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Alívio no bolso: preço do azeite cai em 12%

Redução das tarifas de importação faz preço do azeite cair até 12% no Brasil. Entenda os impactos e os desafios no mercado.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
azeite

As gôndolas dos supermercados brasileiros começaram a exibir um alívio bem-vindo no preço de um dos itens mais valorizados da cesta básica dos consumidores: o azeite de oliva. Após a decisão do governo federal, em março, de reduzir as tarifas de importação de alguns alimentos, o impacto mais perceptível até agora foi justamente no preço do azeite, que registrou queda de até 12%.

A informação foi confirmada pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras), que monitora os preços de diversos produtos no país. Segundo o vice-presidente da entidade, Marcio Milan, a redução nas alíquotas de importação teve efeito imediato no valor do azeite.

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Queda no preço do azeite já chega às prateleiras

Azeite
Imagem: Ground Picture/shutterstock.com

“Sentimos de imediato uma redução de 10% a 12% no valor do azeite, reflexo direto da queda nas alíquotas de importação”, afirmou Milan. A redução foi percebida em diversas redes de supermercados, especialmente nas regiões Sudeste e Sul, onde há maior consumo do produto.

A medida, no entanto, não teve o mesmo efeito para outros itens da lista de produtos isentos ou com tarifas reduzidas. Segundo Milan, isso se explica pela baixa representatividade desses produtos nas importações do setor supermercadista.

Por que o azeite foi mais impactado?

O preço do azeite, diferentemente de outros alimentos, é altamente sensível às variações no mercado internacional. A Europa, especialmente Espanha e Portugal, é a principal fornecedora de azeite para o Brasil. Nos últimos anos, o setor foi afetado por eventos climáticos extremos, como a seca registrada em diversas regiões produtoras europeias, o que pressionou os preços para cima.

Com a redução das tarifas de importação, houve uma compensação parcial desses aumentos, tornando o azeite mais acessível para o consumidor brasileiro. Ainda assim, o cenário continua desafiador.

A produção nacional começa a crescer

Embora o Brasil ainda dependa majoritariamente do azeite importado, a produção nacional começa a ganhar espaço, especialmente nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. No entanto, o volume produzido internamente ainda é insuficiente para atender à demanda nacional.

De acordo com dados do setor, a produção brasileira de azeite cresceu 30% nos últimos dois anos, mas representa menos de 5% do consumo total no país. A expectativa é de que, nos próximos anos, essa fatia aumente, ajudando a reduzir a dependência do mercado externo.

Impacto limitado em outros produtos

Apesar da boa notícia no preço do azeite, a promessa de um alívio mais amplo nos preços dos alimentos não se concretizou, pelo menos até o momento. A análise da Abras mostra que os demais itens incluídos na política de redução tributária têm impacto pouco relevante no volume total importado pelo setor de supermercados.

“O mercado já se ajustou. Fora o azeite, os demais itens isentados têm pouca participação nas importações. Por isso, o efeito prático no bolso do consumidor foi limitado”, explicou Milan.

Expectativas do governo e realidade no mercado

Quando anunciou a medida, o governo federal tinha a expectativa de frear parte das pressões inflacionárias que vinham impactando principalmente os alimentos. No entanto, economistas e representantes do setor supermercadista já alertavam que o efeito seria mais concentrado em nichos específicos.

Essa previsão se confirmou. Enquanto o azeite apresentou uma redução expressiva, outros produtos mantiveram estabilidade ou tiveram quedas muito tímidas, insuficientes para serem percebidas pelo consumidor médio.

Entenda os fatores que ainda pressionam os preços

azeite
Imagem: Freepik

Embora a redução das tarifas de importação tenha ajudado pontualmente, como no caso do azeite, outros fatores continuam exercendo pressão sobre os preços dos alimentos no Brasil.

1. Câmbio instável

O dólar segue oscilando frente ao real, o que impacta diretamente o custo dos produtos importados, inclusive alimentos.

2. Clima adverso

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Eventos climáticos, como secas e enchentes tanto no Brasil quanto em países fornecedores, seguem afetando a produção e o abastecimento global de alimentos.

3. Custos logísticos

O transporte interno no Brasil ainda representa um custo elevado, especialmente devido ao preço dos combustíveis e às deficiências na infraestrutura logística.

4. Demanda aquecida

A demanda interna e global por alimentos permanece alta, o que mantém os preços pressionados, mesmo em cenários de alívio pontual em impostos.

Consumidor sente pouco impacto no carrinho

Na prática, para o consumidor, o efeito dessa medida é visto de forma muito específica. Quem consome azeite com frequência notou uma diferença positiva nos preços, mas quem esperava uma redução mais ampla no valor da cesta básica segue frustrado.

Levantamentos feitos por institutos de pesquisa de preços mostram que a inflação dos alimentos, embora tenha desacelerado nos últimos meses, ainda segue acima da média histórica, pressionando especialmente as famílias de menor renda.

Futuro: mais produção nacional e novos ajustes?

O setor supermercadista e os produtores nacionais acreditam que, para que haja uma redução mais consistente nos preços, é fundamental investir na produção interna, tanto de azeite quanto de outros alimentos hoje fortemente dependentes do mercado externo.

Além disso, ajustes em outros pontos da cadeia produtiva, como a melhoria na logística, na infraestrutura e no escoamento da produção, podem ter um impacto mais duradouro no preço final ao consumidor.

Imagem: DUSAN ZIDAR/ Shutterstock.com

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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