao mercado cripto doméstico
Criação de ETFs de Bitcoin, regulação que inclua custódia institucional, plataformas supervisionadas e produtos financeiros cripto.
Como observa Quartin Macedo:
“Cria um sentido de confiança nos investidores… permite produtos como ETFs, custódia institucional…” (Sol)
Portugal na liderança europeia: um papel estratégico
Oportunidade de inovação e debate público
Uma reserva digital poderia posicionar o país como um dos primeiros na UE a testar o modelo, fomentando o ecossistema cripto local e atraindo startups, investidores e centros de pesquisa.
Reação de Bruxelas possível?
Enquanto o Banco Central Europeu mantém postura cautelosa, Portugal poderia atuar como cobaia regulatória, desde que mantenha diálogo institucional com Bruxelas.
Conclusão: resistência à estagnação e avanço estratégico

Portugal está diante de uma clara oportunidade de romper a inércia regulatória da União Europeia e modernizar sua postura sobre ativos digitais. A proposta de criar uma reserva estratégica de Bitcoin, defendida por Francisco Quartin Macedo, traz o país para o centro de uma discussão global sobre soberania, inovação e finanças do futuro.
Para avançar, será necessário mobilizar setores públicos, especialistas e o Parlamento. Debates internos, tecnicamente embasados, e harmonização com políticas da UE serão fundamentais para transformar a proposta em prática.
